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Uma vida dedicada à restauração

Uma vida dedicada à restauração

Frederico serve às mesas e toma conta do balcão da taberna do seu estabelecimento em Santarém

Frederico Ribeiro Barreiro está ligado ao restaurante O Pião desde os 14 anos, quando deixou a escola. Primeiro a ajudar o pai e, desde há seis anos, a gerir a casa na companhia da esposa Elsa.

Edição de 28.12.2011 | Identidade Profissional
Diariamente, pelas 07h45, o restaurante O Pião já está de portas abertas quando começa o bulício da cidade de Santarém. É altura para Frederico Barreiro começar a receber os primeiros clientes que chegam das freguesias rurais e também quem trabalha nas imediações da chamada rua do Mercado - utentes, funcionários e magistrados do tribunal, funcionários da Direcção de Finanças ou da autarquia, entre outros. As diferenças de gostos entre a clientela são muitas. “O cliente urbano prefere beber o galão e comer produtos de pastelaria, enquanto o cliente rural alinha nas sandes, bifanas e petiscos como a raia frita, pastéis de bacalhau”, acompanhados por um copo de vinho ou cerveja, exemplifica o empresário.Frederico Barreiro está ligado ao restaurante do pai, Ramiro Rosa Barreiro, desde os 14 anos, quando abandonou os estudos. Estudou até ao sétimo ano, altura em que chumbou e cumpriu um ano de castigo a servir nas obras. Regressou à escola para cumprir mais dois anos mas voltou a parar no nono ano e desistiu. Ainda esteve numa casa de serviços de electricidade e como servente de pedreiro mas voltou à vida da restauração.Primeiro, a fazer um pouco de tudo no restaurante do pai, que tinha sala de refeições e taberna com portas de entrada tipo “saloon” dos filmes de cow-boys à americana. Assumiu a gestão do restaurante há seis anos, na companhia da esposa Elsa Janota. Enquanto a esposa dá apoio à cozinheira chefe e à ajudante, Frederico serve às mesas e toma conta do balcão da taberna. Os almoços começam a ser preparados a partir das nove da manhã para serem servidos entre as 12h30 e as 15h30. Meia hora depois é a vez do pessoal da casa se sentar a almoçar.Desde que a primeira filha nasceu que pai e mãe optaram por não servir jantares. O serviço fecha por volta das oito da noite de segunda a sexta-feira, e ao sábado a casa está aberta até às 15h00, momento a partir do qual se dedicam às limpezas semanais. Domingo é dia de encerramento e descanso. “Decidimos que não podíamos ver apenas a nossa filha ao domingo”, explica. Às segundas e quintas-feiras Frederico Barreiro abastece-se no mercado grossista de fruta e legumes, ao passo que o peixe e a carne são entregues por fornecedores fixos. “Em casa, acertam-se as contas diárias e vejo que alterações devo fazer para os pratos do dia do dia seguinte. Geralmente mantemos um prato e rodamos dois. Isso funciona, por norma, em função dos pratos que tiveram mais saída nos dias anteriores”, explica Frederico Barreiro, adiantando que o galo de cabidela, a feijoada de caracoletas e a chanfana de javali são três dos pratos mais apreciados na casa.Frederico Barreiro diz que se sente bem na pele de empresário da restauração apesar dos tempos actuais serem, cada vez mais, de forte carga fiscal a incidir sobre os empresários, com o aumento do IVA da restauração de 6 para 23 por cento a somar à redução do poder de compra dos clientes. Concentrado a 100 por cento na actividade do restaurante, Frederico Barreiro já teve um convite há anos para se mudar para o outro lado do mundo, literalmente. Um primo a residir na Austrália propôs-lhe que fosse viver definitivamente para o país dos cangurus. “Foi uma proposta de um contrato de trabalho de dez anos, com direito a casa e na altura dez mil contos para iniciar uma nova vida, num momento em que o Governo da Austrália incentivava a chegada de população para combater a desertificação do país e aumentar a natalidade. Pensei bem e apesar de ter direito a viagens a Portugal, tinha que ter dois filhos e não tinha autorização para viajar quando entendesse”, descreve, lembrando a história. Nem só do restaurante se vive a vida. Aos domingos, Frederico Barreiro gosta de descontrair em passeios de jipe de todo-o-terreno em trilhos mais acidentados, e em estradas de bom piso com a sua mota desportiva Kawasaki Ninja 900. Aprecia ainda visitar terras com história. Nas férias de 15 dias, oito são dedicados às limpezas do restaurante de alto a baixo, enquanto na semana que resta vai para a praia com a família.
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