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A criadora do licor das virgens

Lucília André criou há mais de 20 anos uma bebida para ser consumida no restaurante da freguesia de Asseiceira nas Tasquinhas de Rio Maior. O néctar ganhou fama e proveito e todos os anos a antiga costureira produz cerca de 40 litros para dar a familiares e amigos.

Edição de 07.03.2012 | Sociedade
O nome “licor das virgens” saiu de uma espécie de concurso de ideias entre alguns habitantes de Asseiceira que, já lá vão mais de 20 anos, trabalhava na organização da tasquinha que iria representar a freguesia na Feira das Tasquinhas de Rio Maior. A receita da bebida, que já se tornou uma atracção no certame, saiu da sabedoria e criatividade de Lucília André, uma quase octogenária que durante boa parte da sua vida ganhou o pão como costureira e dona de uma taberna.Na mistura do vinho saído das suas cepas e dos concentrados de fruta igualmente produzida na sua horta sai esta bebida de sabor adocicado e frutado com cor próxima do vinho do Porto. A experiência como produtora de vinho e abafado, vendidos na taberna que teve durante anos, foi meio caminho andado para a invenção, saída do repto lançado pela Câmara de Rio Maior há mais de 20 anos, quando a Feira das Tasquinhas dava os primeiros passos.“Na altura pediram-nos para inventarmos licores com nomes um bocadinho extravagantes para terem aceitação nas tasquinhas”, recorda Lucília André, que colaborava habitualmente na tasquinha da freguesia e era também conhecida pela tiborna de bacalhau, um prato típico de outros tempos, que confeccionava no evento e que ainda hoje faz a pedido da família. A receita é baseada no sumo da uva a que adiciona concentrados de frutos que vai cultivando. São cerca de 10 frutos. “Fui apurando o licor, misturando alguns frutos da horta e amoras silvestres, até que resultou esta receita. As pessoas gostam dele e ficou assim”. Lucília André vai fazendo o licor à medida que as pessoas lhe pedem, geralmente familiares e amigos. Ao todo faz em média cerca de 40 litros por ano.“Não vendo para fora porque não estou colectada e não posso fazer isso”. Por altura da Feira das Tasquinhas de Rio Maior oferece umas garrafas à tasquinha representante da freguesia, que depois dá a provar o licor ao público. A fama do licor das virgens já ultrapassou as fronteiras da freguesia e do concelho. Uma das filhas leva habitualmente uma garrafinha de néctar para os convívios de professores e o genro Augusto Figueiredo, que é presidente da Junta de Freguesia de Asseiceira, aproveita as festas promovidas pela autarquia para fazer propaganda ao licor. “Ele é o maior divulgador”, diz com um sorriso.Lucília André, mãe de duas filhas, avó de sete netos e quase a ser bisavó pela quarta vez, confessa que gostava de ver a bebida registada e comercializada, mas afirma que tanto ela como o marido já não têm idade para isso e até à data “nenhum neto pegou nisto”. Uma devota da Nossa Senhora de AsseiceiraPara além do jeito para a confecção de vinhos e licor e de pratos como a tiborna de bacalhau, Lucília André dedica-se também ao artesanato aproveitando a habilidade de costureira alimentada durante décadas - “Era uma boa costureira. Fazia fatos para noivas, para padres, para freiras. Vinham clientes de fora e cheguei a ter cinco empregadas”. A sala onde conversamos está cheia de objectos decorativos saídos das suas mãos, muitos deles com motivos religiosos. A artesã confessa a sua devoção à Nossa Senhora de Asseiceira e é uma entusiasta da terra onde viveu grande parte da sua vida, embora seja natural da Fonte da Bica, localidade próxima das salinas. Participou como cozinheira no restaurante da freguesia de Asseiceira nas Tasquinhas de Rio Maior desde a primeira edição (e durante muitos anos), recordando um ano em que foram consumidos mais de 110 quilos de bacalhau graças à sua tiborna. Agora participa só como visitante, não falhando um ano.Tasquinhas de Rio Maior até domingoAté domingo, 11 de Março, o pavilhão multiusos de Rio Maior está ocupado com a 27ª edição das Tasquinhas de Rio Maior (ver notícia na página 7 do caderno de Economia). Uma iniciativa onde a gastronomia típica do concelho merece destaque e onde não faltam atracções complementares como o artesanato, acções de cozinha ao vivo e animação musical.

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