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Pássaros selvagens são fonte de rendimento ilegal no concelho de Benavente

Pássaros selvagens são fonte de rendimento ilegal no concelho de Benavente

Com o agravar da crise económica há cada vez mais gente a caçar ilegalmente

Nos campos e nas várzeas do concelho de Benavente há cada vez mais gente a apanhar pássaros ilegalmente. A actividade envolve riscos mas para muitos o perigo compensa, sobretudo quando se trata de uma actividade em que os ganhos passam à margem da lei.

Edição de 13.07.2011 | Sociedade
Está a aumentar o número de pessoas que se dedica, ilegalmente, a apanhar pássaros de espécies protegidas nos campos e várzeas do concelho de Benavente. A garantia é dada por vários agricultores da região. Cada pássaro apanhado e vendido no mercado negro pode render entre 75 e 100 euros, dependendo da espécie. Tudo à margem de impostos e da lei. Na várzea entre Samora Correia e Benavente, por exemplo, os agricultores garantem que são vistas cada vez mais pessoas a apanhar pássaros ilegalmente, especialmente bengalins e bicos de lacre. Pássaros que se vendem em feiras e mercados e outros que são enviados em carros particulares para o estrangeiro, muitas vezes a troco de outras espécies exóticas que também entram no país à candonga. “Faz-se por aí contrabando de aves, isso é garantido”, assegura Manuel Dias Cunha, agricultor da várzea a O MIRANTE.Com o agravar das condições económicas das famílias muita gente arrisca uma pena de prisão até três anos para apanhar estas espécies protegidas por lei. “Aparecem logo de manhã, pelas 05h00 ou 06h00 e montam umas redes de nylon muito fino no meio das canas e da vegetação. Os pássaros ficam presos nelas e depois são recolhidos ao final do dia e levados em carros daqui para fora”, assegura. Manuel Dias garante que “só não vê os prevaricadores quem não quer”. Outro agricultor, Nunes Pedro, confessa que já chamou as autoridades várias vezes mas que quando estas chegam ao local do crime já é tarde demais. “A maioria dos homens que anda à apanha foge antes de ser apanhado. Isto tem aumentado de uma maneira louca, temos muita gente aqui a apanhar pássaros”, garante. Segundo fonte da GNR de Benavente não existe um grande historial de apreensões e este ano ainda só foi registado um caso. Ainda assim a Guarda Nacional Republicana garante que está vigilante. O coordenador do departamento de conservação da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), Domingos Leitão, garante que o problema está a agravar-se com a crise económica e que é urgente reforçar os meios de fiscalização no terreno.“Chegam-nos com frequência relatos e denúncias dessas situações. Este é um problema não apenas no que toca à sua ilegalidade mas também aos métodos não selectivos de captura, que podem pôr em risco espécies mais raras do nosso habitat, como o cruza-bico”, refere a O MIRANTE. O negócio ilegal também tem sido impulsionado pelas vendas na Internet, diz o responsável, ao mesmo tempo que alerta para outro problema. “Metade dos pássaros apanhados morrem antes de chegarem a ser vendidos porque não se habituam às gaiolas. Isso não é moralmente ético. Esta apanha ilegal tem aumentado por todo o país também por culpa da crise económica. Estamos muito preocupados com este fenómeno”, confessa. A SPEA é uma associação científica sem fins lucrativos que promove o estudo e a conservação de aves em Portugal. O caso mais recente registado pela GNR de Benavente data do início do ano e envolveu o vice-presidente da associação de caçadores “Tiro e Queda”, cujo automóvel terá sido apreendido pelas autoridades na várzea de Samora Correia com quase uma dezena de aves, que terão sido alegadamente apanhadas no local. Ao nosso jornal o dirigente garante que não se encontrava a apanhar os pássaros para vender mas sim para ter na sua habitação. “Sou um cidadão limpo e honesto”, afiança. A associação de caçadores de Benavente tem hoje mais de 300 sócios de todo o país.
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