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“Manter vivo o associativismo dá muito trabalho”

Avelino Subtil deixa a presidência da AMBO depois de 34 anos ligado à associação oureense

Avelino Subtil deixa o cargo de presidente da AMBO - Academia de Música Banda de Ourém - depois de 14 anos nessas funções, mas vai continuar ligado à associação, agora no conselho fiscal. Por motivos de saúde o ritmo intenso que o professor de contabilidade impunha tem que abrandar mas não esconde as saudades que ficam.

Edição de 07.03.2012 | Sociedade
Ana Isabel BorregoPorque sai da direcção da AMBO (Academia de Música Banda de Ourém) ao fim de 14 anos como presidente?Chegou a altura de dar lugar a outros que também possam contribuir para o sucesso da colectividade. À semelhança do que acontece na política, com a lei de limitação de mandatos, sou adepto que isso também deveria acontecer nas colectividades. Além disso, os últimos dois anos foram mais complicados em termos pessoais e tenho que abrandar o ritmo, que tem sido muito intenso. Como vou voltar a dar aulas não vou conseguir ter tanto tempo disponível para a AMBO. Vai continuar ligado ao projecto?Sim. Vou fazer parte do conselho fiscal mas é um cargo mais leve porque não tem as obrigações de um cargo da direcção.Não consegue desligar-se da AMBO a cem por cento. É a menina dos seus olhos?Pode dizer-se que sim. Estou ligado à AMBO desde 1978 quando me convidaram para o cargo de secretário da direcção. Cresci com esta colectividade e vi-a crescer. Tenho uma relação muito forte com muita gente que integra a AMBO. Não é fácil desligar-me totalmente de um momento para o outro.Qual foi o ponto alto da sua presidência?Há tantos, sobretudo os que envolvem as relações interpessoais. Fiz muitos amigos na AMBO mas penso que os intercâmbios com grupos nacionais, e também internacionais, foram alguns dos pontos altos. Estabelecemos relações de amizade que perduram com alguns grupos e isso é o mais reconfortante. Saio deste cargo mais rico por conta das amizades que estabeleci. Foram 34 anos muito bons, com muito companheirismo e amizade e as recordações ficam sempre na memória e no coração.Nunca teve a tentação de integrar uma secção?Houve uma altura que ainda experimentei o “Chorus Auris” mas percebi que não tinha jeito para cantar e desisti. Não tenho jeito nem para cantar, tocar ou representar. Costumo dizer que só me resta assobiar (risos).O que é mais difícil de gerir na AMBO?A parte financeira. Arranjar fundos para podermos funcionar. À excepção dos alunos da escola de dança, os cerca de 300 elementos que integram as várias secções da colectividade pagam apenas a quota anual de dez euros. Temos que ser criativos para arranjar dinheiro para salários e deslocações, que não são nada baratas. Temos que pedir apoios às entidades oficiais, que foram reduzidos drasticamente. Quanto foi a redução dessas entidades oficiais?A Câmara de Ourém reduziu 20 por cento, este ano vamos receber cerca de treze mil euros, mas tivemos apoio da autarquia para as obras de remodelação que fizemos na sede. O Instituto Português da Juventude em 2010 atribuiu-nos 3750 euros e o ano passado recebemos 800 euros. O Inatel em 2011 deu-nos 800 euros. Tínhamos o protocolo com o Santuário de Fátima que nos dava entre três a quatro mil euros por ano, mas o ano passado o Santuário decidiu acabar com esse protocolo.Sonho de nova sede ficou por concretizarO que gostava de ter feito durante a sua presidência que não conseguiu?Gostava que a associação tivesse sido dotada de uma sede. É um desejo de muitos anos. Chegamos a ter projectos e um terreno comprado para construir a sede mas nunca se avançou com a obra por falta de dinheiro. Disse algumas vezes que gostaria que a AMBO tivesse um edifício próprio.Ainda pensa assim?As coisas vão evoluindo e fui conhecendo outras culturas. Em países mais ricos que o nosso, os espaços são partilhados. Penso que a sede da AMBO terá que passar por um projecto desses, partilhar com outras associações e outros projectos. Há a possibilidade de a AMBO, num prazo de cinco anos, ter um espaço onde possa trabalhar de forma diferente da que trabalha hoje. O espaço actual não tem condições?Infelizmente não. Só temos uma sala onde funcionam as aulas e os ensaios. Temos que andar sempre a montar e desmontar para que todos possam trabalhar. Temos apenas uma pequena sala onde a direcção trabalha e que serve também para reunir. Temos uma cave, que serve de arrecadação mas, por exemplo, a orquestra típica ensaia lá os cânticos porque não temos outro espaço.É fácil manter vivo o associativismo?É muito difícil. Costumo dizer que é muito fácil criar associações, mantê-las é que é mais complicado. Desenvolver e manter vivo o associativismo dá muito trabalho e é preciso muita dedicação e as pessoas, hoje em dia, já têm vidas tão atarefadas que chega ao final do dia não estão para se preocupar com mais nada. Por isso é difícil convencê-las a integrarem colectividades.Uma longa viagem que começou há 34 anosAvelino Subtil, 56 anos, deixa o cargo de presidente da AMBO - Academia de Música Banda de Ourém - depois de 14 anos, mas vai continuar ligado à associação, agora no conselho fiscal. O seu primeiro contacto com a colectividade, diz, aconteceu por acaso. Corria o ano de 1978. Comprou umas rifas que o “Chorus Auris” andava a vender para angariar dinheiro para a primeira actuação internacional e foi o premiado. Na rifa saiu-lhe uma viagem a Turse, em França, com o “Chorus Auris”. “Nessa viagem estreitei laços com as pessoas do coro e, no mandato seguinte, convidaram-me para fazer parte da direcção”, recorda.Começou como secretário da direcção, seguindo-se os cargos de vice-presidente e presidente do conselho fiscal até que chegou à direcção há 14 anos. Quando fazia parte do conselho fiscal convidaram-no para a presidência da direcção. “Na altura, não havia ninguém disponível para ficar à frente do barco e resolvi aceitar o desafio”, conta. Um projecto que agarrou com unhas e dentes. A AMBO é a menina dos seus olhos e custa-lhe deixar o ‘barco’ mas orgulha-se do trabalho feito. Avelino Subtil é natural de Sabacheira, concelho de Tomar, onde viveu até ao final da adolescência e onde ainda vivem os seus pais. Professor de Contabilidade assentou arraiais em Ourém depois de ter ficado colocado na Escola Secundária de Ourém. Já lá vão 36 anos. Regressou às aulas no final da semana passada depois de uma interrupção de cerca de dois anos por motivos de doença. O ritmo de vida intenso que levava teve que ser abrandado e também por isso decidiu colocar um ponto final na presidência da AMBO. Avelino Subtil diz que é “importante” saber quando devemos dar o lugar a outros. É um homem dedicado às causas públicas. É presidente da Assembleia de Freguesia de Nossa Senhora da Piedade e foi vereador do Partido Socialista na Câmara de Ourém em anteriores mandatos. Além disso, também é presidente do conselho fiscal da Federação Nacional do Movimento Coral e ocupa o mesmo cargo na Associação Distrital de Bandas Filarmónicas de Santarém.

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