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Museu do Alporão continua fechado à espera de obras

Museu do Alporão continua fechado à espera de obras

Monumento escalabitano está encerrado ao público desde 9 de Março

Edição de 02.05.2012 | Sociedade
O Museu de S. João de Alporão, em Santarém, está encerrado ao público por razões de segurança, já que se agravaram os problemas estruturais que têm fragmentado as pedras deste monumento nacional.“Até agora vinham-se verificando pequenos desprendimentos, mas, muito recentemente, houve um desprendimento um bocado maior na cabeceira da igreja que levou a encerrar preventivamente o espaço, por uma questão de segurança dos funcionários e dos visitantes”, disse à agência Lusa a vereadora da Câmara de Santarém com o pelouro do património, Luísa Féria.Luís Mata, técnico da autarquia, disse que o edifício, considerado o primeiro testemunho do gótico em Santarém e fechado desde 9 de Março último, foi construído com pedra da região, calcária, “muito favorável a fenómenos de descaimento”, como os que se têm vindo a verificar desde há alguns anos.Um estudo solicitado em 2004 ao Departamento de Engenharia, Minas e Georecursos do Instituto Superior Técnico revelou que a estrutura está a ser afectada por infiltrações a partir das fundações, pela constituição geológica da pedra usada na construção (bastante permeável e facilmente perecível perante a penetração de sais, que cristalizam) e pelos métodos construtivos e correctivos posteriores (como a utilização de argamassas, nomeadamente de cimento).Luísa Féria realçou a colaboração dada pela Direcção Regional de Cultura, que, logo que alertada pela autarquia, enviou uma equipa técnica, estando “a estudar que intervenção pode ser feita”, de modo a permitir a reabertura do espaço “em condições de segurança”.Segundo disse, o estudo em curso irá “indicar se há alguma intervenção de menor monta” que possa ser realizada no imediato, de forma a permitir a reabertura, ou se esta depende de “uma grande intervenção, essa de custo muito avultado, que a autarquia, neste momento, não poderá suportar”.Luís Mata adiantou que é necessário realizar um “mapeamento total do edifício” que permita identificar todos os locais afectados e o nível de gravidade de cada ocorrência, um processo tecnicamente complexo e com custos elevados.“Sabemos que os fenómenos de degradação tendem a agravar-se com o tempo, o que significa que é urgente que alguma coisa seja feita”, já que as vistorias técnicas revelam que existem já “patologias graves que podem comprometer o edifício a nível estrutural”, alertou Luís Mata.O técnico sublinhou o carácter “carismático” do edifício, que embora municipal foi classificado como monumento nacional em 1910. “A nível da História da Arte nacional, ele é considerado o primeiro testemunho do gótico em Santarém”, sendo referido como exemplo de transição do românico para o gótico, além de ter sido (em 1889) um dos primeiros museus constituídos no país, adiantou.De acordo com a descrição existente no portal do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, “a igreja de São João de Alporão constitui um caso único na arquitectura medieval portuguesa”, sendo um “produto híbrido estilisticamente”, no qual “coexistem soluções filiadas em esquemas românicos e outras já nitidamente góticas, característica que confere a este templo um estatuto ímpar no panorama Arquitectónico de Santarém e até do país”.A sua fundação deve-se à Ordem de São João do Hospital, cuja fixação na cidade se situa entre 1159 e 1185, acrescenta. Extintas as ordens religiosas, a igreja serviu de teatro até 1887, quando a Comissão Administrativa do Museu Distrital de Santarém iniciou obras de restauro com vista à sua adaptação a museu. Nessa altura, o edifício já não contava com a “pesada torre circular”, demolida em 1785 para permitir a passagem do coche real de D. Maria I.Preservado ainda na memória da cidade como “Museu dos Cacos”, S. João de Alporão foi igualmente desprovido dos dois elefantes que guardavam a entrada, retirados para a reserva da autarquia dada a degradação de que vinham sendo alvo.
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