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25/07/2017
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Fim de linha para serviço de transporte de passageiros entre Coruche e Setil
Site da CP já não apresenta resultados para pesquisas de horários a partir de 1 de Setembro
Um pequeno troço do antigo ramal de Vendas Novas que, entre 1904 e 2005, ligava aquela estação à do Setil, na linha do Norte, foi reactivado em 8 de Setembro de 2009 graças ao envolvimento das câmaras municipais de Cartaxo, Coruche e Salvaterra de Magos mas a experiência deverá acabar este mês, altura em que finda o período experimental.
Edição de 24.08.2011 | Sociedade
Tudo aponta para o fim dos comboios de passageiros no troço de linha férrea que liga Setil a Coruche, no final do mês. Em Setembro termina o período experimental de dois anos e a Câmara Municipal do Cartaxo já fez saber que não está disponível para renovar o contrato. A CP ainda não tinha feito qualquer anúncio até ao fecho desta edição de O MIRANTE mas o seu site oficial alojado no endereço www.cp.pt já não apresenta resultados para pesquisas de horários a partir de 31 de Agosto, ao contrário do que acontece com todas as outras linhas em actividade. A suspensão do serviço chegou a ser anunciada unilateralmente pela CP em Janeiro deste ano. Na altura o administrador Nuno Moreira disse que a ligação ferroviária entre Setil e Coruche não tinha níveis de procura que sustentassem a continuidade do serviço e que a CP não poderia suportar um défice tão grande de exploração numa linha tão pequena. A empresa alegava também incumprimento por parte das autarquias do pagamento acordado no protocolo e referia uma dívida acumulada de 250 mil euros. Após reuniões entre todos os parceiros foi decidido manter o serviço até Setembro.Em Março deixaram de se realizar comboios aos sábados. Já antes não havia comboios aos domingos. O número médio de passageiros do serviço - que inclui saída de Coruche e paragem em Marinhais e Muge (ambos em Salvaterra de Magos), apeadeiro do Morgado (Valada) e Setil (Cartaxo) já era baixo e continuou em queda. Segundo dados da CP o serviço registou uma média de 16,9 passageiros de Setembro a Dezembro de 2009; 14 passageiros durante 2010 e 13,5 passageiros em média, por comboio, de Janeiro e Junho deste ano. A Câmara Municipal do Cartaxo refere a “pouca relevância social do serviço no concelho em face do investimento municipal envolvido”. O vice-presidente da autarquia ouvido por O MIRANTE, diz que “é insuportável estar a comparticipar um défice de exploração mensal do serviço na ordem dos 30 mil euros, mais o custo do transporte municipal entre Cartaxo e a estação do Setil que ascende a mais de três euros, quando isso envolve uma repercussão social de nove pessoas”. Paulo Varanda (PS) confirma que a câmara ainda deve mensalidades de 2010 e 2011 à CP. Recorde-se que as três autarquias têm que suportar, em partes iguais, 50 por cento do défice mensal de exploração do serviço.Segundo o autarca, o concelho do Cartaxo tem características diferentes das dos concelhos a sul do Tejo, sendo já servido pela Linha do Norte em Santana e tendo a estação de Azambuja a poucos quilómetros. “Pretendíamos que a CP alargasse o passe suburbano até ao Setil e Santana, o que não foi conseguido. Para as pessoas do Cartaxo não custa fazer dez quilómetros de carro até Azambuja, ter estacionamento em segurança e pagar um passe mais barato a partir daí até Lisboa do que em relação ao Setil”, acrescenta Paulo Varanda. O vice-presidente da Câmara do Cartaxo defende que deve haver uma nova forma de olhar para a política de transportes a nível regional e nacional, que acompanhe a evolução social dos municípios.O presidente da Câmara de Coruche, Dionísio Mendes (PS), não comenta a posição do Cartaxo mas lamenta que a CP tenha faltado a reunião entre os parceiros marcada para finais de Julho. “Já demos conta do nosso desagrado por essa situação à CP e penso que Salvaterra de Magos também o fez. Vamos oficiar a CP para saber o que pretende fazer já que há cerca de um mês que nada sabemos. Esperamos por isso por nova reunião”, afirma. Por parte do município de Salvaterra de Magos, a presidente diz que está disponível para continuar com o protocolo, nos moldes em que foi assinado em Julho de 2009. Ana Cristina Ribeiro (BE) defende que o protocolo é viável apenas com os municípios de Salvaterra de Magos e Coruche mas que tudo ficará definido em reunião entre os parceiros a realizar em Setembro.Segundo o protocolo celebrado entre as partes, a CP tem o direito de recusar a prorrogação tácita por mais um ano, caso falhe a sua renovação, devendo comunicá-lo a todos os parceiros, mesmo que se tenham ultrapassado os 30 dias antes dos quais o vínculo é renovado por um ano nas condições iguais às do ano transacto.
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