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Arquivo Distrital de Santarém recebe documentação de Pedro Canavarro que enriquece espólio

Arquivo Distrital de Santarém recebe documentação de Pedro Canavarro que enriquece espólio

Os documentos que se acumulam no arquivo vão deixando a parte do edifício que ocupa sem espaço para muito mais. Ali estão os fundos dos registos paroquiais, dos cartórios notariais e os judiciais e brevemente os que serão transferidos do Governo Civil, entre outros.

Edição de 21.12.2011 | Sociedade
A documentação doada por Pedro Canavarro ao Arquivo Distrital de Santarém (ADS) abre a possibilidade aos investigadores de olharem a vida multifacetada de um homem do século XX, frisou a directora do ADS, Leonor Lopes. “Sendo nós um arquivo histórico, pode não parecer pertinente incorporarmos esta documentação, mas ela torna-se importante pelo facto de ser contemporânea e por ser de alguém cujas actividades foram tão diversas”, afirmou à agência Lusa.A documentação recebida na semana passada vai complementar o denominado Arquivo Passos Manuel, o político que se destacou no movimento liberal que marcou o século XIX em Portugal, e que constitui um dos três arquivos familiares existentes no ADS. Os outros dois são o arquivo pessoal de Artur Proença Duarte e o arquivo do embaixador Teixeira de Sampaio, relativo às suas investigações sobre o Cartaxo, disse.A incorporação do espólio de Pedro Canavarro vem ainda dotar o ADS de suportes novos, como as 24 cassetes onde foi relatando a “verdade da vida da pessoa em toda a diversidade, no seu todo”, ou as muitas fotografias que reuniu ao longo da vida.Para Leonor Lopes, os espólios pessoais permitem dar “alma” à documentação “seca” reunida nos livros de registo paroquiais, notariais ou judiciais que “dizem pouco sobre os afectos”. Como exemplo mostra duas cartas escritas por D. Gervásia, mulher de Passos Manuel, à filha Maria Antónia (bisavó de Pedro Canavarro) e ao neto Manuel, que, tal como o seu filho com o mesmo nome, morreu cedo. “Estava muito orgulhosa porque ele já sabia ler e ia comprar-lhe um livro”, contou.Documentos do Governo Civil a caminhoOs documentos que se acumulam no ADS vão deixando a parte do edifício que ocupa, pertença da Assembleia Distrital de Santarém, sem espaço para muito mais. Por norma, aqui estão os fundos dos registos paroquiais, dos cartórios notariais e os judiciais, essencialmente de processos cíveis, mas também monásticos, de Misericórdias, do extinto Centro de Área Educativa, e brevemente os que serão transferidos do Governo Civil, entre outros.Os documentos mais antigos são pergaminhos provenientes do Convento de Santa Clara, do século XIII, na generalidade bem conservados, ao contrário dos do Convento de Almoster que chegaram ao Arquivo com sinais evidentes de humidade, disse.Segundo Leonor Lopes, grande parte dos documentos monásticos na posse dos arquivos distritais são relativos a posse ou transmissão de propriedade. Apesar da enorme riqueza histórica, a dimensão cultural dos arquivos quase se perde pela predominância da procura dos fundos paroquiais, notariais e judiciais.“Ao contrário das intenções iniciais quase nos transformam em extensões das conservatórias de registo civil, das secretarias dos tribunais e dos notários e perde-se um bocadinho a nossa dimensão cultural”, disse, sublinhando que esta tendência cresce ainda mais com a incorporação de documentos cada vez mais recentes.Os cinco funcionários do ADS são assim essencialmente absorvidos pelo atendimento ao público, já que muitos documentos, mesmo com mais de 100 anos, “ainda têm grande utilidade ao nível jurídico-administrativo”, frisou.
Arquivo Distrital de Santarém recebe documentação de Pedro Canavarro que enriquece espólio

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