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Retracção do mercado de inertes deverá encerrar algumas empresas

Retracção do mercado de inertes deverá encerrar algumas empresas

As pedreiras estão muito ligadas à construção e às obras públicas e sofrem com a quebra desses sectores
Edição de 14.12.2011 | Economia
As empresas de extracção de inertes nas pedreiras portuguesas deverão adaptar-se ao decréscimo da procura, enquanto algumas irão desaparecer, defende a Associação Nacional da Indústria Extractiva e Transformadora (ANIET). “Estamos numa mudança completa relativamente às empresas e às perspectivas futuras”, disse à agência Lusa Victor Albuquerque, presidente da direcção da ANIET.Na sua opinião, “tem de haver uma adaptação fortíssima das empresas”, pois “com certeza que não vai haver espaço para tantas”. As vendas neste subsector da indústria extractiva e transformadora têm vindo a diminuir, registando-se uma evolução mais positiva nas rochas ornamentais em resultado das exportações. Quanto ao emprego, no entanto, verifica-se uma tendência para decrescer nos dois subsectores.Segundo dados da Direcção-Geral da Energia e Minas, do Ministério da Economia, citados por Victor Albuquerque, o volume de negócios nas rochas ornamentais cresceu de 300 milhões de euros, em 2009, para 350 milhões no ano seguinte. Já em termos de emprego, o número de trabalhadores nesta área baixou de 2.461 para 2.357 no mesmo período.Quanto à rocha industrial (inertes para a construção civil e obras públicas, como britas e “tout-venant”), o volume de negócios desceu também entre 2009 e 2010, de 300 milhões de euros para 250 milhões. O mesmo aconteceu ao nível do emprego. Estas pedreiras, que ocupavam 7.608 pessoas em 2009, viram no ano passado os postos de trabalhos reduzidos para 6.938.As pedreiras “estão muito ligadas à construção e às obras públicas e sofrem na medida em que esta fileira também está a sofrer”, observou Victor Albuquerque. Na sua óptica, “é preciso que as empresas estejam mais organizadas e que a legislação esteja bem adaptada” às alterações que o mercado de inertes tem vindo a registar. “Estou convencido de que este sector vai ter de se ajustar ao mercado futuro, que vai ser diferente, e reformular em função das boas características das empresas”, sublinhou.O presidente da ANIET preconizou alterações legislativas ao nível da constituição e licenciamento das empresas. Importa “desfazer um bocado o mito de que são empresas nocivas, porque são agressoras do ambiente”, avançando com leis “mais facilitadoras e menos complexas ao nível da decisão”, acrescentou. “Este é o sector que talvez mais tenha sofrido neste momento em virtude das modificações económicas que todos estamos a sentir”, disse.Para Victor Albuquerque, “estas empresas não podem acabar”, pois os seus produtos são imprescindíveis na construção de casas, estradas e ferrovias, bem como no fabrico de tintas e papel, entre outras indústrias. “A exploração das rochas industriais é tão necessária e tão vital quase como a água que a gente bebe”, acentuou.Já as rochas ornamentais, segundo o presidente da ANIET, “poderão ter um percurso muito consistente para evoluir”, tendo em conta as exportações para Espanha, China, Índia, Alemanha e França, mas também Brasil ou Marrocos, entre outros mercados.Pedreiras desactivadas devem ser aproveitadas para estudo e formação cívica A professora universitária Helena Henriques defende a reconversão das pedreiras abandonadas para incentivar o estudo das rochas e promover a formação cívica dos jovens. “Podemos utilizar esses espaços para sensibilizar os alunos para a necessidade de se indignarem um pouco com essa situação [abandono de pedreiras], mas também para capitalizarem a situação em seu benefício”, declarou a geóloga à agência Lusa.As pedreiras desactivadas “podem ser um bom local para estudar pedras, porque estão à vista, e também para a formação cívica dos alunos”, preconizou. “O país está cheio destes locais e há um trabalho que é possível fazer”, disse a professora de Geologia do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, frisando que se tratam de pedreiras que não cumprem “os actuais requisitos legais de concessão de exploração”.Esses espaços “podem ser utilizados como recursos educativos, não só para educação dos alunos na área das ciências naturais, como a geologia, mas também para a sua formação cívica”.Helena Henriques afirmou que os alunos das escolas básicas e secundárias, orientados por professores, poderão fazer “propostas de recuperação exequíveis, que não envolvam grandes quantidades de dinheiro, nem a mobilização de grandes grupos económicos”. As antigas pedreiras representam muitas vezes “problemas ambientais gravíssimos”, devido aos “resíduos perigosos sem qualquer controlo” nelas depositados.
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