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Caçadores contra restrições impostas à caça no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros

Caçadores contra restrições impostas à caça no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros

Responsável do PNSAC diz que a condicionante de um caçador por cada 30 hectares permite “colmatar a inexistência de normas na legislação da caça vigente”, evitando uma elevada densidade de caçadores no mesmo dia num determinado território.

Edição de 21.03.2012 | Sociedade
Manuel Piedade Marques, 65 anos, residente em Parceiros de São João, Torres Novas, é caçador há mais de 30 anos. Descontente com as limitações de caça impostas pela directora do Parque Natural de Serra de Aire e Candeeiros (PNSAC) e, na impossibilidade de chegar à fala com a responsável, tentou perceber através do nosso jornal por que razão se limita a caça a um caçador por cada 30 hectares de área. Contactada por O MIRANTE, a directora do PNSAC explica que “não existe nenhuma imposição pessoal com essa limitação” e que a questão remete para a lei que aponta que “os planos de gestão e planos de ordenamento e exploração cinegética devem estabelecer um contingente limitado de caçadores por jornada de caça, com base na razão de um caçador por cada 30 hectares de terreno cinegético”.Assim não entende o nosso interlocutor. “A directora do parque já há muito tempo que nos anda a complicar a vida. E nos últimos tempos, mais ainda”, assume o caçador, que também possui uma espingardaria. Manuel Marques refere que esta limitação constitui um factor de desânimo para quem gosta de fazer caçadas, levando-os a desistir. “Somos doze reservas de caça no Parque das Serras de Aire e Candeeiros. Estamos a falar de mais de 1500 caçadores”, sublinha, acrescentando que estas imposições, pelas conversas que tem tido com outros caçadores, têm impacto a nível da própria economia. “Tantas restrições são prejudiciais para todos uma vez que, sem caçadores, os comerciantes também não vendem e os restaurantes, que nos dias de caça podem chegar a servir 150 pequenos-almoços, ficam vazios”, exemplifica. O sócio da Reserva da Serra de Santo António considera que, da parte da actual directora do PNSAC, ainda não há uma “explicação credível” que sustente que a mesma esteja a tomar estas medidas. “A directora fecha-se em copas. Queremos que nos justifique porque está a limitar 30 hectares por cada caçador. Está-nos a tirar a nossa liberdade. É a lei do quero, posso e mando”, refere o caçador que paga uma licença de 60 euros por ano para caçar, mais as quotas da reserva a que pertence.Mas, de acordo com Sofia Silveira, este rácio está definido no “Manual Interno de apoio à análise de processos de âmbito cinegético”, abrangidos por Áreas Classificadas do ICNB, que tem como objectivo “evitar os impactos negativos da pressão cinegética sobre as espécies cinegéticas e não cinegéticas, prevenindo a ocorrência de situações que possam pôr em perigo a vida, saúde ou tranquilidade de pessoas e, igualmente, risco de danos para os bens”.A directora do PNSAC refere que esta condicionante “permite colmatar a inexistência de normas na legislação da caça vigente, sobre a possibilidade de ocorrência de uma elevada densidade de caçadores estar em exercício de caça no mesmo dia num determinado território”. “A senhora directora tem lá as leis dela e ninguém lhe tem feito frente mas é uma injustiça o que estão a fazer às pessoas porque nós, caçadores, respeitamos o gado e as pessoas. Não há justificação possível para nos prender as pernas desta maneira”, contesta Manuel Piedade Marques, disposto a lutar pela mudança da situação.
Caçadores contra restrições impostas à caça no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros

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