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A vida está difícil para os taxistas da região

A vida está difícil para os taxistas da região

Profissionais da região descontentes com proibição de transportar utentes do Serviço Nacional de Saúde que lhes retirou uma importante fonte de receitas. Há taxistas que não fazem um serviço por dia.

Edição de 21.03.2012 | Sociedade
Taxista há cerca de nove anos, Miguel Martins, 33 anos, está a pensar deixar a profissão e já anda há procura de alternativas. Desde o final do ano passado que os taxistas deixaram de poder fazer o transporte de utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o que se traduz numa quebra de cerca de 90 por cento nos seus serviços. Este serviço passa a ser feito apenas pelas corporações de bombeiros. A indignação dos taxistas da região é ainda maior porque estes cobravam menos pelo serviço do que os bombeiros. Enquanto os taxistas cobravam 30 cêntimos o quilómetro (km), independentemente do número de utentes que transportavam, as ambulâncias cobram 48 cêntimos por km, 2.89 euros à hora e mais 20 por cento por cada doente, sendo facturado o percurso maior.“Não faz sentido nenhum cortarem-nos um serviço que ficava mais barato ao Ministério da Saúde. O volume de trabalho reduziu drasticamente”, explica Vítor Coelho, taxista de Marinhais, concelho de Salvaterra de Magos.No concelho de Tomar, onde Miguel Martins vive e trabalha, o transporte de utentes do SNS era a sua principal fonte de receita. “As pessoas das aldeias contactam sempre os taxistas quando precisam de um serviço. Ainda hoje me telefonam e tenho que dizer que não posso fazer o serviço. Cortaram-nos as pernas”, critica indignado. Miguel Martins explica que o ano passado fazia entre duas a três viagens por semana para Lisboa ou Coimbra. Este ano conta que foi apenas três vezes a Lisboa, ao aeroporto. “Os dias bons não chegam para colmatar os maus. Para fazer face às minhas despesas tinha que fazer 45 euros por dia. Actualmente há dias em que não faço qualquer serviço”, confessa o taxista que vê na emigração uma alternativa à falta de trabalho no seu país.Suzete Ferreira, taxista em Coruche há dois anos e meio - profissão que partilha com o marido -, diz que esta decisão do Governo “não faz qualquer sentido”. Há dias em que o casal passa o dia na praça de táxis de Coruche à espera que o telefone toque ou que apareça algum cliente. “O que nos vai valendo são os serviços das seguradoras e os clientes particulares”, diz.Vítor Coelho explica que nos meios rurais esta decisão do Ministério da Saúde tem consequências “mais graves” porque este tipo de serviço era o mais praticado pelos taxistas. Profissional há cerca de 18 anos, Vítor Coelho não entende como é que o Governo toma uma decisão que vai “agravar as contas públicas uma vez que passa a pagar o dobro do que pagava aos taxistas”, sublinha.João Canhão, taxista de Coruche, conta que recentemente lhe retiraram um serviço e que vieram propositadamente os Bombeiros de Canha - a 35 km de distância - fazer o transporte para Torres Novas. “Além de cobrarem mais pelo serviço ainda têm que fazer deslocações maiores. É uma decisão que não tem nexo”, critica.
A vida está difícil para os taxistas da região

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