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José Fortunato Pereira

José Fortunato Pereira

62 anos, presidente da Liga dos Amigos dos Bombeiros de Tomar

Nasceu em Tomar a 30 de Dezembro de 1948. Desde pequeno que revelou aptidão para trabalhos manuais e foi professor durante 36 anos. É, desde Junho, presidente da Liga dos Amigos dos Bombeiros de Tomar. Casado e com dois filhos, é ainda vice-presidente da Associação Canto Firme e membro da Comissão Central da Festa dos Tabuleiros há muitos anos. Honestidade, simplicidade são lemas de vida. Diz que se sente feliz quando amanha a terra com as próprias mãos.

Edição de 20.07.2011 | Três Dimensões
Tomar é tudo para mim. O meu sonho era, depois de me aposentar, abrir uma casa no centro histórico e executar perante quem passasse, residente ou turista, peças de artesanto. Desde a Roda do Mouchão aos Tabuleiros em miniatura. Mas agora dou ainda mais apoio às associações com as quais já colaborava. Sempre gostei de fazer bricolage. Lembro-me de, em jovem, fazer gaiolas para os pássaros e moinhos para espantar os pássaros da figueira. Felizmente acabei por fazer na vida o que mais adorava e me sentia mais vocacionado: ser professor de trabalhos manuais. Entrei na Escola Industrial e Comercial de Tomar, no ano em que foi inaugurada, onde aprendi trabalhos manuais com o professor e mestre Magalhães. Optei pelo curso de formação de serralheiro. Adorava trabalhar num torno mecânico e fabricar novas ferramentas. Eu é que enxerto as minhas àrvores de fruto e cuido do meu jardim. Quem me conhece sabe que poucas coisas me fazem ficar mais feliz do que ter tempo para amanhar a terra com as minhas mãos. Honestidade, simplicidade e trabalho são os meus lemas de vida.Tenho muito orgulho nos meus filhos. Com as minhas actividades roubei muito tempo à família mas tenho orgulho nos meus filhos. Estou feliz porque tiraram os cursos que queriam e com boas notas. O meu filho tirou Engenharia Aeroespacial e o Mestrado em Satélites e está a trabalhar há três anos em Londres. A minha filha nasceu no meio da música e hoje está a dar aulas na Holanda.Sou conhecido como Zeca Pereira. Chamam-me assim desde pequenino. Não deixa de ser curioso porque Zeca vem de José Carlos e eu sou José Manuel. Nasci na Rua da Fábrica da Fiacção e andei na escola de Santo António, no Bairro de Salazar. Fiz ali amigos com os quais ainda hoje convivo. Quando tinha 14 anos, os meus pais compraram uma casa em Carvalhos de Figueiredo (São João Baptista) e fomos para lá morar. Ainda hoje lá tenho essa casinha à borda do rio, onde pratico agricultura.Fui mecânico de aviões. Aos 18 anos, quando acabei a formação profissional na Retfical, fui trabalhar para as Oficinas de Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), em Alverca, onde estive seis anos. Gostava de ver o trabalho bem feito. Tive a honra de ser chefe de preparação de material dos aviões portugueses e alemães. Só depois ingressei no ensino. Fui professor de trabalhos manuais durante 36 anos. Aposentei-me há dois anos e meio. Trabalhei seis anos no CIRE – Centro de Integração e Reabilitação de Tomar, como professor de trabalhos manuais. Estive lá entre 1972 e 78. Foi uma experiência gratificante. Nos primeiros dias confesso que foi complicado enfrentar esta nova realidade mas tive colegas e amigos que me ajudaram e que disseram que me iria adaptar. Ao fim do mês já lidava com eles como se fossem meus filhos. Hoje são homens mas para mim são sempre meninos. Quando me vêem na rua, cumprimentam-me com muito carinho. Lembro-me de ir vestido à pescador da Nazaré num desfile de oferendas. Era uma iniciativa destinada a angariar fundos para a construção do actual quartel. A minha ligação aos bombeiros vem de longe e por veia familiar materna. Sempre tive aqui o meu tio, o meu primo e, quando a sede funcionava num edifício na Av. Cândido Madureira o meu pai, que trabalhava na farmácia da Misericórdia, lidava com a maioria nos bombeiros. Esta ligação ganhou outra dimensão quando fui convidado, há uns anos, pelo vereador José Mendes para ser seu adjunto no pelouro da Protecção Civil e Bombeiros. A Liga dos Amigos dos Bombeiros de Tomar tem 3350 sócios. Sou presidente desde o dia 3 de Junho. É com satisfação que digo que todos os elementos da minha equipa se prontificaram, desde logo, a fazer parte dela. Tive muita pena que o antigo mordomo da Festa dos Tabuleiros, Luís Santos (falecido em 2010), não me possa acompanhar no actual mandato. Foi uma pessoa que sempre trabalhou comigo em tudo. Tinhamos uma grande amizade. Não tenho palavras para explicar o que representou para mim a sua perda. Sou uma pessoa preocupada com o concelho. Sou militante do Partido Socialista e membro da Assembleia Municipal de Tomar há três mandatos mas não me sinto como um político. Não posso também esquecer os “belíssimos” oito anos em que fui vogal da Região de Turismo dos Templários. Trabalhei quatro anos com o Dr. Murta e os outros quatro com a D. Francelina Chambel. Candidatei-me à presidência desta Entidade mas perdi essas eleições contra Miguel Relvas. Elsa Ribeiro Gonçalves
José Fortunato Pereira

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