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Novo conservador da Casa dos Patudos é um alpiarcense apaixonado pela história de José Relvas

Nuno Prates é professor de História e assumiu em Agosto funções na casa-museu legada ao município de Alpiarça
Edição de 14.12.2011 | Cultura e Lazer
Nuno Prates conhece como as palmas das suas mãos cada recanto das 101 divisões da Casa-Museu dos Patudos, em Alpiarça, que reabriu ao público a 31 de Outubro depois das obras de reabilitação. Caminha pelos corredores e pelas amplas salas como se estivesse na própria casa. “Nunca se perdeu?”, perguntamos. “Não. Conheço todas as divisões ao pormenor”, conta com um sorriso no rosto. Licenciado em História e Arqueologia, Nuno Prates assumiu o cargo de conservador da Casa-Museu dos Patudos em Agosto último. Natural de Alpiarça, é um apaixonado assumido por História e, em particular pela História de Alpiarça e pela vida de José Relvas, pelo que “não podia” recusar o convite feito pela autarquia.O deslumbramento pela majestosa casa, construída entre 1905 e 1909 pelo arquitecto Raul Lino, surgiu em criança mas a paixão ficou no seu coração após uma visita ao edifício quando tinha 20 anos. O recheio e o mobiliário da casa deixaram-no “maravilhado”. O salão nobre - também chamado Salão Renascença - pelo seu “mobiliário, lustre e pintura”, é o seu espaço preferido. O quadro que retrata D. Eugénia com os filhos, de autoria de José Malhoa, é a sua peça de eleição.Nuno Prates é o responsável pelo trabalho de toda a casa desde a inventariação até à conservação preventiva de todo o espólio na casa. O grande desafio, confessa, foi conceber o novo circuito de visitas sendo que o principal objectivo é abrir mais divisões ao público. “Queremos abrir a Sala Império onde temos a intenção de expor a colecção de leques da D. Eugénia [esposa de José Relvas] que está guardada, em Março de 2012. Quando todas as obras estiverem concluídas, queremos abrir ao público todas as divisões nomeadamente as cozinhas e o sótão, que era o espaço dos criados. Só vamos manter fechado o quarto de Carlos Relvas [filho de José Relvas que se suicidou em 1919, um dia depois de completar 35 anos] uma vez que José Relvas deixou essa vontade expressa em testamento”, revela a O MIRANTE durante a entrevista que decorreu no interior da Casa-Museu.Objectivo é acreditar casa-museu junto da Rede Portuguesa de MuseusO novo conservador considera que os governantes que passaram por Alpiarça têm sabido promover a Casa-Museu acrescentando que todos tentaram fazer o máximo para divulgar o espaço. Nuno Prates refere que há pontos que podem ser melhorados e é sua intenção “apostar” nos serviços educativos e de marketing. “Temos que apostar fortemente no serviço educativo uma vez que grande parte do nosso público são grupos escolares”, esclarece.Nuno Prates afirma que gostava de fazer um roteiro, uma publicação do museu que mostre a colecção e todas as divisões. “É um trabalho que até agora não foi feito. Temos que apostar cada vez mais numa estratégia de marketing para divulgar a Casa dos Patudos e por isso queremos acreditar este museu junto da Rede Portuguesa de Museus”, refere.Em 2010 tiveram 10.286 visitantes. Em 2011 está previsto o número de visitas diminuir devido às obras que obrigou ao encerramento do espaço. Nuno Prates afirma que os visitantes têm agora “mais um motivo” para visitar os Patudos e verem as novidades. O novo conservador convida todos os alpiarcenses a visitarem um património fabuloso. “Devemos conhecer a nossa história local e orgulharmo-nos disso”, conclui.

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