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O advogado que preza os valores da ética e da lealdade

O advogado que preza os valores da ética e da lealdade

José Pereira Vieira já passou por 52 comarcas do país ao longo da sua carreira

Não há nada mais importante para um advogado do que ser correcto, leal e seguir uma conduta ética. A opinião é de José Pereira Vieira, advogado vilafranquense que já passou por 52 comarcas ao longo da vida. Quando era criança queria ser jogador de futebol. Mas aos 16 decidiu seguir Direito e diz que não se arrependeu.

Edição de 28.03.2012 | Identidade Profissional
Um advogado tem de pautar a sua conduta pelos valores da honestidade e lealdade, ser correcto, dedicado e eticamente exemplar. A opinião é de José Pereira Vieira, 66 anos, advogado natural de Vila Franca de Xira que ainda hoje mantém o seu escritório aberto na rua Serpa Pinto, nessa cidade.José Pereira Vieira acredita tanto na lealdade que faz questão de dizer que as gavetas da sua secretária nunca estão fechadas à chave. Já teve 18 estagiários desde que se iniciou na profissão e a todos tenta incutir um sentido de responsabilidade. “Não admito que aqui alguém me falte a um julgamento. Isso é impensável. Até chegar atrasado, mais do que cinco minutos, deixa-me em sobressalto. Quem está à nossa espera, no julgamento, está num sofrimento enorme. Temos de ser sensíveis a isso”, partilha.Em criança queria ser jogador de futebol mas depois de perceber que era míope o sonho desapareceu. Aos 16 anos decidiu seguir Direito. Agarrou a profissão e nela se mantém até aos dias de hoje. Nasceu na rua Luís de Camões em Vila Franca de Xira. É filho único e os pais tinham algumas posses que lhe permitiram escapar a uma entrada precoce no mundo do trabalho, como aconteceu a alguns amigos. Depois de frequentar os colégios da cidade aos 16 anos decidiu enveredar pelo Direito. Começou a frequentar o curso da Universidade de Lisboa e no segundo ano mudou-se para Coimbra. “O segundo ano era muito difícil e muito selectivo. Os professores que davam direito nesse segundo ano eram gente ligada ao poder do Estado Novo, como o Costa Leite, Marcello Caetano e Gonçalves Pereira. A partir do terceiro ano já havia mais facilidade mas no segundo era mesmo para muita gente sair. Em Coimbra era mais difícil mas havia mais transparência na avaliação”, conta.Em 1967, ao ouvir falar da mobilização para a guerra do Ultramar, partiu para Paris para frequentar um curso de língua e civilização francesa. Mas quando regressou, em 1968, foi recrutado para a guerra e teve de se apresentar no quartel de Mafra. Pouco tempo depois estava em Angola a servir Portugal como alferes miliciano de um pelotão de morteiros. Tinha então 24 anos e era o mais velho do pelotão. “A guerra não interessou a ninguém”, desabafa.Quando voltou da guerra completou o curso, estagiou e assentou arraiais num escritório em Vila Franca de Xira, onde ainda hoje se encontra, apesar de residir em Lisboa. Gosta de manter os laços com a terra onde nasceu, diz. Já passou por 52 comarcas do país ao longo da carreira e interveio em mais de 4500 julgamentos. Trabalha 12 horas por dia e presta hoje serviço em Vila Franca, Alenquer, Benavente e Tavira, terra com a qual criou um laço especial de afecto.“O meu primeiro julgamento foi de uma mulher aqui de Vila Franca. Estava eu no escritório há um mês e meio. Ela tinha chamado nomes à vizinha, a vizinha deve ter respondido com mais nomes. A minha cliente era menos culta e deve ter dito mais palavrões ainda que a outra. Apesar do meu esforço, de dizer ao juiz que ela era mãe de quatro filhos e não sabia ler nem escrever, não evitei que sofresse uma condenação de 30 dias de prisão, substituída pelo pagamento de 20 escudos por dia (10 cêntimos)”, conta.No triénio de 1990 a 1992 foi presidente da delegação da Ordem dos Advogados em Vila Franca de Xira. “Vejo a minha cidade a precisar de uma orientação comercial e empresarial mais forte. Depois da construção do centro comercial em 1994 pararam esses apoios. Falta quem defenda os projectos e apoie as dinâmicas dos empresários. Não sei qual dos órgãos é mais responsável, se a câmara municipal se a junta de freguesia, mas tem faltado quem se dedique a dinamizar o comércio”, lamenta.
O advogado que preza os valores da ética e da lealdade

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