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José Matos

José Matos

48 anos, alcatifador, Vila Franca de Xira

A crise está a bater à porta e vou ter de cortar em muita coisa no futuro, nos telefones, na Internet e nos cafés por exemplo. Mas no tabaco ainda não tenho intenção de cortar, é um dos poucos prazeres que ainda tenho

Edição de 20.07.2011 | Agora falo eu
Quando compra um maço de tabaco pensa no preço que ele custa?Custa-me bastante dar tanto dinheiro pelos cigarros, porque podia usá-lo noutras coisas mais úteis e saudáveis, mas o vício é superior (risos). Mas não considero que o preço do tabaco seja exageradamente elevado atendendo ao nosso nível de vida, apesar de entender que podia ser mais barato. A crise está a bater à porta e vou ter de cortar em muita coisa no futuro, nos telefones, na Internet e nos cafés por exemplo. Mas no tabaco ainda não tenho intenção de cortar, é um dos poucos prazeres que ainda tenho. Vou tentar comprar cigarros mais baratos no futuro e ao longo do tempo tentar ultrapassar este vício.Comprar produtos contrafeitos mais baratos é uma forma de contornar a crise?Pode ser! Estamos numa altura em que o contrabando começa a ganhar importância mas eu não comprava de certeza. Primeiro porque pode ser perigoso e segundo porque vivemos numa situação em que isso é incompatível com a necessidade de fazer crescer a economia. Há que ter responsabilidade que passa por pagar impostos ao Estado para conseguirmos voltar a ter um bom nível de vida. Hoje em dia, mais do que nunca, temos de ser honestos.Tínhamos ficado melhor com o escudo em vez do euro?Na minha opinião era uma mais-valia. Se o escudo voltasse era bom. Sempre vivemos com o escudo e tivemos um nível de vida diferente do que temos hoje com o euro porque comprávamos o que podíamos. Hoje consumimos exageradamente. As pessoas compram o que podem e o que não podem. Vejo que os países que não aderiram ao euro conseguiram ter um bom nível de vida enquanto quem aderiu tem hoje muitas dificuldades, como Portugal. Vivemos acima do que podemos. Era homem para pegar um toiro de caras?Provavelmente sim, já fui a uma tenta onde tive de agarrar uns bezerros para serem ferrados. A minha família é composta por forcados. Tenho três sobrinhos no grupo de Vila Franca de Xira e o meu irmão foi rabejador também neste grupo.Quem manda lá em casa?Eu. De certeza absoluta porque é uma forma de estar. Em casa promovemos o diálogo mas há regras. Normalmente sou eu que as imponho. Há muita diplomacia mas a última decisão costuma ser minha (risos).Se visse um ladrão a levar a mala a uma idosa o que fazia?Ia atrás dele, sem dúvida. Considero-me boa pessoa, faria tudo para socorrer a vítima. É preciso que deixemos de ser egoístas e de pensarmos apenas em nós. Embora na sociedade em que vivemos seja difícil ser bom samaritano. Muitas vezes vamos em socorro de uma pessoa que precisa de ajuda e as complicações sobrarem para nós.Se tivesse um quintal o que construía nele?Nada, tenho um terraço e a única coisa que tenho é flores. Não ia ter tempo para usar o espaço para qualquer coisa. Dedico boa parte do meu dia ao trabalho.
José Matos

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