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Uma mulher dos sete ofícios que não tem medo da crise

Uma mulher dos sete ofícios que não tem medo da crise

Sandra Isabel Seabra tem 36 anos e é proprietária da “Espelho da Lezíria”

Quando se encontrou numa situação de desemprego, Sandra Seabra olhou em volta e descobriu um nicho de negócio no concelho de Azambuja. Abriu uma vidreira e trabalho não lhe falta. Os clientes gostam dos seus serviços e Sandra garante que não há crise que abale a vontade de trabalhar e vencer.

Edição de 07.03.2012 | Identidade Profissional
Sandra Isabel Seabra, 36 anos, é uma mulher dos sete ofícios que não se deixa amedrontar pela crise. Quando ficou desempregada há dois anos lembrou-se que havia um nicho de mercado por explorar em Azambuja. Mesmo com a recusa do projecto por parte do Centro de Emprego, Sandra abriu uma vidreira e trabalho não lhe falta, com muitos clientes a elogiarem o seu trabalho e dedicação.A criação da “Espelho da Lezíria” é um exemplo de que mesmo nos quadros económicos mais recessivos é possível vencer se o produto for diferente e de qualidade. E em Azambuja ainda ninguém se tinha lembrado de abrir uma vidreira. Sandra nasceu em Vila Franca de Xira mas ainda hoje vive em Azambuja. Os pais moravam nos Casais do Vale do Brejo, em Aveiras de Cima. Estudou em Azambuja e aos 17 anos começou a trabalhar. Ausentou-se do concelho para ir para o Alentejo, na companhia do pai, trabalhar como escriturária numa herdade onde o pai já trabalhava. Tratava das folhas de ordenado, das fichas individuais de cada cabeça de gado e ainda ajudava no expediente. Na altura era um trabalho que a satisfazia mas apenas porque era novidade. Depressa se aborreceu. “Era sempre igual, era monótono”, confessa a O MIRANTE.Voltou a Azambuja e ingressou como empregada de balcão numa empresa de informática e telecomunicações. Mais tarde decidiu arriscar numa empresa de transformação de aves do concelho. “Comecei a trabalhar na sala de corte dos frangos. Cortava e embalava. Outras vezes fazia etiquetagem e pesagem”, recorda. O trabalho era duro. Especialmente quando surgiam as encomendas das grandes superfícies comerciais. Pouco tempo depois abraçou a profissão de assistente comercial numa firma de pavimentos de Azambuja. “Foi aí que me apercebi que gostava muito de falar com clientes e de tratar destas questões relacionadas com a vertente comercial”, explica. Ao ver que tinha vocação ingressou num call-center em Lisboa, de uma firma de telecomunicações. Dava apoio ao cliente e assistência remota de avarias. Durante seis anos exerceu a profissão com empenho mas quando engravidou foi surpreendida por um convite para sair da empresa. “Fiquei desamparada e desempregada. Informei-me dos programas que o Estado tinha na altura para a criação do próprio emprego, em que mediante a entrega de um projecto o Instituto de Emprego e Formação Profissional pagava a totalidade dos subsídios para servir de arranque ao negócio. Cheguei a colocar o projecto de criação de uma vidreira aqui em Azambuja, algo que não existia, mas só oito meses depois de entregar o projecto é que me disseram que não tinha sido aprovado”, critica.Mas Sandra não quis esperar. Com tempo livre de sobra pesquisou na Internet e, baseando-se num plano de negócios que encontrou, adaptou o documento à sua vidreira. Criou o logótipo da empresa baseado num dos monumentos mais importantes do concelho de Azambuja: o Palácio das Obras Novas. Com uma folha na mão foi ao banco e concederam-lhe um micro-crédito para começar. Desde então nunca mais parou.“Tem sido uma luta constante em termos financeiros para cumprir com os prazos de pagamento. Mas temos de arriscar. A crise não pode ser desculpa para tudo. Temos de ter boa vontade e sermos empenhados no que fazemos para dar a volta por cima. É preciso não parar, ter sempre uma porta aberta”, refere.A “Espelho da Lezíria” faz transformação de vidro e cria prateleiras, tampos de mesa, coloca espelhos, emoldura vidros, espelhos e tudo o que o cliente necessitar. Substitui montras e janelas de habitações. Também substitui vidros dos retrovisores dos automóveis. “Além disso fazemos tudo o que o cliente pedir. Também desenhamos uma ideia que tenha”, explica Sandra. A empresa abriu recentemente novas instalações, na rua Victor Cordon, nº 90, em Azambuja. O contacto é o 263 047 889. A profissão de sonho para Sandra era ter sido professora ou educadora de infância. “Mas estou muito feliz nesta profissão”, garante.
Uma mulher dos sete ofícios que não tem medo da crise

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