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Teve a agricultura na mira mas apaixonou-se pela topografia

Nuno Mendes confessa que gosta mais do trabalho de campo do que o de gabinete

Tem como função fazer levantamentos topográficos, calcular áreas e volumes, acertos de extremas com a colocação de marcos, entre outros trabalhos.

Edição de 27.07.2011 | Identidade Profissional
Se tem um terreno que quer marcar para construir uma vivenda, edificar um pavilhão ou criar instalações para a sua empresa, falar com Nuno Mendes pode ser uma das opções na região. Topógrafo de profissão, faz da medição e levantamento das áreas e condições de terrenos rústicos e urbanos a sua principal actividade há mais de dez anos. Está desde Setembro de 2010 radicado em Almeirim. Nuno Mendes diz hoje que tem uma profissão que adora mas o futuro nem sempre apontou para esse caminho. Com 34 anos, natural de S. Vicente do Paul, Santarém, provém de uma família ligada à agricultura. Com terrenos nessa freguesia seria natural que prosseguisse a actividade familiar e até tirou o curso de técnico de gestão agrícola até ao 12.º ano em Abrantes. Ainda frequentou o primeiro ano do curso superior de engenharia agro-alimentar mas via-se metido todo o dia em laboratórios. Foi remédio santo. “Gosto muito do meu trabalho e amo esta profissão. Tive colegas que estudaram topografia, que experimentaram outras áreas, enquanto eu tenho o gosto de fazer o que gosto”, conclui. “Porque não topografia?”, desafiou um familiar. Nuno Mendes tirou um curso de topografia de nível III em Lisboa e ficou habilitado a exercer a profissão. Trabalhou dois anos por conta de outrem numa empresa em Lisboa e, por via de subcontratações, viria a trabalhar num projecto que o marcou - a construção do Estádio da Luz. Teve por missão fazer a marcação de bancadas, medir distâncias entre pilares que suportam a cobertura do estádio e outras tarefas de acompanhamento e levantamento da obra. “Para o primeiro ano de trabalho foi uma responsabilidade de peso que surgiu por convite de um amigo que me aconselhou ao meu ex-patrão”, recorda o adepto benfiquista. Nuno Mendes casou em Setembro de 2010 e estabeleceu-se em Almeirim. Era a sul do Tejo que tinha a maior parte das solicitações de trabalho, o que mudou entretanto, com maior ênfase no Cartaxo, Azambuja e Vila Franca de Xira. Como topógrafo tem como função fazer levantamentos topográficos, calcular áreas e volumes, acertos de extremas com a colocação de marcos, entre outros trabalhos. O topógrafo confessa que lida hoje mais com particulares que submetem projectos a autarquias para licenciamentos diversos. Os levantamentos podem ser feitos em prédios rústicos, com a definição de arruamentos, cotas, extremas e outras medições. Em zonas urbanas, o levantamento é ainda mais pormenorizado e há que contar com lancis, iluminação, mobiliário urbano, a soma de todos os detalhes identificados na área pretendida. No gabinete, montado numa divisão de sua casa, Nuno Mendes tem um bom computador com software de cálculo e de topografia. Um GPS com mais de dois metros de altura capta dados através de georeferenciação por satélite que o técnico necessita quando está em campo aberto. Possui ainda uma estação total, máquina que instalada num tripé permite calcular todos os dados que pretende de um levantamento topográfico, mesmo que esteja na rua e queira calcular a cota de um prédio de três andares. Basta apontar o laser para o topo do edifício e a mediação é automática. Todos os dados são gravados numa memória internet e podem ser passados para computador através de uma pen. No terreno Nuno conta com a colaboração de um ajudante, o que nem sempre é necessário. “Prefiro fazer o trabalho de campo, estar no terreno, mesmo que às vezes tenha muito trabalho se há silvas e vegetação. Já apanhei algumas cobras nessas ocasiões e numa vez que pisei uma corri como um desalmado. Não posso com essa bicharada”, graceja Nuno Mendes. O topógrafo começa o dia com o sol a raiar. Pelas seis da manhã está pronto a trabalhar e a aproveitar a frescura das primeiras horas, principalmente quando é Verão e o calor custa mais a suportar. Trabalha até à hora de almoço e reserva o tempo seguinte para beber um café e até dormir uma sesta, quando há oportunidade. Os finais de tarde e noites, consoante cada projecto o exija, são passados em frente ao computador no seu gabinete. Não há horários fixos, o trabalho faz-se à medida de cada pedido, seja a que dia for, e a retribuição varia consoante a dimensão da área a trabalhar e o tempo nela ocupado.

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