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Colecção de fotografias de Carlos Relvas está a ser restaurada na Golegã

Cerca de doze mil negativos dos primórdios da fotografia em Portugal estão a ser recuperados por especialistas. Num ano de trabalho, 7.997 negativos foram tratados e colocados na base de dados que está a ser criada.

Edição de 28.12.2011 | Sociedade
As caixas com negativos em vidro à espera de “salvação” acumulam-se num depósito provisório criado na Biblioteca Municipal da Golegã, espaço onde, desde há um ano, especialistas em restauro se dedicam a recuperar a “fabulosa” colecção de Carlos Relvas. “É uma colecção muito interessante, antiga, bastante precoce na história da fotografia”, disse à agência Lusa Luís Pavão, o homem que dirige os trabalhos que permitirão preservar uma colecção que reúne 12.000 negativos, alguns deles em muito mau estado.“Há fotografias que estão irrecuperáveis, há negativos que estão com a emulsão completamente solta, partida, rasgada. Há alguns que estão estilhaçados, partidos em muitos bocados”, disse. Mesmo assim, “para uma colecção com esta idade (reunida ao longo de 30 anos a partir de 1864) e depois de passar por um período de abandono tão grande (quase um século) não está muito má”, admitiu.O contrato que a LUPA (empresa criada por Luís Pavão em 1982) tem com a Câmara Municipal da Golegã, com a duração de dois anos, tem como prioridade “acondicionar, limpar, organizar e descrever” os 12.000 negativos da colecção, 5.000 em colódio húmido e cerca de 7.000, posteriores, em gelatina e prata. Cerca de 500 precisam de tratamentos de restauro básico, em que negativos quebrados são estabilizados entre dois vidros. Num ano de trabalho, 7.997 negativos estão tratados e colocados na base de dados que está a ser criada, disse.No anexo da Casa-Estúdio Carlos Relvas, edifício restaurado e reabilitado em 2007, foi entretanto construída uma “câmara-depósito” com as condições ambientais “ideais” para passar a guardar a colecção.A colecção foi digitalizada em 2008/2009, numa colaboração entre a LUPA, o Instituto Politécnico de Tomar e a Câmara Municipal da Golegã, faltando descrever esse “espólio virtual” para que fique acessível aos investigadores, sublinhou.Luís Pavão realçou as “surpresas constantes” com que os técnicos se deparam, já que Carlos Relvas foi “um inovador”, usando por vezes “processos invulgares” de fazer fotografia. “Ainda há dias encontrámos um conjunto de imagens no processo de carvão mas em suporte de vidro, o que eu não tinha visto nunca”, disse, referindo ainda as imagens coloridas por Carlos Relvas e “toda uma panóplia de variações no processo do colódio húmido que nem sempre é muito fácil de identificar”.Mas a faceta de experimentador de Carlos Relvas não se limitou às técnicas, já que também “gostava de fotografar o que não era fotografado habitualmente”, como a fotografia da cabeça de um burro colocada num cartão de visita. Relvas, que fez um estúdio raro no Mundo, fotografou muito em estúdio, transportando para aí “tudo o que tinha à mão”, incluindo animais.

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