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Rui Cordeiro continua aos 70 anos a correr os 12 quilómetros de Salvaterra

O corredor não gosta de saber o tempo que demora a completar uma prova

Tem 70 anos, uma voz pausada, e está de bem com a vida. Um dos segredos é o atletismo que pratica desde os 45 anos. Rui Cordeiro corre três vezes por semana pelas ruas ou campos de Salvaterra de Magos. Só para quando as forças o deixarem e desafia todas as pessoas com mais idade a deixarem o “desporto do sofá”.

Edição de 21.03.2012 | Desporto
O atleta Rui Cordeiro, de 70 anos, não sabe em que posição chegou à meta da 12º edição dos 12 quilómetros de atletismo que decorreu na manhã de 18 de Março em Salvaterra de Magos. Nem pretende saber. Para quem pratica atletismo por prazer, a competição não é das coisas mais importantes. Por isso, não usa os aparelhos sofisticados dos corredores, como os conta-quilómetros, ou sequer o relógio. O ex-oficial da marinha mercante é presença assídua nas provas de atletismo que se realizam no concelho e arredores. O atletismo surgiu na sua vida a partir dos 45 anos. Depois de desembarcar e começar a trabalhar numa casa agrícola em Salvaterra como regente agrícola, Rui Cordeiro andava à procura de algo para ocupar os tempos livres. A escolha recaiu no atletismo pela simplicidade. Basta calçar uns ténis e partir. Começou por praticar três vezes por semana com uma disciplina rigorosa e nunca mais parou. Já lá vão 25 anos. “Se não der as minhas três corridas fico com uma sensação de vazio, de neurastenia”, explica. E isso significa ir correr mesmo que esteja a chover torrencialmente ou mesmo que esteja doente. E também significa correr geralmente 18 quilómetros em dois treinos e no terceiro, ao domingo, esticar ainda mais o percurso. Gosta de correr pelos campos que vai encontrando por Salvaterra e dentro da própria vila. “Temos campos excelentes, correr ao lado da natureza é verdadeiramente libertador, e tenho pena que mais gente não aproveite”, repara o atleta que gosta de “libertar o espírito”. Para esta libertação acontecer, conta também com a ajuda da solidão. Não gosta de desportos colectivos. O que por um lado parece um contra-senso quando participa numa prova que juntou 950 atletas. Rui Cordeiro explica: “Também gosto de vez em quando de correr com pessoas amigas e mesmo não me interessando pelo tempo tenho sempre um ou outro debaixo de olho para ver se é desta que o venço. Sabe bem ouvir as palmas das pessoas que assistem”. Por ano costuma realizar dez provas. Já chegou a correr em maratonas organizadas em Londres e em Paris. Nunca teve nenhuma lesão e garante, entre risos, que também nunca chegou em último em qualquer prova. Rui Cordeiro tem pena de não ver pessoas com mais idade a praticarem activamente um desporto, não só para manterem o corpo são como a própria mente e deixa um conselho: “Podem não correr, mas façam pelo menos uma caminhada. Não se dediquem ao desporto do sofá”.Vera Nunes e Bruno Rodrigues vencem os 12 quilómetrosPerto de 950 atletas participaram na 12º edição dos 12 quilómetros de atletismo que decorreu na manhã de 18 de Março em Salvaterra de Magos. A prova contou também com uma caminhada de cinco quilómetros onde estiveram presentes perto de 250 pessoas.O alverquense Bruno Rodrigues da Juventude Vidigalense cortou a meta em primeiro lugar com 38 minutos e 41 segundos. José da Luz (CUAB) chegou à meta em segundo com 38 minutos e 53 segundos e Joel Martins (CUAB) com 38 minutos e 54 segundos. No escalão feminino, Vera Nunes, do Sport Lisboa e Benfica, repetiu o primeiro lugar com 45 minutos e 19 segundos. Andreia Silva (Gira Sol) chegou em segundo lugar com 47 minutos e 53 segundos e Ana Margarida (Alvitejo) em terceiro com 49 minutos e 53 segundos. O troféu em equipas por masculinos foi para o CUAB, em segundo o Vieirense e em terceiro para o Alvitejo. Nos femininos venceu o Alvitejo, seguido de Macedo Oculista e CGD. De destacar mais uma vez a excelente organização dos Amigos da Corrida de Salvaterra que chegou a preparar um bolo com o logótipo da prova e distribuiu por todos os presentes.Médicos da prova não precisam de entrar em acção nas corridas de Salvaterra A 12ª edição dos 12 km de Salvaterra de Magos contou com a presença de dois médicos de prova. César Damásio, de 58 anos, é de Salvaterra e de momento dá consultas no Centro de Saúde e na Extensão de Saúde de Marinhais. Há 12 anos que vêm prestar assistência à corrida. Traz consigo um estetoscópio numa pequena mala. Em todo este tempo, só teve um caso mais grave. O de um atleta que teve uma hipoglicemia. “É uma prova amadora e as pessoas estão geralmente preparadas”, explica. Mesmo assim, faz questão de estar sempre presente para ajudar os amigos. “Estas corridas são importantes e ajudam a promover o desporto”, afirma. Também o cirurgião plástico Manuel Maria Martinho é uma presença assídua. De momento mora em Lisboa, mas tem casa e família em Salvaterra. Os casos que costuma tratar são pequenas lesões musculares e quedas sem grandes complicações. Já chegou a participar na própria prova. “Levava uma camisola a dizer médico de prova e deixava-me para último para ajudar os atletas mais atrasados”. Em termos de organização não era aconselhável, já que se colocava a si próprio em risco, e por isso passou a acompanhar a corrida no primeiro carro de prova. Vai continuar a participar sempre que puder, até porque é uma forma de conviver com muitos dos amigos com quem praticou desporto em Salvaterra.

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