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“A maioria das nossas empresas não estava e não está preparada para os desafios que lhe são colocados”

“A maioria das nossas empresas não estava e não está preparada para os desafios que lhe são colocados”

João Gomes é o Manager da Moneris Santarém e Supervisor da Moneris Risa

As empresas já não conseguem dar resposta de forma rigorosa e credível aos desafios que lhe são colocados, com os seus próprios meios. Os desafios são imensos e a vários níveis e exigem uma grande preparação e especialização. É por isso que se tornam cada vez mais indispensáveis entidades que possam oferecer soluções credíveis, como é o caso da Moneris.

Edição de 14.03.2012 | Economia
O que é a Moneris e quais os objectivos com que foi criada?O grupo Moneris surgiu em 2007, com o objectivo principal de criar uma plataforma alargada na prestação de serviços de Contabilidade Financeira e Reporting, Assessoria Fiscal, Recursos Humanos, Consultoria Económica, Financeira e de Gestão, Gestão de Seguros e Aconselhamento Financeiro a nível nacional. Esse objectivo permanece, se bem que actualmente o enfoque do negócio seja mais abrangente. Somos actualmente uma organização líder na prestação de serviços de consultoria, contabilidade e apoio à gestão em Portugal, dando um contributo activo no desenvolvimento sustentado da economia portuguesa e dos seus agentes, através da promoção das melhores práticas e princípios de governo das sociedades e da solidez dos seus instrumentos de relato financeiro.Qual a actual dimensão da Moneris? Nos últimos quatro anos foram investidos cerca de 15 milhões de euros em aquisições, o que nos permite ter a mais ampla rede de escritórios próprios, num total de 23, que cobrem a quase totalidade do território nacional, 350 colaboradores e mais de 4500 clientes distribuídos por seis diferentes áreas de intervenção, ou seja, contabilidade financeira e reporting, assessoria fiscal, recursos humanos, consultoria económica, financeira e de gestão, gestão de seguros e aconselhamento financeiro. O volume de facturação em 2011 deverá rondar os 12 milhões de euros.Quem são os principais accionistas da Moneris? O capital do Grupo encontra-se disperso, onde 37% pertence à Inter-Risco, SCR, S.A., 37% à Mirol, SGPS, S.A., 11% à InovCapital – SCR, S.A. e 10% à PME Investimento, S.A., sendo que os fundos são participados por diversos investidores, nomeadamente BPI, IAPMEI, Fundo Europeu do Investimento e Fundação Calouste Gulbenkian, dando uma robustez impar nesta área de actividade, dado tratarem-se de entidades com uma enorme credibilidade e capacidade financeira.O crescimento tem assentado na aquisição de outras empresas em vez da criação de estruturas próprias. É assim?Sim, o modelo de crescimento seguido é de buy and build, ou seja, aquisição e construção de uma rede. Normalmente, é adquirida a totalidade do capital (nunca menos de 70%) e mantida a estrutura de recursos humanos. Esse factor é de extrema importância, dado que se trata de um negócio em que a confiança com os clientes é de vital e extrema importância, ou seja, os clientes têm de confiar em quem lhe trata da contabilidade. Quais os critérios para a escolha das empresas a integrar na Moneris?O target definido para as aquisições contempla pequenas e médias empresas de contabilidade e assessoria fiscal com uma facturação entre os 500 mil euros e um milhão de euros. Isso não quer dizer, no entanto, que não se possa sair desse target-alvo, nomeadamente em casos onde as competências da empresa alvo são consideradas de elevado nível pelo mercado.Como decorreu o processo no distrito de Santarém? Curiosamente a primeira aquisição do Grupo Moneris acorreu no nosso distrito, mais concretamente em Fátima. Posteriormente, há cerca de três anos foi adquirida a actual Moneris Santarém, na altura denominava-se António Costa Santos, Lda. Foi vendido 100% do capital social pelo Sr. António Costa Santos, o qual continuou ligado à sociedade como administrador da mesma, tendo-se mantido a estrutura de recursos humanos. Finalmente, há cerca de 2 anos, foi adquirida a actual Moneris Risa, na altura denominada Risa – Organização de Empresas. O Sr. João Artur Rosa ficou com a área de estudos e projectos e com a área de software, hoje a RISA Consulting, tendo alienado a área da contabilidade e da assessoria fiscal e desligando-se da gestão da sociedade. Aliás, é hoje apontado como uma referência na passagem do negócio dentro do Grupo Moneris. O investimento total no conjunto das duas sociedades totalizou um montante próximo dos 2 milhões de euros. Desde Janeiro deste ano os escritórios da Moneris Santarém e da Moneris Risa juntaram-se no mesmo edifício em Santarém.Quais os principais objectivos para a unidade da Moneris