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Autarcas receiam que extinção de freguesias leve a motins

Autarcas receiam que extinção de freguesias leve a motins

Presidentes de junta expressaram indignação num plenário sobre Reforma Administrativa realizado em Tomar
Edição de 21.12.2011 | Política
Alguns autarcas das 16 freguesias do concelho de Tomar receiam que, caso a Reforma Administrativa do Livro Verde se concretize tal como está, a população chegue a vias de facto por não aceitar a extinção da sua freguesia. A opinião foi expressa num plenário sobre a temática dinamizado, na passada semana, pela concelhia do Partido Social Democrata (PSD) de Tomar. “Se há uns anos, por uns metros de terra, houve forquilhas e espingardas no ar, não quero nem pensar no que vai acontecer se isto for mesmo para a frente”, disse um dos presentes, referindo que vamos entrar num período de “guerras fratricidas” ao juntar freguesias vizinhas. José Delgado, presidente da concelhia do PSD, começou por apresentar algumas propostas contidas no Livro Verde, referindo que, para o concelho de Tomar, está prevista a extinção das seguintes freguesias: Asseiceira, Além da Ribeira, Alviobeira, Beselga, Junceira, Paialvo, Pedreira, Sabacheira, Santa Maria do Olivais e São João Baptista. As que cumprem os critérios e que podem vir a receber, para agregação, outras freguesias são Casais, Olalhas, Carregueiros, Madalena, Serra e São Pedro. A reforma administrativa implica ainda, para o concelho de Tomar, a diminuição de dois vereadores no executivo municipal e a redução substancial do número dos chefes de divisão. “Querem alterar a História de Portugal em 37 páginas”Rosa Santos, deputada pelo PSD na assembleia municipal, sugeriu que todos os partidos entrassem em conversações para ver o que é melhor para o concelho e apresentassem as propostas junto das entidades competentes. O presidente da Junta de Freguesia de Asseiceira, Augusto Lopes (PSD), era um dos rostos mais indignados da noite. “Espero, a bem de todos, que este livro verde nunca chegue a amadurecer”, disse. O autarca disse que é premente esclarecer se esta agregação das freguesias rurais vai ser benéfica ou prejudicial para as freguesias, explicação que ainda não consegue dar à população. “Isto vai ser um caos. As pessoas vão ter dificuldades em aceitar este sistema de integração. Além disso, se hoje já temos dificuldades em resolver os problemas, estas vão-se agravar numa área a duplicar”, disse Carlos Silva (PS), presidente da Junta de Freguesia da Beselga. O autarca relembrou que a sua freguesia tem 325 anos e que se sente mal a fechar a porta à freguesia. “Os presidentes de junta são ouvintes, juízes e conselheiros das populações. Para nós, a câmara municipal ser em Tomar, Ourém ou em Torres Novas não faz diferença nenhuma. Acabem com as câmaras mas com as freguesias é que não”, disse. Já António Graça, filho do presidente da Junta de Freguesia de Sabacheira, Fernando Graça (PS), lamentou que o Governo “em 37 páginas queira alterar a História de Portugal” enquanto o autarca referiu que, numa freguesia com mais de 600 anos como é a sua, é “triste” desligar as populações das suas raízes.
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