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Espectáculo de solidariedade para alunos carenciados envolto numa grande confusão

Associação de pais de Samora Correia ainda não viu um cêntimo da receita prometida

Já lá vai quase um mês da realização do Festival de Talento Solidário que começou logo com desacatos entre pais à entrada do Centro Cultural de Samora Correia por terem sido vendidos mais bilhetes que os lugares. O dinheiro dos bilhetes, que eram notas de entrega do marido da organizadora que é fotógrafo, ainda não apareceu.

Edição de 14.12.2011 | Sociedade
Um espectáculo de solidariedade para alunos carenciados de Samora Correia, Benavente, está a tornar-se num caso polémico. A Associação de Pais do Agrupamento de Escolas de Samora Correia a quem foi prometido o dinheiro apurado na iniciativa ainda não viu um cêntimo, já lai vai quase um mês. A organizadora do espectáculo, mãe de dois alunos, prepara-se agora para organizar um segundo evento com a Associação de Jovens de Samora Correia na Sociedade Filarmónica União Samorense (SFUS) este mês. O presidente da colectividade, José da Avó diz que só empresta a sala à associação porque esta assumiu as responsabilidades por alguma coisa que possa correr mal, mas alertou para possíveis problemas que possam ocorrer com a venda de bilhetes. Alguns pais sentem-se enganados com o que aconteceu no espectáculo de 19 de Novembro e temem que o dinheiro nunca chegue às crianças que precisam.“Neste momento a minha advogada ainda está a fechar as contas, mas já estou a pôr do meu próprio dinheiro”, revelou Rita Marques, organizadora do espectáculo. A situação está a causar mau estar à câmara municipal que cedeu gratuitamente o Centro Cultural de Samora Correia para o denominado Festival de Talento Solidário. A autarquia já terá pedido o valor do aluguer da sala, cerca de 700 euros, a Rita Marques. O MIRANTE tentou contactar ao longo de mais uma semana a presidente da associação de pais, Paula Fernandes, em diferentes horas, mas recebeu sempre a indicação que estava em reunião de trabalho. Elementos que integram a associação já estão incomodados pelo tempo que a presidente está a demorar a dar a cara para explicar o que aconteceu. Os bilhetes para o espectáculo foram vendidos a cinco euros e a sala tem 297 lugares que ficaram lotados. No dia do espectáculo já tinha havido uma polémica e foi necessária a intervenção da GNR para serenar os ânimos porque tinham sido vendidos mais bilhetes que a lotação do centro cultural e duas dezenas de pessoas que tinham pago não puderam assistir ao evento. Essas pessoas têm vindo a pedir a devolução do valor da entrada à organizadora. “Os pais que não conseguiram entrar pediram-me o dinheiro de volta e no meio de toda aquela confusão eu acabei por entregar, seguindo as indicações da própria presidente da associação”, explica Rita Marques, que passadas três semanas continua a receber chamadas a exigir a devolução do dinheiro dos bilhetes.O festival decorreu no dia 19 de Novembro. A organizadora diz que o que se está a passar é culpa da confusão que se gerou no início do espectáculo. Rita Marques tinha pedido no início do ano lectivo apoio à associação de pais para organizar o evento. A presidente da associação, Paula Fernandes, deu todo o apoio logístico, pedindo inclusivamente à Câmara de Benavente em nome da associação a sala do Centro Cultural de Samora Correia. A autarquia cedeu gratuitamente a sala já que não cobra qualquer valor às associações e colectividades do concelho e, desta forma, Rita Marques conseguiu poupar cerca de 700 euros do aluguer. O MIRANTE sabe que quer a autarquia quer a própria presidente da associação de pais foram alertados para a situação que muitos já adivinhavam como acabaria, mas mesmo assim decidiram continuar a apoiar a iniciativa. Em cima do palco actuaram perto de uma centena de crianças que realizaram um casting de selecção para participarem no espectáculo. A roupa foi cedida por algumas lojas de Samora Correia e o evento contou também com o patrocínio de algumas cabeleireiras. Tirando o tempo perdido e a alimentação das crianças no dia do espectáculo, não existiram muitas mais despesas.Bilhetes para o espectáculo eram uma nota de entregaO público que pagou os cinco euros para assistir ao Festival de Talento Solidário recebeu em troca uma “nota de entrega”, que tem o mesmo valor de um recibo, passado em nome de “Paulo Marques Photography”, marido de Rita Marques, e que serviram de bilhete para entrar no dia do espectáculo. O MIRANTE teve acesso a um recibo passado no valor de 40 euros que serviria de entrada para oito pessoas e que deixa adivinhar a confusão que se gerou com a contabilização das entradas numa sala com lugares limitados. Segundo o decreto-lei n.º 125/2003, de 20 de Junho, a emissão dos bilhetes de ingresso nos espectáculos de natureza artística efectua-se através de sistema informático, abrindo-se apenas excepção para recintos itinerantes ou improvisados e recintos de exibição cinematográfica não comercial, o que não é o caso do Centro Cultural de Samora Correia. Os dados devem ser depois enviados ao Ministério da CulturaPais das crianças incentivados a comprarem fotografiasPara além do preço do bilhete de entrada, foram ainda vendidas fotografias do espectáculo tiradas por Paulo Marques. O MIRANTE sabe também que alguns pais foram aliciados a fazer um “book fotográfico” (livro de fotografias) dos seus filhos por cerca de 600 euros, tendo-se inclusive falado em linhas de crédito para quem não tivesse dinheiro disponível.

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