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Clube de Samora Correia arrendou terreno que não era seu e criou imbróglio a empresário da terra

Clube de Samora Correia arrendou terreno que não era seu e criou imbróglio a empresário da terra

Paulo Pimenta instalou no espaço um stand que foi demolido sem o seu conhecimento

O empresário Paulo Pimenta quando decidiu arrendar um terreno para ajudar o clube de Samora Correia não imaginava ver-se envolvido num imbróglio com dez anos e que está há dois anos para decisão do Ministério Público.

Edição de 27.07.2011 | Sociedade
Um empresário de Samora Correia, concelho de Benavente, construiu instalações para um stand de venda de automóveis num terreno que julgava ser propriedade do Grupo Desportivo da cidade, mas veio a verificar-se que o espaço não era do clube. Paulo Pimenta viu-se envolvido num imbróglio com mais de 10 anos. O pavilhão comercial acabou por ser demolido sem que o empresário tivesse sido avisado previamente e agora o caso está há dois anos no Ministério Público de Benavente sem que ainda tenha havido uma decisão.Paulo Pimenta, 49 anos, estava com ideias de fazer o stand noutro local, mas quis “ajudar o clube” da sua terra. Arrendou o espaço junto ao campo da Murteira ao Grupo Desportivo de Samora Correia por 500 euros mensais, em 1999. Ao fim de uns meses sem conseguir fazer o contrato de arrendamento com o clube deixou de pagar as rendas até porque sem ele não podia requisitar água e luz. A situação arrastou-se até 2006, quando a Companhia das Lezírias meteu um requerimento na câmara municipal a reclamar a posse do terreno e a solicitar que o mesmo fosse desocupado por não haver autorização para ter sido feita uma construção no local. A câmara entendeu que a construção carecia de licenciamento e ordenou a sua demolição. No ano de 2009 o empresário diz que se deparou com funcionários da Companhia das Lezírias a demolirem o pavilhão que tinha construído e no qual gastou cerca de 50 mil euros, incluindo preparação do terreno. Paulo Pimenta apresentou então uma queixa no Ministério Público por roubo qualificado e destruição de propriedade privada contra o grupo desportivo e a Câmara Municipal de Benavente. Na vistoria da câmara em 2006 na sequência do requerimento da Companhia das Lezírias verificou-se que a construção em causa em nada dignificava a área envolvente. Segundo o empresário “o vereador da Câmara de Benavente, Carlos Coutinho (CDU), tinha autorizado as obras para o parque de automóveis e disse que o pavilhão poderia existir desde que fosse desmontável, e que isso não carecia de licenciamento”. O vereador contrapõe dizendo que só teve conhecimento da existência do pavilhão quando ele já estava edificado e garante que não deu qualquer autorização para que fosse feita alguma construção no local. Sublinha ainda que este é um assunto ao qual a câmara é alheia e que o mesmo deve ser resolvido com a Companhia das Lezírias e o clube. O MIRANTE há uma semana que tem tentado contactar o presidente do grupo desportivo por telefone mas este não atende as chamadas.Empresário ficou numa situação económica complicada Paulo Pimenta garante que não recebeu qualquer notificação sobre a demolição e que nunca ninguém o avisou verbalmente da situação, apesar de ter encontrado várias vezes o vereador Carlos Coutinho. “Alguém podia ter chegado ao pé de mim e dizer-me a verdade. Poderiam ter-me dito que fui enganado ou burlado. Era preferível. Isto foi como eu estar a alugar o Terreiro do Paço a alguém e depois vir o Estado dizer que o terreno é deles”, lamenta o empresário, que também foi construtor civil.“Podia ter comprado um terreno que até me ficava mais barato mas eu quis ajudar o clube. O terreno estava cheio de entulhos e desníveis, fizemos terraplanagens e metemos tuvenan e terra vegetal. Gastei ali muito dinheiro e fiquei à espera do contrato de arrendamento”, conta. O empresário admite que toda a situação o fez atravessar uma situação económica complicada, agravada pela crise económica. “Se eu soubesse que estava a fazer algo ilegal não o tinha feito”, diz, ao mesmo tempo que condena a demora da justiça.O MIRANTE contactou a Companhia das Lezírias por telefone e via e-mail, mas nenhum esclarecimento foi enviado até ao fecho desta edição.
Clube de Samora Correia arrendou terreno que não era seu e criou imbróglio a empresário da terra

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