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Bênção dos barcos para os avieiros das Caneiras

Bênção dos barcos para os avieiros das Caneiras

Edição de 27.07.2011 | Primeiro Plano
Sete embarcações navegaram no rio Tejo na tarde de domingo na aldeia avieira das Caneiras, Santarém, durante a tradicional bênção dos barcos integrada no 2.º Encontro de Avieiros. Uma iniciativa promovida pela Junta de Freguesia de Marvila, que decorreu em paralelo com as Festas das Caneiras em Honra do Imaculado Coração de Maria. Um ano cheio de peixe nas redes é o que pedem os pescadores da bênção a cargo do padre Manuel Borges, da Paróquia de Marvila, que embarcou rio acima. O pequeno cais do chamado porto da areia foi pequeno para as dezenas de visitantes, familiares dos avieiros, muitos deles oriundos da Vieira de Leiria. Nos barcos engalanados com papel colorido, uns foram trajados a rigor, outros nem tanto. Albertino Crespo e a filha Andreia cumpriram à risca a bordo do Vadio. Albertino com barrete preto na cabeça, camisa e ceroulas com o encarnado a predominar no traje de trabalho de avieiro típico. Andreia Crespo levava mais roupa. Saia, saiote, corpete, blusa, avental rosa, lenço típico na cabeça debaixo do chapéu, vistosa no seu traje de ir à vila. Naturais das Caneiras, descendentes de avieiros da Vieira de Leiria, gostam de recordar tradições. “É o segundo ano que fazemos a bênção dos barcos. Nunca fiz vida de avieiro nem gostava, porque não rende. Só de vez em quando é que vamos no barco apanhar alguma coisa para petiscar, seja fataça ou saboga, sável ou lampreia”, conta Albertino Crespo. Mário Petinga, 46 anos, nasceu em Benfica do Ribatejo, junto às aldeias avieiras de Cucos e Faias. “Já não há gente antiga, só os descendentes. Hoje vive-se mais ou menos do rio, dá apenas para brincar. Não há crocodilos no Tejo mas há siluros às carradas a comer o nosso peixe nas valas”, conta Mário. A mãe, Maria Tocha Botas, de 71 anos, participa na bênção e desta vez não se quis trajar. “Está muito calor”, diz na brincadeira. “Pedimos mais peixe abençoado por Nossa Senhora. Funciona sempre”, garante. Passa das cinco da tarde e os sete barcos atracam no cais. Seguem rio acima até à ponte Salgueiro Maia e regressam passados 15 minutos. É tempo das palavras de fé e fazer a bênção dos barcos. “É uma cerimónia interessante que encontra sentido nas tradições que se vão perdendo e que são sinais de valores que se vão reencontrando”, refere o padre Borges. Ricardo Carreira
Bênção dos barcos para os avieiros das Caneiras

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