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Memórias felizes do Colégio de Santa Margarida revividas em Santarém

Memórias felizes do Colégio de Santa Margarida revividas em Santarém

Cerca de 60 ex-alunas do antigo colégio de Santarém descerraram uma lápide evocativa do colégio e da sua fundadora, Ana Schiappa Pietra, no edifício da rua de Santa Margarida onde o estabelecimento funcionou dos anos 40 até 1976.

Edição de 21.12.2011 | Sociedade
Viu-se alegria e emoção estampada nos rostos de muitas mulheres que se reencontraram e reconheceram muitos anos depois dos tempos da sua infância e juventude passados no Colégio de Santa Margarida, em Santarém. Cerca de 60 antigas alunas do colégio juntaram-se quinta-feira, 15 de Dezembro, na rua que lhe dá nome, para celebrar o descerramento de uma lápide alusiva ao local onde funcionou o colégio, colocada na fachada do prédio n.º 5, e homenagear a fundadora Ana Schiappa Pietra.O Colégio de Santa Margarida foi fundado por Ana Schiappa Pietra em 1917 e sempre funcionou como internato de raparigas. A neta da fundadora, Maria Ana Schiappa Pietra, juntou-se à homenagem com outros familiares, juntamente com dezenas de ex-alunas.Rosel Ribeiro, uma das organizadoras do encontro, lembra como muitas raparigas ali foram formadas quando praticamente não havia rede viária e transportes. “Acolheu muitos jovens e contribuiu para que nos formássemos, criássemos laços de amizade e dignidade. Fui ali interna dos 10 aos 17 anos”, contava durante a concentração de antigas alunas.“Fui ultra-feliz!”, disse alto e bom som, para todos ouvirem, Maria Margarida Vidigal Pais, sobre o tempo que passou no colégio como interna, desde o quarto ano. “Vivemos uma juventude muito sã e alegre. Não é como agora nem como pensam que foi a nossa”, garante. Proibida de ir à igreja, o colégio respeitou essa ordem “religiosamente”, o que a leva a concluir que nunca houve imposições ligadas à religião, ao racismo nem marginalizações. “De tal maneira que aos 58 anos vim baptizar-me a Santarém. Por isso, a minha alma está e estará, mesmo depois de morrer, presa a Santarém e a este colégio”, contou a antiga aluna. Neta da fundadora, Maria Ana Schiappa Pietra emocionou-se ao recordar vivências junto de antigas colegas com quem brincou e de quem foi professora. “Eu não era a professora, era a amiga. Lembro-me quando íamos para a Feira da Agricultura e ficávamos lá a noite toda, a brincar, a dançar no palco. Depois vínhamos para o colégio para dormir e para ter aulas”, assinalou.De uma geração bem mais recente, a vereadora da Câmara de Santarém Luísa Féria também passou pelo Colégio de Santa Margarida. “Fui da última geração, andei no colégio de 1970 a 1974. Fiquei feliz que aparecesse tanta gente para poder partilhar convosco este momento que vejo reviverem com tanta saudade”, disse a autarca, vindo-lhe depois à memória as serenatas na escola agrícola que via da varanda de sua casa. Luísa Féria agradeceu à comissão organizadora o facto de se ter lembrado do colégio e de perpetuar a sua lembrança em Santarém, bem como os seus valores, “a família, a amizade e o companheirismo”, concluiu.Fundado em 1917, o Colégio de Santa Margarida começou por funcionar no edifício onde se situa hoje o jornal Correio do Ribatejo, entre as ruas Serpa Pinto, Luís de Camões e 16 de Março. Pelos anos 40 teria sido mudado para um edifício que ocupou grande parte da rua de Santa Margarida, com vista sobre o Tejo e a lezíria. Com o 25 de Abril de 1974 vieram alguns problemas para o colégio que terá sido encerrado em 1976. “Praticava-se um ensino vanguardista, com professores inovadores na relação com os alunos e nas práticas pedagógicas. Era um arejamento do ensino que já se sentia no colégio”, retrata Rosel Ribeiro.
Memórias felizes do Colégio de Santa Margarida revividas em Santarém

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