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Autarcas consideram extinção de freguesias uma proposta “desonesta”para as populações

Autarcas consideram extinção de freguesias uma proposta “desonesta”para as populações

Azambuja debateu a reforma do poder local com a participação de vários presidentes de juntas
Edição de 14.03.2012 | Sociedade
A extinção de freguesias, a avançar, terá um efeito negativo sobre as populações e irá acabar com o factor de proximidade que ainda faz mexer a comunidade. A opinião é de vários presidentes de junta de freguesia do concelho de Azambuja, que participaram na noite de sexta-feira, 9 de Março, num debate sobre a reforma do poder local em Aveiras de Baixo. Os autarcas consideram que a extinção de freguesias é uma manobra “desonesta para o povo” e que vai acabar com a identidade das populações. De acordo com a nova proposta de lei do Governo, das actuais nove freguesias o concelho de Azambuja terá de ficar com apenas sete.“As terras têm identidade. Quando se faz uma reforma da maneira como esta está a ser feita isso é ser desonesto para as populações. E começou-se por cima em vez de ser ao contrário, que era começar por ouvir as freguesias. O que o Governo está a fazer é encostar nove pessoas contra uma parede e ter de matar duas”, criticou Lúcio Costa (PS), presidente da junta de freguesia de Vila Nova de São Pedro.Para o comunista Herculano Martins, presidente da junta de Manique do Intendente, a reforma está mal direccionada porque não foram as juntas a endividar o país. “Não nos podemos esquecer que o presidente da junta é também muitas vezes o pedreiro, carpinteiro e electricista. Vai resolver os problemas na hora, enquanto o presidente da câmara está sentado num cadeirão a mandar alguém ir tratar do assunto”, exemplificou.O presidente da junta de Vale do Paraíso, António Marques (PS), considerou que as populações “ficam claramente a perder” com a extinção de freguesias, algo que irá contribuir para um menor envolvimento na comunidade. “E isso é um caminho pouco saudável democraticamente”, advertiu.O debate foi organizado pela Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, mas contou com a presença de três dezenas de pessoas de vários quadrantes políticos. A ouvir as preocupações dos presidentes esteve Jorge Gaspar, chefe do gabinete do Secretário de Estado da Administração Local e Reforma Administrativa. O representante do Governo lembrou que a reforma não se limita apenas à extinção de freguesias e defendeu que é urgente acabar com a “mendicidade das juntas” em relação às transferências de verbas das câmaras.“Nos próximos anos vamos ter menos dinheiro do que aquilo que pensávamos que íamos ter, por isso o lema é fazer mais com menos. Ou melhoramos a gestão dos municípios ou muitos irão cair na falência total e absoluta”, avisou. Jorge Gaspar alertou para a necessidade dos municípios se organizarem e pensarem que freguesias devem ser eliminadas sob pena de terem de se sujeitar a ser o governo a decidir.O socialista José Manuel Pratas, líder da bancada do PS na Assembleia Municipal de Azambuja, aproveitou para lamentar que o seu partido, que gere a câmara, ainda não tenha pensado em debater publicamente o assunto. “Lamento que o meu partido ainda não tenha tido uma iniciativa destas e já só temos três meses para pensar nisto”, concluiu.
Autarcas consideram extinção de freguesias uma proposta “desonesta”para as populações

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