uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante

OGMA manda trabalhadores para casa porque não tem trabalho para lhes dar

Sindicato desconfia da situação e diz que há empresas a pressionar funcionários

São 20 os trabalhadores da OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, de Alverca, que estão em casa há vários meses a receber ordenado sem trabalhar. O alerta da situação foi dado pela União de Sindicatos de Lisboa e confirmada pela empresa, que em Dezembro prometeu contratar mais pessoal para produzir um novo avião militar.

Edição de 21.03.2012 | Sociedade
A OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, de Alverca mandou 20 trabalhadores para casa a ganhar ordenado porque não tem trabalho para lhes dar. A situação decorre já há alguns meses e é confirmada pela empresa. A situação preocupa a União de Sindicatos de Lisboa que teme que esta situação possa ser uma forma de levar ao despedimento dos trabalhadores.A situação na OGMA acontece três meses depois da empresa de capitais brasileiros e estatais ter prometido contratar 200 novos trabalhadores para produzir um novo avião militar. Mas o que tem acontecido, diz a empresa, é que a produção em “sectores específicos” tem baixado. “Os motivos porque tal se verifica têm em consideração as variações da procura e volume de trabalho em determinados produtos e processos, pelo que algumas pessoas aguardam o retomar da produção em sectores específicos”, informa a empresa. Ainda segundo a OGMA alguns trabalhadores que se encontram em casa a auferir vencimento sem trabalharem estão a aguardar a aprovação dos seus processos de reforma junto da Caixa Geral de Aposentações.O coordenador de Vila Franca de Xira da União de Sindicatos de Lisboa, Jorge Antunes, diz que esta é uma das situações que está a preocupar o sindicato. E considera que há empresas da região que estão a aproveitar a crise para aliviarem de forma “rápida e desumana” os seus quadros de pessoal, pressionando os trabalhadores a ir para o desemprego. Jorge Antunes revela que as entidades patronais pressionam os funcionários com a ameaça de que se não forem agora para o desemprego vão mais tarde com reduções nas indemnizações. Dívidas a trabalhadores ultrapassam os 13 milhõesActualmente no Tribunal de Vila Franca de Xira há processos de dívidas aos trabalhadores por parte de empresas que já fecharam e que já ultrapassam os 13 milhões de euros. Alguns processos de insolvência arrastam-se desde 1994. “Estamos numa área em que todos os dias chegam pessoas à delegação sindical de Vila Franca com receio da manutenção do seu posto de trabalho. Os patrões estão a empurrar as pessoas para o desemprego. Estão a registar-se muitos problemas”, lamenta. Entre os exemplos relatados por Jorge Antunes está também o encerramento da empresa Socobre, de Alverca, que depediu 20 trabalhadores. “Mas os restantes créditos devidos aos trabalhadores só serão pagos, diz a empresa, depois de Agosto”, critica. O sindicato destaca também o caso da Xira Alimentar, empresa onde os 20 trabalhadores recorreram ao tribunal para pedir a insolvência da firma e assim terem acesso ao subsídio de desemprego. “Não recebiam salários há três meses”, condena. No concelho de Vila Franca de Xira, recorde-se, a taxa de desemprego cifra-se na casa dos 12,5 por cento, valor próximo da média nacional que ronda os 14 por cento. Segundo o Instituto Nacional de Estatística estão 7487 pessoas sem trabalho no concelho.

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...