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ANMP considera escandaloso fim do acesso de muitos cidadãos à televisão

Associação Nacional de Municípios pediu ao Ministério Público para investigar o processo
Edição de 02.05.2012 | Economia
A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) considerou "escandaloso e vergonhoso" o fim da televisão analógica, afirmando haver um conjunto muito grande de cidadãos, principalmente em municípios do interior, que ficaram sem acesso à informação.O secretário-geral da ANMP, Artur Trindade, manifestou preocupação pelas dezenas de municípios “que estão a ser totalmente prejudicados com a Televisão Digital Terrestre (TDT)”, ainda por cima numa altura em que Portugal sofre uma crise económica e quando muitos portugueses não têm dinheiro para comprar um aparelho.“Estou muito indignado, porque ontem [quinta-feira, 26 de Abril] terminou aquele processo que eu considero vergonhoso e escandaloso, que prejudica um conjunto muito grande de portugueses, que ficaram sem acesso à informação e a televisão. E principalmente onde é que isto acontece? Acontece exactamente nas zonas do interior do país. Isto é uma injustiça social”, considerou.“Nós, ANMP, vamos continuar a lutar e vamos eventualmente tomar decisões que têm a ver com a necessidade de garantir a solidariedade para com estes municípios, que foram abandonados neste projecto. Vamos garantidamente tomar posições que tenham como resultado garantir que haja o acesso destas populações à televisão”, assegurou Artur Trindade.Para o responsável, “este programa foi todo montado para privilegiar uma empresa, para privilegiar a Portugal Telecom (PT) e mais nada”, salientando que foi por isso que a ANMP pediu ao Ministério Público para investigar o processo. “Foi a empresa que ganhou milhões, sem nós percebermos porque é que essa empresa não foi obrigada a garantir a transmissão da televisão para todos aqueles que já tinham esse direito. Acho isto verdadeiramente um escândalo”, acrescentou.Artur Trindade criticou ainda a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), porque, apesar de ser uma entidade reguladora, “não regulou precisamente nada neste processo” e até “apareceu sempre como entidade defensora deste projecto”.“A Anacom, que é uma entidade reguladora do Estado, no ano passado teve um lucro de 30 milhões de euros. Já que não conseguiu obrigar a PT a respeitar os cidadãos, porque é que não utilizou parte dessa verba para garantir postos de transmissão aos cidadãos que já tinham direito a essa televisão?”, questionou.Cinquenta e cinco anos de televisão analógica tiveram na quinta-feira o seu ponto final com o desligamento dos últimos transmissores desse sinal, numa cerimónia que decorreu nas instalações da Anacom no Porto. A partir de agora, a transmissão televisiva em Portugal é feita através da TDT. Durante a cerimónia, o administrador da PT, Alfredo Baptista, afirmou que "a coberta terrestre se cifra neste momento nos 94%".

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