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Insinuações e ofensas nas celebrações do 25 de Abril no Cartaxo

Insinuações e ofensas nas celebrações do 25 de Abril no Cartaxo

Presidente da câmara vai processar autarca do Bloco de Esquerda que no seu discurso acusou Paulo Varanda de estar sob suspeita de beneficiar camaradas de armas e do colégio militar “em negócios catastróficos para o Cartaxo”.

Edição de 02.05.2012 | Política
O presidente da Câmara do Cartaxo, Paulo Varanda (PS), vai apresentar uma queixa no Ministério Público contra o eleito do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal do Cartaxo, Pedro Mendonça, na sequência do discurso que este fez na sessão comemorativa do 25 de Abril, onde lançou críticas duras e insinuações graves tendo por alvo o presidente do município.“Trinta e oito anos depois, no Cartaxo assinalar o 25 de Abril é estar em luta e não em brindes festivos porque a festa não tem sido de todos os cidadãos, mas só e apenas de quem se instalou no poder e dos seus próprios amigos”, disse Pedro Mendonça com Paulo Varanda na mira: “Temos um presidente sob graves suspeitas de beneficiar, em negócios catastróficos para o Cartaxo, camaradas de armas e do colégio militar”. As críticas pessoais a Paulo Varanda ficaram também bem patentes noutro parágrafo do discurso: “Quase quatro décadas depois, temos um presidente da câmara não eleito para o cargo e que nem a vice-presidente se candidatou. Passados todos estes anos temos um presidente militar, empossado e não eleito. Um presidente que nascido após a revolução não segue o herói nacional Salgueiro Maia, para quem um militar ou deixa de o ser ou volta para o quartel, sem meios-termos e sem oportunismos egoístas”.Pedro Mendonça deixou ainda críticas ao anterior presidente da câmara, afirmando: “Na última década no Cartaxo afastaram-se consciente e propositadamente os cidadãos da política, enganaram-se as colectividades e associações de cidadãos, chantagearam-se as juntas de freguesias e instalou-se um clima de medo nos funcionários da autarquia, beneficiando claro, os eternos bufos e aqueles que não questionam nunca e apenas sabem seguir o chefe, eleito ou não”.Varanda apela a um comportamento responsávelQuestionado por O MIRANTE sobre as insinuações lançadas por Pedro Mendonça sobre a sua pessoa, Paulo Varanda diz que não merecem qualquer comentário da sua parte, acrescentando que “legalmente as coisas serão enquadradas” com a participação ao Ministério Público.O teor do discurso de Pedro Mendonça caiu mal na assembleia, levando Paulo Varanda a apelar aos autarcas que assumam um comportamento responsável e que se concentrem no que realmente interessa às populações, em detrimento dos ataques e ofensas pessoais.“Dirijo um apelo aos políticos locais, das diferentes forças partidárias: independentemente da intensidade da luta política, é nesse plano que ela deve travar-se, no plano político. E nunca no plano pessoal. A todos os que estamos na vida política é exigida uma postura assertiva e determinada, mas respeitadora dos valores de Abril. A todos é exigido que lutemos por uma causa comum: o desenvolvimento do nosso concelho”, disse.Mendonça explica quais os negócios a que se referiuInstado por O MIRANTE a explicar a que negócios aludia no seu discurso no 25 de Abril, Pedro Mendonça diz que se referia a dois processos distintos. Em 30 de Abril de 2009, Paulo Varanda, ainda como engenheiro, efectuou para a câmara, através de sua empresa Certiamb, um relatório de avaliação do chamado Campo da Feira do Cartaxo, para uma área total de 84.789 metros quadrados, e apontou a avaliação para um valor global de venda de seis milhões de euros. Passados seis meses, já com Paulo Varanda no executivo como vice-presidente, é feito ajuste directo ao engenheiro civil Vítor Felisberto, o tal camarada de armas a que Pedro Mendonça se referiu, que elaborou um relatório de avaliação com os considerandos tal e qual Paulo Varanda tinha apresentado no seu relatório, mas a considerar uma área mais pequena de cerca de 60 mil metros quadrados de área do mesmo Campo da Feira do Cartaxo. Atribuiu um valor de 3,511 milhões de euros. O relatório é de 25 de Novembro de 2009.No caso do amigo do Colégio Militar, o assunto é relativo à adjudicação por ajuste directo à firma Ray Human Capital Consulting, SA, por 90 mil euros, a aquisição de serviços relativamente à reestruturação dos serviços da câmara. Os eleitos do BE na assembleia municipal decidiram participar da autarquia por gestão danosa junto do Ministério Público em Dezembro de 2010, processo no qual já foram ouvidos.Os autarcas do Bloco falam em “gestão danosa”, por argumentarem que não se conhecem as razões para adjudicar o serviço a uma empresa sem conhecer as razões de escolha da mesma nem os pressupostos fornecidos em caderno de encargos, não conhecendo o estudo por esta realizado nem os custos envolvidos.
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