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Atleta de Tomar reina no halterofilismo nacional

Carlos Tavares sagrou-se campeão nacional absoluto pela décima oitava vez e garantiu pesos mínimos para estar presente no Mundial de Masters

Chama-se Carlos Tavares, tem 41 anos, é natural de Tomar e é possivelmente o melhor halterofilista português na categoria de mais de 105 quilos. Nos campeonatos Nacionais, realizados em Coimbra, não só se sagrou campeão absoluto como também conseguiu os pesos mínimos para participar no Mundial de Masters, que este ano se realiza na Ucrânia.

Edição de 02.05.2012 | Desporto
Carlos Tavares é um exemplo de perseverança numa modalidade pouco reconhecida e desenvolvida em Portugal. O halterofilismo entrou na sua vida aos 16 anos. “Na altura havia aqui na Nabância um bom grupo a praticar a modalidade, eu já conhecia o Luís Padeiro, que era um dos mais entusiastas, foi ele que viu no meu porte físico a capacidade para ir para a modalidade, desafiou-me e quando o ginásio onde treinavam foi para a frente da minha casa, não consegui negar e comecei a treinar e a entusiasmar-me pela modalidade, que nessa altura tinha bem mais praticantes em Tomar e em Portugal”.Ao contrário do que se possa pensar o halterofilismo não é uma modalidade fácil de praticar, não é apenas o levantar a maior quantidade de pesos. “Há muitas regras, há muito cuidado a ter, há um treino muito específico. É preciso muito espírito de sacrifício, penso que é por isso que temos pouca gente a praticar a modalidade em Portugal. Neste momento temos pouco mais de trinta jovens a praticar a modalidade em todo o país, o que é pouquíssimo para a sua evolução”, diz Carlos Tavares.O atleta tomarense confessa que ele próprio não se entusiasmou logo às primeiras pela modalidade. “Tive os primeiros contactos com a modalidade em Abril de 1977, nessa altura com uma barra com meia dúzia de quilos e mesmo com um cabo de vassoura para aprender os movimentos técnicos, fui andando até que o bichinho se entranhou e ultrapassei todas as dúvidas que ainda tinha na cabeça, e quando os resultados começaram a surgir o entusiasmo foi tal que já não houve retorno”. O facto da própria Federação de Halterofilismo de Portugal viver com grandes dificuldades, nem sequer tem o estatuto de utilidade pública, também ajuda a afastar os jovens da modalidade. “Não há comparticipação do Estado, por isso a participação em provas nacionais ou internacionais é muito difícil para os atletas”, garante Carlos Tavares.É por tudo isto que a modalidade tem vindo a perder força em Portugal. Carlos Tavares que é agora atleta inscrito pelo Ginásio Clube de Tomar, já passou por outros clubes entre eles o Futebol Clube do Porto. “Houve uma altura em que chegaram a haver mais de três centenas de halterofilistas em Portugal. A modalidade era praticada nos grandes clubes. Mas depois foi definhando e chegou ao que é hoje.Foram anos fortes para a modalidade. Mesmo em Tomar, na Nabância chegaram a ser quase duas dezenas de atletas. “Com a vinda de dois grandes entusiastas da modalidade, Tomás Ferreira e Manuel Pina, para a Nabância tivemos durante meia dúzia de anos um grande incremento da modalidade em Tomar. Infelizmente também isso se foi diluindo e agora só eu continuo a lutar”, disse sem desânimo o atleta.Agora Carlos Tavares treina sozinho num canto do Pavilhão Desportivo da Nabância. Espaço cedido pelo clube que representa, o Ginásio Clube de Tomar. Pavilhão que é também usado pelas crianças da ginástica. “Não me custa treinar só, gosto do sossego porque me ajuda a concentrar, por isso treino sempre a horas em que o pavilhão está em sossego”.O halterofilismo internacional tem sido nos últimos tempos abalado com problemas de doping, com selecções de grande nível a serem desclassificadas em mundiais e olímpicos por os seus atletas acusarem anabolisantes. Carlos Tavares garante que o seu doping é a sua alimentação. “Nunca tomei nada para ultrapassar os meus limites, já passei por muitos controlos em provas nacionais e internacionais e nunca tive qualquer problema, fui sempre à vontade, até os suplementos vitamínicos são poucos. O meu doping é a alimentação, como de tudo sem problemas, sou forte mas não sou gordo, e nas análises que faço regularmente tenho todos os parâmetros dentro do normal”, garantiu.O mecenas que permitiu a ida ao Mundial na UcrâniaCom a vitória no Campeonato Nacional disputado em Coimbra, Carlos Tavares conseguiu também os mínimos para a participação no Mundial de Masters que se disputa de 15 a 22 de Setembro, no Palácio dos Desportos de Lviv, na Ucrânia. Apesar de tudo o atleta garante que não foi uma vitória fácil. “Vencer nunca é fácil, tenho o hábito de incentivar os jovens que vão aparecendo e alguns já se vão aproximando das minhas marcas”, disse.Aos 41 anos os seus recordes de levantamentos são de 140 quilos ao arranque e 180 quilos ao arremesso, feitos em treinos. “Em prova na actual categoria de masters são de 125 quilos ao arranque e 161 quilos ao arremesso. São boas marcas em Portugal e nos últimos Europeus em que eu não pude estar estes pesos dariam para ficar no quarto lugar”, disse com algum desânimo.Mas a alegria voltou ao seu olhar quando se tratou de falar no próximo mundial. Apesar de ter carimbado o passaporte nos nacionais, Carlos Tavares sentiu-se frustrado por não poder ir. “Não tinha hipóteses de ir à Ucrânia, não tinha disponibilidade financeira para custear as despesas. A Federação não tem possibilidades de ajudar”.O atleta lamentou e mostrou a sua frustração em público e foi surpreendido com uma chamada de um mecenas tomarense. “O Doutor Correia Leal chamou-me ao seu escritório e perguntou-me quanto é que custava a minha deslocação à Ucrânia, disse-lhe a importância de que precisava e ele prontificou-se a pagar essas despesas. Passou logo o cheque. Fiquei de tal modo agradecido que nem tive palavras para lhe demonstrar esse agradecimento de imediato”, disse ainda emocionado Carlos Tavares.“Já tenho tudo marcado e tudo resolvido, graças ao Doutor Correia Leal, Vou eu e a minha mulher para me dar apoio, ela é a minha treinadora adjunta, eu treino sozinho, e agora tenho cinco meses para o fazer sem preocupações com a deslocação, e prometo que tudo vou fazer para conseguir uma boa classificação, para dedicar à pessoa que me deu esta oportunidade”, garantiu o atleta com emoção.

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