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Câmara de Benavente paga dia a quem foi impedido de trabalhar na greve geral

Câmara de Benavente paga dia a quem foi impedido de trabalhar na greve geral

Incidentes foram condenados pelo presidente da autarquia que não tomou qualquer atitude para encontrar os responsáveis

É a segunda vez que numa greve geral há incidentes em Benavente. Em 2010 vários trabalhadores ficaram à porta da câmara o dia todo à espera de iniciarem funções. Este ano os estaleiros municipais foram bloqueados a cadeado e à porta da ETAR foi descarregado um monte de areia para impedir a entrada de quem queria trabalhar.

Edição de 28.03.2012 | Sociedade
A Câmara de Benavente vai pagar o dia aos funcionários da autarquia que no dia da Greve Geral foram impedidos de entrar nas instalações, garante o presidente, António José Ganhão (CDU). O autarca condena os incidentes que se registaram no dia 22 de Março, mas não avançou com qualquer diligência formal, defendendo que não poderia substituir-se aos trabalhadores que aderiram à greve. Não foi apresentada queixa nas autoridades nem levantado para já qualquer inquérito interno. Os trabalhadores que se viram privados de poderem trabalhar mostraram-se indignados por verem a sua liberdade cortada.Recorde-se que os trabalhadores do estaleiro municipal de Benavente encontraram no dia da greve o portão das instalações fechado a cadeado e uma máquina giratória a obstruir a entrada. Quem queria entrar no estaleiro municipal de Samora Correia encontrou o portão encerrado com um cadeado. Já os trabalhadores da empresa intermunicipal Águas do Ribatejo depararam-se com o portão da ETAR que fica mesmo ao lado do estaleiro, obstruído por um monte de areia com perto de metro e meio de altura. A areia terá sido colocada no local com recurso a uma máquina da autarquia já que no chão existia um rasto que ia dar ao estaleiro municipal. O presidente da Câmara de Benavente confirma que passou de manhã de carro pelo estaleiro mas só viu os trabalhadores à porta, não se tendo apercebido da máquina giratória. “Mais tarde não tomei qualquer diligência para desimpedir a entrada porque nenhum eleito pode interferir no direito que os trabalhadores têm de se manifestar”, explicou o autarca, acrescentando que tais actos não merecem a sua aprovação. Ganhão diz que se surgirem os nomes dos responsáveis pelos incidentes e os vereadores responsáveis decidirem abrir inquérito vão ser apuradas responsabilidades, mas avança que se “ninguém viu nada, será difícil chegar aos autores”. “Foi algo de anormal o que aconteceu e é claro que quem não adere à greve também deve ser respeitado e o seu dia de trabalho será pago”, acrescentou. No local dos incidentes estiveram funcionários da autarquia a apontar os nomes dos trabalhadores que compareceram ao trabalho, mas não puderam iniciar funções. O autarca que é também vice-presidente do conselho de administração das Águas do Ribatejo já contactou o director geral da empresa que não vai requerer qualquer indemnização à câmara. “Disse-me que não valia a pena porque só se estragou a fechadura”. Funcionários indignados Mesmo com o dia de trabalho pago, alguns funcionários não deixaram de manifestar alguma “indignação”. “É uma vergonha que isto aconteça num país democrático porque estão a privar-me da minha liberdade de querer trabalhar”, confessou um dos trabalhadores que pediu o anonimato com medo de represálias. Alguns dos trabalhadores com quem O MIRANTE conversou, também não gostaram de ver o presidente da câmara a passar no local sem parar para dar qualquer justificação. Os trabalhadores da Águas do Ribatejo tiveram de tirar o monte de areia para entrarem na ETAR. “Na última greve colocaram-nos aqui um cadeado com uma corrente, mas como nós o rebentámos, este ano decidiram inovar”, ironiza um dos trabalhadores da empresa intermunicipal de capitais unicamente públicos. A fechadura do portão da ETAR rebentou e a segurança foi posta em causa. “É uma zona onde passam muitas crianças e temos aqui poços com alguma profundidade”, alertaram os funcionários. A areia também provocou estragos no para-choques de uma viatura. “Não nos importamos que os outros façam greve, não têm o direito de prejudicar quem quer trabalhar”, reforçou mais um funcionário. O presidente da câmara não fez greve, tal como os restantes autarcas do concelho, mas mostrou-se “solidário com os trabalhadores em luta”. Oposição critica acontecimentos O presidente da Comissão Política Concelhia do PSD de Benavente, Ricardo Oliveira, e o presidente da Comissão Política Concelhia do PS, João Augusto Sousa, repudiaram os acontecimentos que se registaram na manhã do dia 22 de Março, nos estaleiros da Câmara Municipal de Benavente e na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da vila. Ricardo Oliveira considera inaceitável as situações registadas e vai ao ponto de dizer que o que aconteceu é “passível de poder ser considerado crime contra o património e contra os direitos e liberdades dos cidadãos”. “O direito à greve está consagrado na Constituição da República Portuguesa como também o direito à não greve, e terá que ser aceite e respeitado de igual forma”, lê-se no comunicado emitido pelo PSD. Também o PS interpretou os acontecimentos como “um grave atentado à democracia e ao respeito devido a todos os cidadãos”, considerando que o executivo municipal não está isento de responsabilidades já que deve “situar-se acima de qualquer disputa política do domínio exclusivo dos seus trabalhadores e tomar medida preventivas para que todos eles usufruam de direitos iguais”.Polémica na greve de 2010 A greve geral de 24 de Novembro de 2010 também criou polémica no concelho de Benavente, depois de seis trabalhadores da autarquia ficarem à porta do edifício da câmara durante todo o dia já que a porta de entrada estava encerrada. Os trabalhadores mostraram-se indignados por o presidente da câmara que passou no local não ter aberto o edifício. Ganhão volta a justificar a decisão tomada na altura: “Não sou porteiro e se fosse abrir a porta estaria a substituir um dos trabalhadores que aderiu à greve”.
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