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O meu nome presta-se a confusões e até já me chamaram doutora Mangueira

O meu nome presta-se a confusões e até já me chamaram doutora Mangueira

Suzana Angeiras, 39 anos, advogada, Chamusca

Nasceu em Moçambique a 28 de Junho de 1972. Era criança quando decidiu ser advogada. É casada e tem dois filhos. As raízes familiares foram pilares importantes que definiram o seu modo de ser e estar. Viajar é um gosto desmedido que partilha com o marido, por quem se apaixonou à primeira vista. Vive e trabalha na Chamusca há 12 anos, vila pela qual nutre grande paixão.

Edição de 06.12.2011 | Três Dimensões
As minhas raízes são muito importantes para mim. “Os meus pais foram professores a vida toda, e são verdadeiros pedagogos. Continuam a ser uma verdadeira inspiração, de coragem, sabedoria e sentido do próximo. São o reflexo dos meus avós, importantes referências de várias áreas e profissões, e que se são recordados com admiração e muito Amor por todos nós…os meus pais, irmãos, eu própria e os Amigos que nos conhecem. É, na verdade, nessas raízes que vou beber grandes ensinamentos e o espírito de missão com que vivo.”Sempre me vi a representar pessoas e a lutar pelos direitos de alguém. Não tive hesitações nenhumas ao longo do meu percurso académico. A decisão de trabalhar e estudar ao mesmo tempo não foi muito bem aceite pela família porque pensavam que me ia dispersar mas provou ser uma decisão certa. Não vivi a academia nem o espírito académico e não tive traje académico por convicção. Tive um ano sabático, que eu própria me impus, entre o 4.º e o 5.º ano do curso. A intenção de trabalhar e estudar era muito boa mas tinha custos pessoais e de saúde mental, que queria preservar. Tive que recalibrar energias. Aproveitei para viajar. Também vivi e trabalhei no Algarve, estive em casa, dei explicações e aulas a crianças com boas médias mas que queriam mais. O meu casamento foi um daqueles casos de amor à primeira vista. Estagiei em Lisboa com o Dr. Manuel Machado, que era meu amigo e dos meus pais. Curiosamente, também foi o patrono do meu marido. Um dia, ele teve necessidade que o substituíssem num julgamento em Cascais e o Dr. Machado indicou-me, como estagiária, para patrocinar a diligência. Conversamos por telefone, mais tarde fiz-lhe o relatório, respondeu-me a agradecer e um dia ligou-me para o fazer pessoalmente. Isto foi em Março de 1998 e em Agosto encontrámos- nos para almoçar. Tenho um dia muito preenchido. Começo antes das sete da manhã a abrir a porta ao meu labrador castanho chocolate “Kuzco” (como o nome do imperador), baptizado pelos meus filhos. Depois levo os meus filhos à escola, que frequentam no Entroncamento, e venho para o escritório quando não tenho que ir para o tribunal. Desligo do trabalho sem dificuldade nenhuma porque penso que desempenhamos, nas 24 horas do dia, papéis muito diferentes que devemos viver de forma autónoma. Os problemas profissionais não entram em casa.Num escritório de província acontece de tudo. Foi uma das maiores aprendizagens relativamente ao estágio que fiz em Lisboa. Temos uma prática forense de uma ponta à outra dos tipos de Direito que existem. Temos que saber escutar, investigar e estudar todas as áreas. A minha secretária, Isabel, é o meu braço direito. Aliás, tenho vários “anjos da guarda” que me ajudam a organizar a minha vida. A Chamusca foi uma terra que, no início não compreendi muito bem, mas que amo de paixão. Esta vila recebeu-me de braços abertos, como faz com todos os que vêm de fora. É uma terra que todos os dias me dá coisas muito importantes. As minhas raízes são os lugares onde estou. Sinto-me muito bem aqui e tenho para com as pessoas da Chamusca, com quem lido pessoal e profissionalmente, uma gratidão e respeito enorme. Coloco sempre intenção em tudo aquilo que faço. Represento pessoas e não números. Com honestidade e humildade, digo sempre que não nos devemos esquecer quem somos nem de onde vimos. Hoje estamos num determinado sítio a fazer algo e amanhã pudemos estar noutro. A maternidade foi o que me faltava para ser melhor em todos os aspectos. Estou casada há dez anos e tivemos dois filhos. O Diogo, de oito e o Bernardo, de seis anos. São os nossos tesouros. Mantive o apelido “Angeiras” porque a minha identidade é muito importante. O meu pai, o meu irmão (e os filhos dele) e eu provavelmente seremos os únicos do país. Existem alguns no Brasil e há uma praia com este nome no norte do país. Penso que as origens estão aí. Já fui chamada de muitas coisas por causa deste apelido: Mangueira, Laranjeira. Ao longo da vida tive que dizer muitas vezes “Suzana com Z”, “Alexandre com E” e “Angeiras com G”. Adoro cozinhar e cozinho todos os dias. Faço questão de tratar da roupa dos meus filhos. Gosto muito de viajar. É um gosto que partilho com o meu marido. Programamos as viagens o mínimo possível. Gostamos muito de cinema e de ler. Nos últimos anos tendo a escrever mais do que a ler. Escrevo para tudo e para todos. Tenho um lado rebelde. A minha catarse são os desportos radicais. O meu lema de vida é viver tudo com muita intenção e responsabilidade. Devemos salvaguardar o valor que as coisas têm e não nos esquecermos que amanhã pudemos não estar cá. Não é por acaso que temos dois ouvidos e uma boca. Temos que saber ouvir e intervir de forma assertiva. E sempre com Deus. Tenho uma consciência de fé enorme que imprimo em tudo o que faço. Considero-me uma pessoa muito abençoada porque vivo com muita paz. Elsa Ribeiro Gonçalves
O meu nome presta-se a confusões e até já me chamaram doutora Mangueira

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