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Dos cinco bancos do tempo criados na região só um ainda não “faliu”

Agência de Alverca estava a cumprir os objectivos mas fechou por haver cada vez menos interessados

Os Bancos do Tempo criados nos últimos anos na região também se ressentiram com a crise. As agências de Alverca, Torres Novas, Alcanena e Santarém faliram. Só em Abrantes se continuam a trocar croquetes por nós de gravata.

Edição de 14.03.2012 | Sociedade
Por força da sua profissão de vigilante Francisco Catarino, 47 anos, foi obrigado a tornar-se um especialista em nós de gravata com a ajuda do sogro. Não admira por isso que Marisa Fábrica, a coordenadora do Banco do Tempo de Abrantes, que funciona no CIAC, no edifício da câmara, lhe tenha um dia deixado dez gravatas para ajustar. Foi o pedido mais exótico que chegou àquela agência. A primeira a ser criada, em 2002, e a única que ainda resiste na região. Em Alverca, Alcanena, Torres Novas e Santarém os Bancos do Tempo deixaram de registar transacções e faliram. A agência continua a pulsar alheia à crise, mas não só à custa dos nós de gravata de Francisco Catarino que entretanto deixou de praticar a arte porque a empresa passou a disponibilizar nós de gravata já feitos. Em Abrantes trocam-se também refeições preparadas, como bacalhau com natas, croquetes e outras iguarias, por uma ajuda com os sacos das compras do supermercado ou uma ida à farmácia. Os mais novos recorrem à arte culinária dos mais velhos e ajudam com a mobilidade que têm. “Nunca houve uma tarefa recusada”, assegura Marisa Fábrica. No ano passado entre os serviços mais trocados estiveram as aulas de informática e o acompanhamento nos trabalhos de casa, tarefa pedida pelos pais. As trocas não são directas e por isso quem dá pode não receber da mesma pessoa.A recorrer aos serviços da agência há profissionais de todas as áreas. Desde médicos a advogados passando por estudantes, professores e engenheiros. Os clientes têm entre 30 e 60 anos. Em Abrantes o Banco do Tempo não só resiste como está a acumular lucro. Em 2011 tinha 112 elementos e este ano já soma 114. No ano passado foram contabilizadas 1509 horas “levantadas” e 1589 horas “depositadas”.Em Alverca, no concelho de Vila Franca de Xira, o Banco do Tempo já fechou a conta mas o saldo global também foi positivo. Ao longo de cinco anos os objectivos foram alcançados na agência e por isso a equipa decidiu pôr termo ao projecto. “A agência promoveu o apoio à família e a conciliação entre vida profissional e familiar, para homens e mulheres, através da oferta de soluções para necessidades práticas da organização da vida quotidiana. Facilitou também o encontro de pessoas que convivem nos mesmos espaços diminuindo o efeito de problemas ligados ao isolamento e à ausência de contactos sociais”, explica Nádia Braga, que coordenou o projecto. A partir do terceiro ano as trocas passaram a ser realizadas directamente entre membros, sem recurso à agência. Já não se verificaram novas inscrições no último ano de funcionamento. Santarém nasceu em 2003 e acabou pouco depois de ter começado. Alcanena seguiu o mesmo caminho. Em Torres Novas o projecto conheceu grande dinamismo mas o entusiasmo inicial acabou por arrefecer em 2010. Ao contrário de Abrantes, que conta com o apoio logístico da câmara, factor fundamental para a sobrevivência do projecto, em Torres Novas a agência funcionou no Centro de Bem Estar Social da Zona Alta que tem muitas valências e parcos recursos para se desdobrar. Com a saída de uma voluntária foi difícil dar continuidade ao projecto, admite a coordenadora Anabela Isidoro que não põe de lado a hipótese de reabertura. Quando houver voluntários e disponibilidade para dar e receber.

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