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Solidário Serafim das Neves

Edição de 28.12.2011 | E-mails do outro mundo
Apanhei um choque no sistema de iluminação da árvore de Natal lá de casa. Não foi grave mas despertou em mim sentimentos xenófobos. Amaldiçoei o senhor da loja do chinês e a China em geral por causa do esticão. Precipitei-me, foi o que foi. Devia ter aguentado e cara alegre. As gambiarras chinesas defeituosas são o menos. Disseram-me que foram os chineses que ganharam a privatização da EDP. Nada de admirar uma vez que já andamos todos de olhos em bico. A partir de agora é bem provável que surjam mais choques. E não vão ser apenas eléctricos apesar de nos irem pôr de cabelos em pé. Ainda sob o efeito da adrenalina induzida pelo choque eléctrico, quero manifestar aqui a minha admiração pelas câmaras municipais da região e por todos os presidentes de câmara em geral. Durante anos e anos zelaram incansavelmente pelo nosso bem estar não permitindo que informações desagradáveis nos atingissem. Foram autênticos pára-raios dos nossos afortunados corações. Estava tudo a desabar e eles sempre nos transmitiram a ideia de que tudo estava bem. Mandavam fazer pavilhões, ciclo pistas, campos de ténis e até de basebol, como aconteceu em Abrantes. E embora não tivessem um tostão furado não davam parte de fracos nem aumentavam impostos. Iam alegremente buscar dinheiro aos bancos, que o emprestavam com ainda mais alegria. Com euforia diria eu. A quem os criticava chamavam nomes. E tinham razão os maganos. Se ninguém pede empréstimos os bancos vão à falência. Se ninguém parte um prato que futuro terão as fábricas de loiças? Com esta nova mania das poupanças não vamos a lado nenhum.Este ano houve uma maior oferta de peúgas no Natal. Antigamente eram as sogras e as mães que as ofereciam. Agora já recebemos dos irmãos, dos primos, dos cunhados. Este foi o Natal das peúgas e das ruas às escuras. Um Natal católico como já não se via há muito tempo. O Papa excomungou as luzes de Natal e os presidentes de câmara apressaram-se a suprimi-las. O Vaticano volta a mandar na terra como em séculos passados. Nessa altura ninguém podia ser rei ou imperador sem o aval do Papa. Será que agora vai ser o Bento XVI a avalizar os autarcas? Já imaginaste o presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, por exemplo, a beijar o anel do Papa? Eu já imaginei e garanto-te que vale a pena. Imagina Serafim!! Imagina que te vai fazer bem ao bestunto. Quem não sente a crise são os jovens. Antes não tinham dinheiro mas compravam tudo e mais alguma coisa com o dinheiro dos pais. Agora continuam a não ter dinheiro porque acabaram os cursos e não têm emprego mas continuam a comprar. Sempre com o dinheiro dos velhotes, é claro. Mas há mais classes sociais e profissionais que estão bem. Os maquinistas da CP fizeram greve no Natal. A empresa onde trabalham está falida mas eles não acreditam. E têm razão para não acreditar. Como pode uma empresa falida continuar a pagar-lhes os ordenados a horas?! Eu se estivesse no lugar deles também não acreditava. O ministro Miguel Relvas lá anda, afadigado, a arranjar entretenimento para o povo. O Governo aumenta impostos, corta subsídios, congela pensões. ..de cada vez que se adivinham protestos surge Miguel Relvas brandindo o fim das freguesias. O povo esquece tudo e sai para a rua brandindo forquilhas e sacholas. Que se lixe o resto desde que se salve a essência fundamental da vida. Desde que se salve a querida freguesia. É por estas e por outras que eu dou valor ao povo. Conseguir distinguir o essencial do acessório em momentos difíceis como o actual não é fácil. E as freguesias são tudo aquilo que temos com verdadeiro valor. Tu já imaginaste a tua vida sem a tua queria freguesia?Saudações administrativas Manuel Serra d’Aire

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