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Bocejos e birras na noite da discussão do orçamento da Junta de Vila Franca

Bocejos e birras na noite da discussão do orçamento da Junta de Vila Franca

Presidente Ana Câncio e eleito Carlos Romano trocaram acusações

A assembleia de freguesia de Vila Franca de Xira durou até às três da manhã. Havia deputados que já dormitavam na cadeira e funcionários da junta que se mantinham acordados à custa de risadas na cabine de som. Pela primeira vez a presidente da junta perdeu a calma e acusou a CDU de lhe faltar ao respeito.

Edição de 28.12.2011 | Política
“Hoje parecemos uns putos”. A frase do eleito Carlos Saldanha da CDU, proferida já perto das três da manhã, é o melhor resumo do que aconteceu na última sessão da Assembleia de Freguesia de Vila Franca de Xira, onde foi aprovado o orçamento para 2012 com a abstenção do Novo Rumo e os votos contra de Bloco de Esquerda e CDU.Houve bocejos, trocas de acusações, deputados quase a dormir na cadeira e uma birra no final entre a presidente da Junta de Freguesia, Ana Câncio e o deputado comunista Carlos Romano. Como se isso não chegasse o próprio presidente da assembleia, Orlando Silva, ainda deu um ar da sua graça a lamentar que o orçamento estivesse a ser aprovado “com toda a gente a dormir” na sala.A sessão até começou à hora certa e sem direito a atrasos mas o facto de o regimento permitir que as sessões durem até dois dias (no caso das assembleias ordinárias) ou um dia (nas extraordinárias) sem quaisquer pausas permitiu que o debate se arrastasse durante cinco horas e meia. O ponto alto da noite aconteceu quando Carlos Romano (CDU) questionou o executivo sobre o facto do anterior presidente, José Fidalgo, se ter demitido e ainda ter direito a uma compensação de 9500 euros a título indemnizatório, verba que será paga a prestações durante o próximo ano. “Há uma lei que prevê esta situação ou foi uma ideia da junta?”, questionou. A pergunta caiu mal a Ana Câncio que acusou o deputado de proferir “insinuações gravosas” e de faltar ao respeito à sua pessoa e ao executivo. “É evidente que a junta nunca iria pagar algo que não estivesse consagrado na lei”, rematou. Ainda assim a verdade é que os próprios advogados consultados pela junta não souberam pronunciar-se sobre a matéria e teve de ser a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) a emitir um parecer favorável sobre o assunto para que a rubrica fosse inscrita em orçamento.No público esteve também o vereador da Câmara de Vila Franca, Bernardino Lima, que pediu suspensão de mandato para ser submetido a uma intervenção cirúrgica da qual se encontra a recuperar. Foi acompanhar a mulher, Rita Lima, deputada da CDU.“A casa do cantoneiro na rua 16 de Março está toda degradada, aquilo parece um jardim zoológico”, lamentou. O pouco público que resistiu até ao fim da assembleia não pôde deixar de notar nas risadas dos empregados da junta, que acompanhavam a assembleia no pequeno espaço de som do auditório. “Aqueles ao menos aguentam melhor a maratona”, desabafa Pedro Cruz, um dos presentes.Um orçamento de encargos e parcas receitasO orçamento da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira para o próximo ano é de um milhão e 360 mil euros. O documento passou com os votos favoráveis do Partido Socialista, com a abstenção da Coligação Novo Rumo e os votos contra da CDU e Bloco de Esquerda. Fernando Matos (BE) chegou mesmo a considerar que este orçamento é “uma lista de encargos e de parcas receitas que nem se podem prever com certeza”. A modernização dos serviços administrativos, a renovação da maquinaria e ferramentas obsoletas de oficina, a instalação de iluminação pública LED no parque de estacionamento 25 de Abril e a compra de equipamento eléctrico de lavagem de ruas e espaços pedonais são os principais objectivos para o próximo ano. “O horizonte dos próximos doze meses, não sendo catastrófico, não se augura nada fácil. Não chegará, portanto, manter a orientação da gestão dos últimos anos, no que respeita ao controlo dos custos”, advertiu Ana Câncio.Comunistas criticam José Fidalgo por ter deixado 154 mil euros de dívidasOs deputados de esquerda da assembleia de freguesia, outrora comedidos nas críticas feitas a José Fidalgo, aproveitaram a sua ausência para lançar duras críticas à forma como geriu a junta de freguesia e realçaram o facto de ter deixado o cargo com dívidas de 154 mil euros. A nova presidente, Ana Câncio, apresentou aos deputados uma lista de folhas contendo todas as dívidas da junta referentes a 2010. “Há um passivo por pagar e colocar a zeros o mais depressa possível. É isso que tentaremos fazer sem despedir pessoal”, advertiu a autarca.“A junta sempre viveu acima das suas capacidades e todos vocês desta assembleia permitiram isso”, condenou Fernando Matos (BE). Mais crítico foi Carlos Romano, da CDU. “Sempre alertámos a junta para esta situação. A verdade é que José Fidalgo foi embora e deixou este chorrilho de contas para pagar”, condenou.
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