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Vila Franca promete meter na rua quem não estimar habitações municipais

Vila Franca promete meter na rua quem não estimar habitações municipais

Autarquia entrega 21 casas que tinham sido praticamente destruídas pelos anteriores inquilinos

No dia em que a câmara de Vila Franca de Xira entregou 21 casas a famílias carenciadas do concelho ficou também o aviso: quem não as estimar vai para a rua e até poderá ser obrigado a pagar a reparação. Há casas da câmara onde até já foram feitas fogueiras no interior durante o Inverno.

Edição de 14.12.2011 | Sociedade
A Câmara de Vila Franca de Xira não vai tolerar situações de famílias que não estimem devidamente as habitações municipais que lhes são entregues com rendas baixas e avisa: quem não estimar as casas arrisca-se a ser despejado e em alguns casos a pagar a conta dos estragos que causar. O alerta foi dado pela própria presidente da câmara, Maria da Luz Rosinha (PS), na manhã de 8 de Dezembro, dia em que distribuiu 21 casas a agregados familiares carenciados do concelho (ver caixa). Estas habitações haviam sido completamente destruídas pelos anteriores ocupantes e foram precisas obras de 280 mil euros para as tornar novamente habitáveis.“Muitas pessoas já conhecem o novo regulamento de habitação municipal, que regulamenta os direitos e os deveres dos ocupantes das casas municipais. Mas temos ainda muitos casos em que as pessoas não utilizam a fracção como devia ser. Temos situações em que algumas pessoas até faziam fogueiras dentro de casa, em apartamentos”, lamenta a O MIRANTE Conceição Santos (PS), vereadora com o pelouro da habitação social.Além das fogueiras são destruídas as caixas de correio dos prédios, as portas, janelas, armários de cozinha, fogões, tomadas eléctricas e até os roupeiros. Muitas vezes as casas não aguentam um ano. “Agora as pessoas podem ser responsabilizadas e podem ser despejadas pela destruição que causam na casa”, garante a vereadora. O regulamento aprovado no início do ano vem pôr um fim à impunidade de quem vive numa casa emprestada e não a preserva em boas condições.Maria da Luz Rosinha garantiu que os serviços sociais da câmara vão estar atentos à degradação causada nas habitações e admitiu que as rendas cobradas - muitas vezes inferiores a 15 euros por mês - são por vezes baixas demais para os rendimentos de quem lá vive. “Há situações em que não conseguimos controlar devidamente os rendimentos das famílias e as questões da economia paralela são complicadas. Deviam ter outro tipo de fiscalização mais exigente. Mas 15 euros de renda não é nada por isso a recomendação é que as famílias cuidem das casas, porque temos tido ao longo destes anos experiências muito negativas. Qualquer pequena reparação supera em muito as rendas da casa”, lamenta.Além do desleixo na utilização da casa outro problema que tem surgido com o agravar da crise económica é a falta de pagamento da renda, conforme O MIRANTE noticiou em Agosto. A câmara despeja anualmente sete a oito inquilinos por falta de pagamento.370 candidataram-se a habitação socialAs chaves das 21 habitações que vão servir de lar a várias famílias carenciadas do concelho foram distribuídas na manhã de 8 de Dezembro. Candidataram-se 370 pessoas. A cidade de Alverca foi a que mais recebeu (8 fogos), seguida dos bairros de Povos (6) e Bom Retiro (4), ambos em Vila Franca de Xira. Na vila de Alhandra foram distribuídas 3 habitações. “Há muito tempo que algumas destas pessoas esperavam por uma casa e foi possível libertar 21 fogos, recuperá-los e entregá-los hoje. Esperamos ter condições económicas para ir recuperando mais casas e fazermos um novo concurso em breve”, anunciou Maria da Luz Rosinha, que voltou a frisar que as questões sociais devem ser a prioridade. Actualmente estima-se que existam mais de mil famílias à espera de uma habitação social no concelho. Henrique Pinheiro, de 50 anos, foi despedido quando uma empresa do concelho fechou portas. Reformou-se mas a renda de casa supera em muito a pensão que recebe. Foi vivendo na casa de amigos e agora vai ter o seu próprio espaço. “Vou dormir mais descansado, não estava à espera de receber uma casa, estou muito feliz. Foi o meu milagre de Natal”, confessa a O MIRANTE. Quem também recebeu uma casa na manhã de 8 de Dezembro foi Braima Djalo. Aos 58 anos continua a trabalhar mas o salário é curto para pagar os 150 euros do quarto onde vivia há 20 anos em Arcena, Alverca.
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