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“Alimentação é demasiado séria para servir de castigo” a alunos do Porto Alto

“Alimentação é demasiado séria para servir de castigo” a alunos do Porto Alto

Federação de Pais diz que o problema de os miúdos fugirem está no reduzido número de funcionários

Depois de ler em O MIRANTE a notícia sobre o castigo que proibia crianças entre os seis e os nove anos de almoçarem na cantiga da Escola EB 2,3 do Porto Alto, concelho de Benavente, o presidente da Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais, Isidoro Roque, veio a público repudiar a medida que considerou desproporcionada.

Edição de 23.11.2011 | Sociedade
O presidente da Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais (FERLAP), Isidoro Roque, veio condenar o castigo aplicado pela direcção do Agrupamento de Escolas do Porto Alto, que proibiu nove crianças de almoçarem na cantina durante dois dias devido ao mau comportamento. A federação defende que a alimentação das crianças é algo demasiadamente importante para ser retirado e considera o castigo desproporcional. Por isso já pediu esclarecimentos ao secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova de Almeida.“Este castigo não faz qualquer sentido. Não sabemos sequer se é a única refeição que algumas destas crianças podem comer durante o dia. Duvido muito que crianças tão pequenas compreendam qual é o motivo que as levou a ficar sem refeição”, aponta Isidoro Roque, que veio a público repudiar a situação depois de ler a notícia na edição passada de O MIRANTE. O dirigente refere ainda que a culpa principal de todo este caso é do número insuficiente de funcionárias que acompanham durante o percurso perto de 50 alunos. “São crianças muito pequenas que fogem, correm e brincam com muita naturalidade. Isto aconteceu porque não existiam funcionárias em número adequado para conseguirem controlar todo o grupo”, realça Isidoro Roque. Embora o regulamento interno da escola diga que “o aluno que apresente um comportamento incorrecto no refeitório pode ser impedido de o frequentar pela direcção executiva até dez dias úteis”, o dirigente considera que esta medida não pode ser aplicada já que o mau comportamento dos alunos não decorreu dentro do refeitório. Em declarações prestadas a O MIRANTE na semana passada, a directora do Agrupamento de Escolas do Porto Alto, Maria de Fátima Borges, referiu que “as crianças não foram proibidas de almoçar, só de usufruir do espaço da cantina”. A professora justificou a medida tomada tendo em conta a situação limite a que chegaram. “Há dois meses que as crianças não respeitam os professores e os funcionários no percurso realizado entre as duas escolas. Já enviamos mensagens anteriormente aos pais e nada parece resultar. E se viesse um carro na estrada e acontecesse o pior?”, questionou. Apesar disso, Isidoro Roque considera que “os actuais dirigentes estão a tomar atitudes que não são condizentes com o estado de democracia actual”.O caso remonta ao dia 4 de Novembro, quando nove crianças com idades compreendidas entre os seis e os nove anos, fugiram das funcionárias na via pública quando regressavam à escola do primeiro ciclo do Porto Alto, concelho de Benavente, depois do almoço na cantina da Escola EB 2,3. Todos os dias um grupo de aproximadamente 60 alunos realiza um percurso de 300 metros entre os dois estabelecimentos de ensino para almoçarem na cantina e participarem nas Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC’s). São acompanhados geralmente por duas ou três auxiliares. O castigo deixou os encarregados de educação indignados já que não o consideram pedagógico e não podiam ausentar-se do emprego para irem dar o almoço às crianças.
“Alimentação é demasiado séria para servir de castigo” a alunos do Porto Alto

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