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Portugueses apertaram o cinto em 2011 e este ano vai ser pior

No dia 15 de Março celebrou-se o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, num ano em que os portugueses vão consumir menos que em 2011. Segundo as contas nacionais do Instituto Nacional de Estatística (INE), o consumo privado caiu 3,9 por cento no ano passado, em termos reais. Nas previsões do Governo, este ano será ainda pior: os portugueses terão de ‘apertar o cinto’ a um nível de que não há memória em tempos recentes.No Orçamento do Estado para 2012, o Governo previa que este ano o consumo privado cairia 4,8 por cento. Esta projecção ainda não foi actualizada, mas números avançados posteriormente pelo FMI, pela OCDE, pela Comissão Europeia e pelo Banco de Portugal pintam um cenário ainda mais negro: o consumo privado deverá reduzir-se entre 5,4 e 6 por cento.Estas organizações também prevêem que, mesmo havendo uma ligeira retoma da economia em geral em 2013, o consumo dos particulares voltará a cair - entre 1 e 1,8 por cento. Serão assim três anos consecutivos a consumir menos.Não há memória de uma redução a este grau do consumo. Desde 1996, data mais antiga para a qual o INE apresenta dados, o consumo privado só se reduziu em três anos: 2003 (caiu 0,2 por cento), 2009 (2,3 por cento) e no ano passado (3,9 por cento, de acordo com os dados preliminares).E em que é que estão os portugueses a cortar? Ainda segundo os números do INE, corta-se um pouco de tudo, mas começando pelos bens duradouros, particularmente os automóveis. No ano passado, o consumo de bens duradouros caiu 18,7 por cento; o de automóveis reduziu-se 25 por cento.A taxa de redução do consumo privado para outros bens e serviços foi 2,2 por cento; no caso dos produtos alimentares, a taxa de variação foi nula. No entanto, na segunda metade do ano o ‘apertar do cinto’ começou a ser literal. Embora no conjunto de 2011 não tenha havido nenhuma redução no consumo de produtos alimentares, nos dois últimos trimestres do ano a tendência mudou. No terceiro trimestre, houve uma quebra de 0,2 por cento no consumo de bens alimentares; nos últimos três meses do ano, essa redução chegou a 1,1 por cento.

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