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Pai diz que o filho atacou quartel à pedrada por achar que socorro a familiar não foi bem prestado

Pai diz que o filho atacou quartel à pedrada por achar que socorro a familiar não foi bem prestado

Mário Correia admite que o filho tivesse bebido demais e tentou resolver as coisas a bem sem sucesso

Guilherme Correia, de 23 anos, é acusado de ter partido 40 vidros do quartel dos Bombeiros Voluntários de Alhandra à pedrada, de ter amolgado um carro e de agredir o adjunto de comando na noite de 21 de Fevereiro. O pai do jovem ofereceu-se para pagar os estragos, mas a direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Alhandra quer ver o caso resolvido na justiça.

Edição de 14.03.2012 | Sociedade
A noite do dia 21 de Fevereiro não desaparecerá tão cedo da memória de Guilherme Correia que é acusado de ter vandalizado o quartel dos Bombeiros Voluntários de Alhandra, concelho de Vila Franca de Xira. O jovem não possui cadastro e o pai ainda tentou resolver as coisas a bem, mas a direcção dos bombeiros não perdoa os actos perpetrados contra a instituição e a agressão ao adjunto de comando, Rui Brás, que foi atingido com um pontapé. O pai do jovem, Mário Correia, tentou resolver as coisas de forma amigável, mas a corporação está decidida a levar o caso até às últimas consequências. Eram 4h00 quando Guilherme Correia começou a atacar à pedrada o quartel onde estavam dez bombeiros. Segundo o pai do jovem, a história começa logo mal contada. Depois de um jantar com mais dois amigos num restaurante, os três jovens dirigiram-se ao carro que estava estacionado perto do quartel. “O meu filho e um bombeiro que ali estava começaram a discutir e esse bombeiro agrediu-o com um pau no sobrolho”, conta o pai. No portátil mostra as fotografias que tirou ao rosto do filho dois dias depois do incidente e onde ainda se vê uma ferida. Na altura os ânimos exaltaram-se. “O Guilherme deve ter bebido um pouco mais e num acto tresloucado atirou algumas pedras ao quartel”, admite Mário Correia. O jovem acabou por regressar uma segunda vez ao quartel por volta das 6h00 para continuar a atirar pedras. Na causa da sua fúria descontrolada está ainda a morte da avó. “Há quatro anos, a minha mãe que estava num lar morreu engasgada. Foram os bombeiros de Alhandra que a levaram ao Hospital de Vila Franca e o meu filho ficou sempre com a ideia que o socorro prestado poderia ter sido melhor”, recorda Mário Correia. A PSP voltou a ser chamada ao local, mas por volta das 7h00 da manhã o jovem regressou novamente. Os bombeiros contabilizaram 40 janelas partidas e um carro amolgado a pontapé pelo jovem. Os prejuízos ascendem a 2000 euros. “Como é que uma única pessoa tinha tempo para partir 40 janelas? O Guilherme portou-se mal, admito que tenha provocado alguns estragos, mas é completamente impossível que conseguisse provocar esta destruição, a não ser que fosse o Hércules”, reflecte o pai. O comandante e o presidente da direcção, Fernando Caio, confirmam a O MIRANTE que os outros jovens também contribuíram para a destruição, embora no dia do incidente Guilherme Correia tenha sido apontado como o único autor dos actos. Pai tentou pagar estragosMário Correia tentou pagar os estragos e ofereceu-se para o filho prestar serviço voluntário no quartel. “Não aceitamos o pagamento por dois motivos: por respeito à instituição e aos seus sócios; pela agressão ao comandante adjunto Rui Brás na zona do abdómen que o levaram a sete dias de baixa e que nos obriga agora a justificar formalmente ao seguro toda a situação”, explica o presidente da associação, Fernando Caio. Em relação ao serviço comunitário, o dirigente mostra-se disponível, desde que seja por indicação do tribunal. A associação já apresentou queixa na esquadra da PSP e espera agora por novos desenvolvimentos. Guilherme Correia ainda não recebeu qualquer notificação em relação ao sucedido. O jovem, actualmente desempregado, não tem cadastro e o pai acredita que a proporção que o caso tomou na comunicação social não passa de um “linchamento mediático na praça pública”. Mário Correia é sócio dos Bombeiros Voluntários de Alhandra, onde já trabalhou também como técnico oficial de contas. De momento presta o mesmo serviço na Associação de Promoção Social de Alhandra e é ainda professor numa escola secundária em Alenquer onde está a leccionar a disciplina de cidadania aos seus alunos.
Pai diz que o filho atacou quartel à pedrada por achar que socorro a familiar não foi bem prestado

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