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Crocodilo da albufeira do Castelo do Bode foi despromovido a peixe-gato

Crocodilo da albufeira do Castelo do Bode foi despromovido a peixe-gato

Episódio tem animado noticiários televisivos e mobilizado autoridades para o que der e vier

Protecção Civil de Tomar considera que é tudo fruto da imaginação e a de Ferreira do Zêzere diz que a possibilidade de sobrevivência de um crocodilo neste ambiente “gera elevadas reservas”. Certezas só mesmo a ausência de banhistas. Não vá o diabo tecê-las.

Edição de 27.07.2011 | Sociedade
“É o bicho/É o bicho/vou-te devorar/crocodilo eu sou”. O refrão da célebre música de Iran Costa que chegou aos tops nacionais em 1995 nunca esteve tão actual como agora para os lados do rio Zêzere, na Albufeira do Castelo de Bode. Pelo menos para os concessionários das margens da albufeira que vêem os veraneantes fugirem desde que, em Abril, foi lançada a primeira notícia de um avistamento do exótico animal, alimentada agora por jornais e canais de televisão nacional. Com o aproximar do Verão, o regresso à normalidade foi interrompido quando, em Junho, um praticante de canoagem disse às autoridades ter também visto o animal, com cerca de um metro, a 19 quilómetros a norte do local do anterior avistamento, na zona de limite da freguesia de Cernache do Bonjardim e do concelho da Sertã. Facto, facto é que se está a falar de uma albufeira que se estende ao longo de 60 quilómetros e toca as margens de vários concelhos, entre os quais o de Tomar e Ferreira do Zêzere.As autoridades fizeram buscas exaustivas nas águas e margens da albufeira mas crocodilo, nem vê-lo... Hélder Almeida, comandante distrital da GNR de Castelo Branco, referiu que “é pouco provável que haja um crocodilo na zona”, até porque os pescadores “que estão todos os dias na albufeira seriam os primeiros a ver qualquer coisa”. Apesar destas declarações, nem todos os turistas arriscam banhar-se, optando pelo passeio em terra firme. Talvez por isso, toda esta história faça lembrar o monstro do Lago Ness, uma suposta criatura aquática que foi vista no “Loch Ness”, nas Terras Altas da Escócia. A sua existência, ou não, continua a suscitar debate entre os cépticos e os crentes, e é um dos mistérios da criptozoologia, que estuda espécies de animais lendárias, hipotéticas ou avistadas por poucas pessoas.Protecção civil desvalorizaLuís Ferreira, vereador da Protecção Civil de Tomar, resume o caso em duas palavras na língua de Sua Majestade: “Silly Season”. O responsável refere-se a uma expressão utilizada para definir o período de Verão em que, devido às férias, por exemplo, dos políticos e tribunais, os jornais noticiam frivolidades. Presume-se, então, que nada foi diligenciado em Tomar. Já Pedro Mendes, da Protecção Civil de Ferreira do Zêzere, atesta que “a competência de fiscalização na área em causa é da Guarda Nacional Republicana”, entidade com a qual tem acompanhado a monitorização dos acontecimentos. O responsável lembra, no entanto, que este tema “já foi boato há mais de uma década” e que não há registo efectivo da existência de crocodilos. “O Zêzere pode ser espaço de espécies piscícolas com elevado porte que possam gerar interpretação distorcida. Existe, por exemplo, uma significativa comunidade de lontras nesta área do rio”, atesta Pedro Mendes. Contudo, a Protecção Civil Municipal de Ferreira do Zêzere vai manter um estado de vigilância activa para tudo o que possa, objectivamente, constituir risco para as populações. “Continuamos a recomendar o Zêzere como local de excelência para, nos locais previamente determinados, gozar a excelência do sol e da água, numa paisagem notável”, reforça.Peixe-gato na base do mistério?Em busca do suposto crocodilo, o ambientalista Américo Costa, do grupo AQUA de Tomar, fez na passada semana uma “expedição” pelas águas do Zêzere, junto à Barragem do Castelo de Bode e conseguiu também o seu minuto de fama: avistou um siluro com cerca de um metro e meio e disso deu conta à comunicação social. Trata-se, segundo afirma, de um peixe-gato que, apesar de não ser escamoso, poderá ser facilmente confundido com um réptil. Praticante de pesca desportiva, refere que o siluro se alimenta de pequenas espécies de peixes e que já se nota a diminuição da fauna no rio, pelo que este peixe-gato já deve andar por ali há algum tempo. Para o AQUA, as câmaras municipais que são banhadas pelo rio Zêzere deveriam unir-se e formar uma “Comissão para a Defesa da Albufeira do Castelo do Bode” que actuasse quando surgissem estas e outras situações prejudiciais a uma zona que apresenta uma fauna e flora privilegiada para qualquer turista que a visite, lamentando que boatos deste tipo contribuam para a sua desertificação.
Crocodilo da albufeira do Castelo do Bode foi despromovido a peixe-gato

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