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No tempo dos avós tudo o que fizesse som acompanhava o baile

No tempo dos avós tudo o que fizesse som acompanhava o baile

Edição de 28.03.2012 | Primeiro Plano
Pinhas, canas rachadas, tambores, ferrinhos, reco-recos e uma garrafa de vidro. No tempo dos avós e bisavós dos meninos de hoje tudo o que fizesse música acompanhava o baile. É isso mesmo que se mostra aos mais pequenos na oficina de instrumentos tradicionais “Tocar como dantes” que decorre desde o início do ano lectivo no Museu Municipal Sebastião Mateus Arenque, em Azambuja. Já passaram pelo museu quase todas as turmas do terceiro e quarto ano do concelho. Na quarta-feira, 21 de Março, foi a vez de um grupo de alunos da antiga escola da Quinta dos Gatos. O animador cultural da Câmara Municipal de Azambuja Miguel Ouro e o historiador Nuno Nobre dão o mote a uma viagem pela história dos instrumentos. Tudo acontece entre músicas e palavras partindo de textos e recolhas musicais do mestre Sebastião Mateus Arenque. Dando voz a personagens como Sebastião e Francelina apresentam-se aos mais novos o bandolim, a guitarra portuguesa, a gaita de beiços, o harmónio, a viola, a concertina, o cavaquinho, o tambor, a pandeireta, o pote, o adufe e muitos outros: “(…) A Francelina baila de pernas ligeiras/ Na concertina do Pardal das Catoeiras/ “Ai de amores por ti morro”/ Cantavam/ Na melodia do Harmónio do Pixorro/ Ou do Abóboras dos Penedos/ Tocavam belos segredos/ Todos eles musicais/ Também o José e Júlio do Forno/ Todos grandes tocadores/ Ah ‘homes’ dum corno/ Tocadores de moda rasteira (…)”. Ouvem-se os sons de instrumentos antigos e aprende-se como era Azambuja há cem anos. “Com a vossa idade já muitos trabalhavam no campo e nem sequer iam à escola. Portanto não sabiam ler, escrever nem fazer contas”. As raparigas iam para o campo arrancar ervas das sementeiras, ceifar os cereais e dar água à monda. Os rapazes cuidavam dos cavalos, toiros bravos e trabalhavam nas eiras, continua Nuno Nobre. No final os meninos tornam-se protagonistas de uma tocata de instrumentos tradicionais. Espectáculo de percussão bem ritmado e sem ensaio para que fiquem a ecoar na cabeça dos mais novos histórias e sons de outros tempos. Ana Santiago
No tempo dos avós tudo o que fizesse som acompanhava o baile

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