em Santarém?São iguais aos das outras unidades do Grupo, no entanto, este escritório reveste-se de algumas particularidades, dado que junta duas empresas com competências distintas (Moneris Santarém e Moneris Risa), quer a nível de clientes, quer a nível de colaboradores. A grande vantagem é sem dúvida as sinergias e complementaridades que daí resultaram. Voltando aos objectivos, estes passam sem dúvida por implementar uma melhoria da qualidade e âmbito dos serviços prestados aos clientes, tendo em vista a sua maior satisfação, através da incorporação de mais competências técnicas, potenciando assim o crescimento da actividade da presente estrutura, bem como na reestruturação da carteira de clientes em alguns segmentos. Em traços muito simples, e no fundo, melhorar o serviço prestado ao cliente, dado ser fundamental nas actividades dos mesmos.Que tipo de soluções tem a Moneris para as empresas?Temos um conjunto de soluções que vão muito para além da contabilidade. Posso dizer que temos seis áreas de intervenção, que se dividem em serviços principais, onde se incluem a contabilidade financeira e reporting, assessoria fiscal, recursos humanos, consultoria económica, financeira e de gestão, e os designados serviços premium que englobam a gestão de seguros e o aconselhamento financeiro. O Grupo Moneris tem ainda vários centros de competência especializados em determinados assuntos, tais como o terceiro sector, a internacionalização, o sector hoteleiro, a formação (Moneris Academy), a área da saúde, a área de incentivos fiscais, entre outros. Saliento também as parcerias com parceiros privilegiados, como é o caso, a título de exemplo, do Barclays Bank, Medicisforma e da Primavera.Onde é que a Moneris pode ajudar, por exemplo, no acesso ao crédito, que é uma das maiores preocupações de hoje das empresas?É talvez a área que maior importância tem hoje em dia e que absorve a maior quantidade de informação requerida pelos nossos clientes. O reporting é hoje fundamental, sendo por isso considerado um dos actuais paradigmas da contabilidade. Tentamos que a relação com as instituições financeiras e de crédito seja privilegiada, e quando digo isto, refiro-me sobretudo à apresentação e credibilidade da informação financeira apresentada, seja ela intercalar ou final. É aí que começamos a ganhar o cliente. Como sabe, hoje em dia, com as dificuldades de financiamento que existem, a todos os níveis, a forma como a informação financeira é lida é totalmente diferente se comparada com alguns anos atrás, quer por via do grau de exigência, da alteração de scorings e ratings ou mesmo da evolução dos recursos humanos dos departamentos de risco. São compostos na sua maioria por elementos de elevada competência técnica.A ideia que temos é que na área da economia as alterações a nível de legislação, regras, regulamentos, ocorrem a um ritmo avassalador. Como é possível acompanhar todas essas mudanças?Em alguns momentos é extremamente esgotante mas ao mesmo tempo motivador. Pode até parecer contraditório, no entanto, é esgotante porque exige aos nossos técnicos e ao próprio Grupo um empenho extremamente elevado a nível de formação e uma necessidade de actualização permanente. Mas não deixa de ser motivador porque se trata de uma área em constante mutação e que não nos deixa estagnar. Importa no entanto realçar duas questões: a responsabilidade perante os nossos clientes aumenta, dado que nos confiam a gestão destas mudanças, e o elevado investimento em formação que é feito pelo Grupo Moneris anualmente, tanto a nível dos seus técnicos, bem como dos técnicos dos seus clientes.É possível a uma pequena, micro ou média empresa dar resposta, unicamente com os seus meios, aos actuais desafios empresariais?Não, hoje em dia não é possível. Pelo menos de uma forma rigorosa e credível. Os desafios são imensos e a vários níveis, pelo que exigem uma grande preparação e especialização por parte dos colaboradores das entidades. É mais fácil e mais fiável recorrer a entidades que possam oferecer soluções credíveis, como é o caso da Moneris.O hábito de olhar para a contabilidade como um mero veículo de cumprimento das obrigações fiscais ainda persiste em Portugal? Que consequências pode ter essa cultura numa qualquer empresa?Pela minha experiência é um hábito que tende a desaparecer, no entanto ainda persiste, mas depende sobretudo da mentalidade do empresário e do tipo de entidade. É óbvio que uma microempresa tenderá a olhar para a sua contabilidade como um mero veículo para cumprir as obrigações fiscais. Mas começa cada vez mais a aparecer os casos que espelham o contrário. Permita-me, no entanto, introduzir aqui outro elemento, o qual para mim neste momento, caminha lado a lado com as questões das obrigações fiscais, que é a necessidade