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PS desafia Moita Flores a recandidatar-se em Santarém

Socialistas suspeitam que a dívida da autarquia está já acima dos 100 milhões de euros apontados
Edição de 07.03.2012 | Política
O presidente da concelhia de Santarém do Partido Socialista desafiou esta segunda-feira o presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores (PSD), a cumprir o mandato autárquico até ao fim e a recandidatar-se ao cargo na cidade ribatejana. Isto poucos dias depois de alguma imprensa nacional ter adiantado que Moita Flores poderá ser candidato do PSD à Câmara de Oeiras.“Esperamos que cumpra o mandato até ao fim. Que se sujeite ao sufrágio em Santarém e não em Oeiras ou em qualquer outro sítio, para que ele e o PSD possam ser avaliados pelos eleitores”, afirmou o socialista Carlos Nestal numa conferência de imprensa destinada a abordar a situação financeira da autarquia mas que acabou por focar também outros assuntos.Socorrendo-se das conclusões do Anuário Financeiro dos Municípios relativo a 2010, os socialistas dizem que o município de Santarém está “muito pior que se imaginava”, pois está “quase no vermelho” em todos os itens e no “top 10” dos piores desempenhos. Um dos exemplos apontados refere que Santarém é o sexto município a nível nacional com menor liquidez, tendo passado de 13 milhões de euros negativos em 2006 para 37 milhões negativos em 2010.Daí que os socialistas defendam a implementação de um plano de saneamento financeiro do município, estimando que a dívida da autarquia escalabitana seja, neste momento, muito superior aos 100 milhões de euros apontados na situação financeira apresentada à assembleia municipal em Fevereiro.Carlos Segundo Nestal disse esperar que a maioria PSD avance com o pedido de saneamento financeiro, admitindo que, se tal não acontecer, seja o PS a avançar com a proposta. Em relação à dívida, Carlos Nestal afirmou que aos 99 milhões de dívida assumida, com a incorporação do valor a pagar pela antiga Escola Prática de Cavalaria, há que acrescentar a dívida a muitos fornecedores que não emitiram ainda factura para não terem que suportar o IVA. “Daí que é muito difícil saber o valor real da dívida, mas aponta-se para os 120 milhões de euros”, disse na conferência de imprensa que contou com a presença dos ex-vereadores Idália Serrão e Manuel Afonso.Pedida demissão da directora da Águas de SantarémOs dirigentes do PS escalabitano aproveitaram ainda a oportunidade para reforçarem as críticas que têm sido feitas nos últimos tempos ao funcionamento da empresa municipal Águas de Santarém, tendo defendido a demissão da directora geral da empresa, Marina Ladeiras.Carlos Nestal apontou uma série de situações que justificam a sua posição, como o processo de alienação de 49% do capital a privados, que foi chumbado pelo Tribunal de Contas, os valores elevados pedidos pela ligação dos ramais de esgotos às habitações, o acentuado aumento do preço da água e o mau funcionamento dos serviços. “Tudo isto tem um rosto que é o conselho de administração e a directora geral. Achamos que está a mais e que devia ser substituído por alguém que tenha mais atenção às pessoas e não aos números”, disse Nestal.Manuel Afonso, que foi vereador e administrador dos antigos Serviços Municipalizados de Santarém, que deram lugar à Águas de Santarém, acrescentou que essa estrutura tinha uma gestão “eficiente” e uma boa situação financeira, criticando a desactivação do laboratório de análises da água, o que leva a empresa a contratar agora esses serviços externamente.

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