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Matadouro de Tomar não tem bens para pagar dívidas de 34 milhões de euros

Matadouro de Tomar não tem bens para pagar dívidas de 34 milhões de euros

Assembleia de credores decide evitar para já o encerramento e pede um plano de viabilidade da empresa

Se o matadouro Ribacarne vier a fechar, os cerca de 200 credores, alguns com milhões de euros a haver, arriscam-se a não verem um cêntimo porque a empresa de seu não tem quase nada.

Edição de 20.07.2011 | Sociedade
Os credores do Matadouro Regional de Tomar - Ribacarne arriscam-se a não ver a cor do dinheiro que têm para receber da empresa que está em processo de insolvência, porque esta não tens bens que possam ser vendidos e fazer face nem que seja a uma pequena parte das dívidas que contraiu nos últimos tempos. Na primeira assembleia de credores, o administrador de insolvência nomeado pelo Tribunal de Tomar começou por explicar que existe uma grande disparidade entre as dívidas, que já chegam aos 34,4 milhões de euros, e o que a empresa tem, tendo aconselhado a elaboração de um plano de viabilidade do matadouro, o que acabou por ser aprovado pelos credores. Podem vir a aparecer vários planos de insolvência, visto que na assembleia que durou mais de quatro horas houve vários interessados em colaborar e o próprio administrador de insolvência, o economista Carlos Maia Pinto, pode vir também a submeter o seu próprio plano à aprovação no dia 28 de Outubro, data para a qual a juíza Isabel Baptista marcou a próxima sessão destinada a discutir as propostas de viabilização. Para a decisão dos credores em não avançarem para já com a liquidação e consequente encerramento da empresa terá pesado o facto de não haver património para fazer face nem às dívidas mais pequenas e de a possibilidade de ir buscar dinheiro estar em créditos que a Ribacarne tenha de clientes devedores. As viaturas e equipamentos da Ribacarne foram adquiridas com recurso a crédito e as instalações foram vendidas a um fundo imobiliário que por sua vez arrendou o espaço à empresa pelo período de dez anos. Até ao momento foram aceites neste processo 206 credores, mas podem aparecer mais nos próximos dias. Alguns fornecedores reclamam dívidas avultadas de montantes superiores a dois milhões de euros e há também credores espanhóis à espera de receberem montantes de centenas de milhares de euros. Pelo menos um deles reclama cerca de 700 mil euros. Na lista estão também quatro dezenas de trabalhadores que já foram despedidos na sequência do pedido de insolvência e que têm para receber as indemnizações pelos anos de trabalho, já que os ordenados estavam em dia. Um dos mais antigos funcionários do matadouro é Jorge Barata que trabalhava na linha de abate de animais desde 1989 e que tem para receber 21.300 euros. Neste momento o trabalhador está a receber subsídio de desemprego e diz que não tem muitas esperanças em conseguir arranjar um trabalho a curto prazo atendendo também ao facto de já ter 49 anos de idade. No entanto admite que gostaria de voltar a trabalhar no matadouro desde que seja com uma nova administração. “A maior pena que tenho é que o matadouro feche, independentemente de poder trabalhar lá ou não”, desabafa Jorge Barata. Investimentos questionadosO descalabro da Ribacarne começou a notar-se no início deste ano quando alguns fornecedores começaram a ver os cheques passados pela empresa a serem devolvidos pelos bancos por falta de provisão. Os credores referem à boca cheia que o matadouro podia ter uma situação financeira razoável não fosse alguns investimentos inapropriados para uma época de crise. Há pouco tempo a empresa construiu o que alguns dizem ser uns luxuosos escritórios e gastou mais de um milhão de euros numa linha de abate de bois para produção de carne para uma cadeia de venda de hambúrgueres, que acabou por apenas fazer quatro ou cinco abates. Electricidade já foi restabelecidaA EDP, que tinha suspendido o fornecimento de electricidade ao matadouro por falta de pagamento, já retomou o abastecimento depois de o administrador de insolvência, que quer evitar o fecho da empresa, ter pago uma caução de 66 mil euros. Durante vários dias a Ribacarne esteve a funcionar com recurso a um gerador e a electricidade foi restabelecida na quarta-feira, 13 de Julho.
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