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Pais inconformados com pena suspensa aplicada a homem que importunava sexualmente raparigas

Pais inconformados com pena suspensa aplicada a homem que importunava sexualmente raparigas

Jorge Carapau foi absolvido de seis crimes de tentativa de rapto, os mais graves do ponto de vista penal.

Edição de 07.03.2012 | Sociedade
Teresa Moedas, 41 anos, era o rosto da desolação minutos depois do Tribunal da Golegã ter condenado o homem que atacou a sua filha numa rua da Chamusca a um ano e dois meses de prisão, pena suspensa em igual período. Uma das jovens vítimas também chorou compulsivamente, fora da sala de audiências, sendo reconfortada pelos mais próximos. A leitura do acórdão aconteceu na tarde de sexta-feira, 2 de Março, e foi presenciada por duas dezenas de pessoas que aguardavam com expectativa o desfecho do caso. Jorge Carapau, 29 anos, natural de Almeirim mas residente no Entroncamento, estava acusado de tentativa de rapto de seis jovens e de importunação sexual a quatro delas mas o tribunal absolveu o arguido dos primeiros crimes, que configuravam uma moldura penal mais grave, por ter considerado que não ficaram provados. Os casos aconteceram na Golegã, na Chamusca e em Abrantes. O electricista acabou por ser condenado pelos quatro crimes de importunação sexual, num cúmulo jurídico de um ano e dois meses de prisão. O presidente do colectivo de juízes, que optou por resumir o acórdão de 30 páginas, condicionou a suspensão da pena ao cumprimento de um plano de reinserção social e à realização de uma consulta médica que determinará ou não a necessidade de tratamento médico ao nível psicológico. O juiz mandou ainda extrair certidão do depoimento da mãe de Jorge Carapau para remeter ao Ministério Público, por considerar que a mesma cometeu perjúrio em tribunal, ao dizer que estava com o filho na noite em que este atacou uma jovem em Abrantes. “O tribunal não tem a mais pequena dúvida de que quem agiu foi o senhor. O depoimento da sua mãe foi falso”, disse. “O seu comportamento causou bastante alarme social e gerou um sentimento de insegurança atroz nestas comunidades... Não pode ser tolerado de maneira nenhuma”, disse, relembrando que este chegou a estar preso preventivamente mas que o tribunal decidiu alterar a medida de coacção, colocando-o em liberdade durante o julgamento, o que raramente acontece. “A prisão fica em stand-by mas basta não cumprir as regras para voltar para lá. Desejo, sem ponta de ironia, que faça por conseguir viver a vida em liberdade e com respeito pelos outros”, disse o juiz. Visivelmente inconformada com a pena aplicada, Teresa Moedas disse a O MIRANTE que a filha, actualmente com 17 anos, “nunca mais conseguiu dormir” e que tem “pesadelos constantes”, estando a ser acompanhada por um psicólogo. “Eu é que sei a filha que tinha e a filha que tenho. Era tão decidida e agora tem medo de tudo”, afirmou. À saída do Tribunal, a mulher não aguentou a pressão e insultou verbalmente o electricista, que saiu acompanhado pelo advogado, tendo sido agarrada para não agredir Jorge Carapau. “Assassino. A minha filha nunca mais foi a mesma por causa de ti”, gritou, amparada em lágrimas pelo marido. O electricista manteve-se impávido e, já dentro do carro, não teve pejo em sorrir, mostrando-se aliviado por sair em liberdade.
Pais inconformados com pena suspensa aplicada a homem que importunava sexualmente raparigas

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