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Presidente não autoriza que tesoureiro faça trabalho gratuito para a junta

Presidente não autoriza que tesoureiro faça trabalho gratuito para a junta

Justino Oliveira já mandou parar os trabalhos em Aveiras de Cima mas Carlos Brito não acatou as ordens

O tesoureiro da Junta de Aveiras de Cima, Azambuja, Carlos Brito, ofereceu-se para limpar as valetas e bermas de estradas da freguesia gratuitamente, mas abriu uma guerra com o presidente, Justino Oliveira, que diz que o colega de executivo quer tirar dividendos políticos com este trabalho.

Edição de 20.07.2011 | Sociedade
O presidente e o tesoureiro da Junta de Freguesia de Aveiras de Cima, concelho de Azambuja, andam desavindos por este último ter começado a limpar a vegetação das valetas e bermas de estradas da freguesia gratuitamente. O tesoureiro Carlos Brito, da Coligação pelo Futuro da Nossa Terra, diz que só quer poupar dinheiro à autarquia, enquanto o presidente, Justino Oliveira (CDU), considera que o seu colega de executivo está a fazer campanha eleitoral e já mandou parar com os trabalhos o que não foi acatado. Carlos Brito começou as operações de limpeza em Maio, com a concordância do presidente que agora diz que tem recebido reclamações de que o trabalho não está a ser bem feito. Para acentuar o mal-estar latente a pessoa que antes fazia a limpeza, que ganhava cerca de nove euros à hora, Fernando Tristão, eleito da assembleia de freguesia pela CDU, já veio também queixar-se ao presidente da junta. Apesar da confusão Carlos Brito não pára com os trabalhos e no sábado andava numa das zonas da freguesia com uma máquina da junta a limpar a vegetação de uma vala. Justino Oliveira argumenta que o tesoureiro só está interessado em ganhar popularidade junto da população, situação que é contrariada pelo visado. “Podia passar o meu dia de folga na praia mas decidi vir para aqui cortar a vegetação”, justifica Carlos Brito, 45 anos. Motorista de transporte de matérias perigosas, Carlos Brito tem aproveitado todas as folgas do trabalho para adiantar o serviço de limpeza da vegetação. No ano passado a junta pagou perto de 2000 euros por este trabalho sazonal. Este ano o presidente da junta prefere voltar a pagar porque considera que o trabalho não está a ser bem realizado. “O Carlos não sabe manobrar a máquina e tenho já várias reclamações da Associação de Caçadores de Aveiras de Cima e da população em geral”, explica Justino Oliveira. O presidente vai ainda mais longe nas críticas: “O Carlos Brito quer dar nas vistas perante a população. Está dentro do executivo, mas já está a fazer campanha por fora e isso eu não aceito. Neste momento, com o trabalho que está a realizar só atrapalha porque provoca muitos prejuízos”, garante. Recorde-se que Carlos Brito candidatou-se pela Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra (PSD/CDS-PP/MPT/PPM) à Junta de Aveiras de Cima nas últimas eleições, tendo ficado em terceiro lugar. O presidente da Associação de Caçadores de Aveiras de Cima, Marcelo Oliveira, que se candidatou à junta pelo Partido Socialista (PS) confirmou a O MIRANTE que existem várias placas que delimitam a zona de caça que foram danificadas pelo tesoureiro quando efectuava a limpeza da vegetação. “O presidente da associação denunciou sítios onde as placas estavam destruídas por onde eu ainda nem sequer passei. É óbvio que pretende através da pressão afastar-me do serviço porque acham que eu ando a ganhar popularidade quando abdico das minhas folgas para vir trabalhar”, contrapõe Carlos Brito. Para além do corte da vegetação, o tesoureiro também se ocupa da manutenção dos equipamentos da junta a custo zero. Se a guerra com alguns contornos políticos aumentar de tom, Carlos Brito pondera abandonar o trabalho que tem vindo a executar. “Hoje em dia todos estão na política para tirar dividendos e existe muito pouca gente que voluntariamente abdica do seu tempo para se dedicar à comunidade a custo zero. E isso não é bem visto, acham sempre que temos segundas intenções”, conclui.
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