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Começou por desmontar bicicletas e tornou-se mecânico automóvel

António dos Santos fez grande parte da sua vida profissional em França e hoje tem uma oficina em Tomar

A ideia de regressar a terras gaulesas não está colocada de parte, os tempos estão difíceis e as ligações ainda são grandes.

Edição de 20.07.2011 | Identidade Profissional
Nasceu em Portugal, em Tomar, mas com 10 anos deixou a terra natal e partiu para França, onde passou grande parte da sua vida. António dos Santos, 51 anos, sempre trabalhou no ramo automóvel e afirma que nunca pensou em mudar de área, já que foi este o ofício que aprendeu. Actualmente é dono de uma oficina em Tomar, faz o reboque de veículos e prepara os carros para as inspecções.António Santos ainda se sente um pouco francês, lembrando que mesmo hoje tem mais anos de França que de Portugal. Chegou a terras gaulesas ainda pequeno e aí fez grande parte do ensino, primeiro na escolaridade obrigatória, até aos 16 anos, e mais tarde na profissional, onde optou pelo ramo automóvel. Conforme afirma, “a mecânica era o que mais gostava”, tinha familiares ligadas à área dos automóveis e já em criança se entretinha a desmontar bicicletas. “Foi sempre neste ramo que quis trabalhar”, refere.Durante o curso profissional, conforme as exigências do programa, foi trabalhando em algumas oficinas. Quando terminou a formação, com 20 anos, permaneceu na concessionária da Peugeot, na secção de oficina e venda, e trabalhou para o mesmo patrão durante vários anos. Com 25 anos, abriu a sua própria oficina em França.“O meu patrão encorajou-me e sempre quis trabalhar por conta própria”, afirma, comentando que apesar de muitos clientes o terem seguido nunca teve qualquer desentendimento com o antigo patrão. Nesse negócio permaneceu cerca de 10 anos. “Depois vim para Portugal. Tinha cá algum património da minha família e quis aproveitá-lo. Fiz ali a minha oficina”. A adaptação não foi nada fácil, recorda António dos Santos. “Foi um pouco difícil adaptar-me a Portugal, tanto a nível do falar como do escrever. Nesse tempo nem era capaz de preencher um cheque”. Uma aprendizagem que foi sendo gradual, assim como a conquista de clientes, que passaram a palavra e hoje tem uma clientela fixa que lhe permite manter as portas abertas, ainda que trabalhe sozinho. A oficina está sediada a dois quilómetros de Tomar, em Cabeças. Apesar de reconhecer que hoje enfrenta algumas dificuldades a nível da evolução dos carros, em terrenos como os da electrónica, não pensa aumentar a sua formação. “Prefiro levar os automóveis à marca própria, que prestam um serviço de melhor qualidade, têm as máquinas indicadas. Como tenho o reboque, faço esse transporte”. Conforme explica, “quando comecei neste ofício bastava substituir uma peça e o carro ficava a trabalhar, hoje já não é assim”.A ideia de regressar a França não está colocada de parte, os tempos estão difíceis e as ligações ainda são grandes. “Ainda tenho aqui propriedades e como já cá estou, por aqui fico”, refere. É um trabalho sem grandes histórias e os desafios vão sendo resolvidos com paciência e dedicação. “Já passei muitas horas com coisas que se resolviam em pouco tempo. Mas com paciência e tempo tudo se faz. Só com a electrónica é que não há nada a fazer”.Aparecem-lhe todo o tipo de problemas. “O carro de um dia para o outro pode deixar de trabalhar. Já me aconteceu ir atender a pessoas que tinham ido almoçar fora e depois o carro não pegou”, conta. “Se um rato entra no carro também surgem problemas complicados de resolver. Os carros se estiverem muito tempo parados sujeitam-se. Na cidade nem tanto, mas no campo é um perigo”.De experiências boas ou más não tem grande memória. “Uma vez, ainda em França, tive um problema com um argelino. O problema é que a polícia só vinha quando havia questões de sangue. Peguei no extintor e foi a única maneira de o conseguir meter na rua”, recorda rindo.Não tem propriamente um carro ideal, até porque seria necessário ter capital, comenta. “Um BMW a gasolina ou um Mercedes a gasóleo”, refere, seriam os seus carros de sonho. De marcas japonesas não é apreciador. “O meu antigo patrão sempre me dizia que carros de fora da Europa são como caixões de dois lugares”, explica entre risos, comentando que apesar dos carros não serem maus, não gosta.

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