de aceder ao financiamento bancário. Aí o empresário pensa duas vezes. Ainda há muito caminho a fazer para que a maioria das nossas empresas esteja devidamente preparada para enfrentar os desafios que lhes são colocados nos dias de hoje?Sim, isso é um facto. A maioria das nossas empresas não estava e não está preparada para os desafios que lhe são colocados hoje em dia. A vários níveis. Repare, vivemos numa sociedade dinâmica (globalização e curtos ciclos de vida de produtos e serviços) e extremamente competitiva, logo quem tiver um comportamento estático e não acompanhar a evolução irá ter sérios problemas. É uma questão de sobrevivência. A maioria delas tem estruturas claramente desajustadas, os recursos humanos encontram-se na sua maioria acomodados e desmotivados, logo é preciso inovação e competitividade para sobreviver no mercado. Os investidores hoje em dia são globais e exigem resultados rápidos. A Moneris, pelos serviços que presta, tem uma visão privilegiada da adaptação do tecido empresarial a novas realidades. A avaliação que faz é optimista? A situação é bastante complicada para algumas empresas, no entanto não é de agora, apenas se agravou com as restrições impostas no acesso ao crédito e também fruto de estruturas completamente desajustadas. Também em alguns sectores de actividade as dificuldades eram expectáveis e não constituíram surpresa. Exemplo disso é o sector da construção. Posso no entanto partilhar que conheço inúmeros casos de sucesso, os quais resultam muitos deles da adaptação que o empresário foi capaz de fazer à nova realidade. Muitos deles resultaram da procura de novos mercados, da partilha de conhecimentos, do estabelecimento de parcerias com empresas estrangeiras e ou nacionais, da racionalização de custos e estruturas desajustadas, etc. Não lhe vou nomear nomes como compreende, mas são empresas da nossa região.Todas as empresas querem reduzir custos? Como é que podem desenvolver-se reduzindo custos?Nem todas estão exclusivamente focadas na redução de custos. Felizmente temos a experiência de apoiar muitos clientes que estão em fase de crescimento, o que na maioria dos casos implica aumento do investimento. A diferença é que esse aumento é sustentado e feito de forma racional, ao contrário do que se assistia até aqui. Temos problemas estruturais e não podemos negá-lo, mas isso resulta de sucessivos erros cometidos ao longo dos anos pela maioria das empresas, que assentaram as suas expectativas de crescimento em pressupostos totalmente errados. O que quero dizer, e conheço vários casos, é que é possível crescer e desenvolver-se reduzindo custos, mas não abdicando de olhar para o futuro e de fazer investimentos sustentáveis e que terão retorno no médio-prazo. Pode parecer contraditório mas não é. Dou-lhe um exemplo, analisava a semana passada com o administrador de uma empresa a evolução do último ano e verificamos o seguinte: apesar da redução do número de elementos da força de vendas, tinham obtido um crescimento de 15%, o que já não acontecia há alguns anos. E porquê? Constatou-se que os elementos da força de vendas que compõem a actual equipa comercial nessa sociedade passaram a angariar mais clientes e se encontravam mais unidos e motivados, focados em objectivos concretos e realizáveis. No entanto existiu de facto uma redução de custos.Quem é João GomesJoão Gomes, 38 anos, licenciado em gestão de empresas, mestrando em gestão com especialização em Finanças, tendo ainda várias especializações, destacando-se a Pós Graduação em Fiscalidade pela Universidade Católica e a Especialização em SNC pelo ISCTE, é Manager da Moneris Santarém e Supervisor da Moneris Risa.Ao longo dos últimos 18 anos exerceu as funções de Técnico Oficial de Contas e de consultor nas áreas de consultoria contabilística e fiscal em empresas nacionais e multinacionais, realizou estudos económico-financeiros e avaliação de empresas e de segmentos de negócio, bem como processos de reestruturação de empresas e negócios. Actuou ainda na área de fusões e aquisições.Foi professor na Universidade de Évora - Pós-graduação Avançada em Contabilidade e Finanças e professor na Escola Superior Gestão Tecnologia Santarém - Cursos de Preparação para o Exame de acesso à OTOC. Para além disso é formador em várias instituições Financeiras e Sociedades de Garantia Mútua, nomeadamente nos Departamentos de Risco.É co-autor do livro “SNC - Teoria e Prática” - Editora Vida Económica e co-autor do Livro “NCM - Normalização Contabilística para Microentidades” - Editora Vida Económica e tem vários artigos publicados em revistas da especialidade e jornais.
“A maioria das nossas empresas não estava e não está preparada para os desafios que lhe são colocados”

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