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Horas extraordinárias na saúde

Edição de 28.12.2011 | O Mirante dos Leitores
Custa ver tanta gente a dar opinião sem ter um mínimo de conhecimento das matérias. Há vários aspectos que deviam preocupar o autor deste artigo, antes de se pôr a ditar sentenças.1º, o desfasamento temporal entre a entrada no curso de medicina e o diploma de especialista é, no mínimo, de 12 anos (13 ou 14, conforme as especialidades). Talvez o tiro devesse ser apontado a outros governantes, de outros tempos.2º, o autor não deve fazer a mínima ideia das verbas que estão em jogo; há casos em que um médico, com as novas tabelas de horas incómodas e extraordinárias, leva para casa cerca de 7 euros líquidos por hora;3º, sábado às 3 da manhã ou domingo às 5 da tarde há um exército de profissionais (médicos, enfermeiros, auxiliares, administrativos, etc.) que velam por aqueles que precisam, enquanto 99% da população, dorme, descansa ou diverte-se (merecidamente) conforme os casos. Aquela gente tem que ser paga.4º, abordar um doente, examiná-lo, fazer um diagnóstico e instituir uma terapêutica, responsabilizando-se por tudo isso, não é o mesmo que pregar um prego, enroscar uma lâmpada ou vender um detergente. É complicado e deve ser bem remunerado.5º, as “horas extraordinárias” existem porque são necessárias (há falta de profissionais, sim senhor); por outro lado, fossem os profissionais de saúde do SNS bem pagos e a maioria dispensaria ter que trabalhar à noite, aos feriados e aos fins de semana. Um médico do SNS com 15 ou 20 anos de carreira, cumprindo 35 horas semanais, leva para casa cerca de 1500 euros líquidos. Essa é a verdade. No entanto, aos olhos da opinião pública menos informada, passa por levar fortunas colossais. Não é verdade.6º, gente cordial e bem educada, ou agreste e mal educada, existe em todas as profissões.Há um estudo que demonstrou que, no caso dos médicos, a maioria considera a “classe” arrogante e mal educada mas quando a cada um é perguntada a opinião acerca do seu próprio médico e não da classe, a esmagadora maioria tem exactamente a opinião contrária. Dá que pensar.António (Médico)

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