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Os oito resistentes da Orquestra Típica de Ourém

Os oito resistentes da Orquestra Típica de Ourém

Grupo assinalou três décadas de existência com concerto no cine-teatro local
Edição de 07.03.2012 | Sociedade
Apesar da experiência de vida que os seus 63 anos lhe conferem, Jeremias Gaspar confessa que ainda fica nervoso antes de subir ao palco. Aliás, a primeira coisa que faz sempre que tem uma deslocação é descobrir uma casa-de-banho. “Até há pouco tempo bastava haver um espectáculo para começar logo o dia com dor de barriga”, conta com uma enorme gargalhada. Jeremias Gaspar é um dos oito elementos que integram a Orquestra Típica de Ourém (OTO) desde o primeiro dia.Manuel Fortunato, Alípio Graça, Fernanda Simões, Fernando Vieira, Ricardina Vieira, Maria Adelaide, Manuela Jorge e Jeremias Gaspar são os oito elementos que fazem parte da orquestra desde a sua fundação. A maioria integrava o “Chorus Auris” - outra secção da AMBO (Academia de Música Banda de Ourém) - mas quando souberam da criação da OTO optaram pela orquestra.Manuela Jorge é a única que ainda concilia a orquestra típica com o “Chorus Auris”. Apaixonada por música não se imagina sem os concertos de ambas as secções da AMBO. Além destas actividades, Lelita - como é mais conhecida - também faz rádio, todos os domingos de manhã, e faz questão de só passar música portuguesa.Alípio Graça, 69 anos, começou a tocar clarinete com 13 anos, um prazer que interrompeu aos 16 anos quando emigrou para Moçambique. Enquanto lá viveu ainda tentou comprar um instrumento igual ao que possuía em Portugal mas pediram-lhe onze contos e Alípio manteve a paixão de tocar adiada. “Era muito dinheiro”, recorda. Quando regressou a Ourém foi convidado para integrar a OTO e aceitou o desafio. Confessa que ainda fica nervoso sempre que sobe ao palco para mais uma actuação. Considera o concerto do trigésimo aniversário um marco. “Vai ficar mais 30 anos na orquestra?”. “Trinta, não, mas fico mais 35 anos”, afirma, em jeito de brincadeira, acrescentando que vai ficar enquanto for útil para o grupo.Ricardina Vieira, uma das duas solistas da orquestra, costuma ter as mãos geladas antes das actuações. Neste domingo, ao contrário do habitual, está “estranhamente” calma. Também Maria Adelaide partilha a mesma “estranha” emoção. Os nervos costumam apoderar-se de si antes dos espectáculos e hoje “nem por isso”. Os oito elementos que integram a OTO desde a sua fundação estão muito felizes por assinalarem um marco importante da orquestra e esperam ter “saúde” e boa disposição para continuarem num grupo que consideram como as suas famílias.Descontracção nos bastidores antes de subir ao palcoTrajados a rigor com a chamada roupa de domingo - que se vestia em Ourém no início do século passado - onde sobressai o ouro ao pescoço das senhoras e os chapéus nos homens, os cantores e tocadores aguardam, no primeiro andar do Cine-Teatro de Ourém, pelo início do concerto dos 30 anos da OTO que se realizou na tarde de domingo, 4 de Março.Sentado numa cadeira, o maestro José António Santos afina as violas dos seus ‘discípulos’ de acordo com o som do acordeão. “Sou eu que afino as violas porque é mais rápido, tenho o ouvido já treinado. Afinamos de acordo com o acordeão porque é um som mais agudo e que não pode mudar o tom. As violas é que têm que se adequar”, explica o maestro meia hora antes do início do espectáculo.O ambiente nos bastidores é de descontracção. A maioria conversa entre si e fala de assuntos banais do quotidiano. As brincadeiras são uma constante e ajudam a afastar o nervoso miudinho que vai surgindo à medida que se aproxima a hora do espectáculo. Já cá em baixo, no fundo da sala do cine-teatro, todos assistem a um conjunto de slides com fotografias que contam os 30 anos de memórias do grupo. A emoção sente-se na sala mas rapidamente é afastada quando todos são chamados ao palco para dar início ao espectáculo. Uma tarde que tão depressa não vão esquecer.
Os oito resistentes da Orquestra Típica de Ourém

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