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Ciúme é o principal motivo que desencadeia brigas e violência numa relação amorosa

Jovens da Escola Secundária Sá da Bandeira de Santarém criam manifesto contra a violência no namoro
Edição de 06.12.2011 | Sociedade
Sempre que havia uma festa Inês, 18 anos, sabia que ia haver discussão com o namorado. Ou porque o decote era pronunciado ou porque estava muito maquilhada. Qualquer coisa era motivo de discussão. A pressão e violência para que acatasse as ordens que o namorado entendia serem “apenas” pedidos, era uma constante. Há dois anos conseguiu livrar-se dele mas confessa que não foi fácil uma vez que a separação não foi bem aceite e os ‘ataques’ de ciúmes não paravam.Esta é a história da Inês mas podia ser a história de muitos jovens que sofrem de violência, física ou psicológica, no namoro. Para combater e sensibilizar os jovens para este tipo de comportamentos um grupo de 15 jovens da Escola Secundária Sá da Bandeira, em Santarém, elaborou um manifesto contra a violência no namoro. Este grupo de jovens não concebe relações de namoro onde não haja respeito mútuo. “Preocupa-nos este silêncio em torno destas relações ‘tóxicas’ e destrutivas onde a violência é utilizada como um meio de dominar e controlar a outra pessoa. Reprovamos as relações vividas com medo em que uma das pessoas não é dona de si e da sua vida”, pode ler-se no manifesto.Maria Mendes e Pedro Silva, dois dos mentores do manifesto contra a violência no namoro, garantem que nunca tiveram nenhum relacionamento em que existisse violência. Consideram que esses namoros não são “saudáveis” e aquele que sofre a violência deve saber colocar um ‘travão’ na situação. Todos são unânimes em considerar que o ciúme é o principal motivo das ‘agressões’ e violência. A falta de auto-estima e respeito por si próprio leva a que o ‘abusado’ não actue e não se tente libertar.Os jovens tiveram conhecimento do projecto “Entra em Acção, Contra a Violência no Namoro” desenvolvido pelo Graal - movimento internacional de mulheres que luta pela igualdade de direitos entre géneros e que existe em Portugal desde 1957 - sobre violência no namoro e decidiram participar quando a associação esteve na escola escalabitana para uma acção de formação. O facto da iniciativa realizar-se durante as férias de Verão não os desmotivou. Foram dois dias de actividade “dinâmicas” como teatro e debates onde falavam sobre este tema. A ideia de fazer um manifesto surgiu depois. Não quiseram ficar de braços cruzados. “Sabemos que não podemos fazer muita coisa porque não nos podemos estar a meter em relações que não nos dizem respeito mas queremos sensibilizar os jovens da nossa idade para que entendam que não faz sentido tentar controlar o parceiro, com cenas de ciúmes e atitudes possessivas. Um namoro deve ser livre e descontraído, onde ninguém manda em ninguém”, defende Maria Mendes, 16 anos, que frequenta o 11º ano.O grupo vai participar na próxima acção de formação do Graal que se realiza na Golegã, nos dias 19 e 20 de Dezembro, onde vão ser eles os formadores dos participantes. As inscrições são gratuitas e incluem dormida e refeições.

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