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Primeira loja de drogas leves gera controvérsia em Vila Franca de Xira

Primeira loja de drogas leves gera controvérsia em Vila Franca de Xira

Câmara já fez uma fiscalização surpresa ao estabelecimento licenciado para produtos naturais e não detectou irregularidades

Abriu em Vila Franca de Xira a primeira loja de drogas leves. A Sky House, localizada a alguns metros da Câmara Municipal de Vila Franca, promete levar os clientes até ao céu. Na rua as opiniões dividem-se. Alguns produtos à venda podem ter efeitos idênticos aos das drogas ilegais.

Edição de 02.05.2012 | Sociedade
A Sky House, localizada mesmo no centro de Vila Franca de Xira, é a primeira loja de drogas leves, conhecidas por “smart shop”, a abrir no concelho e está já a gerar controvérsia. Estava licenciada como ervanária, mas a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira alterou o licenciamento para “produtos naturais”. Uma fiscalização surpresa não detectou qualquer ilegalidade. O gerente Carlos Fonseca já esperava por alguma polémica. Ninguém acreditaria que no número 20 da Rua José Dias Silva, mesmo no centro de Vila Franca, terra de tradições enraizadas, já é possível comprar um pacote de meia grama de Sky High por 8,75 euros para enrolar num cigarro e passar a um estado de relaxamento e boa disposição. Ou umas cápsulas de Dance-E Euphor-E por 9,50 euros para uma saída à noite. Existem também produtos que chegam a ter os mesmos efeitos de algumas drogas mais pesadas, como a cocaína ou o haxixe. São drogas sintéticas, desenvolvidas em laboratório, que potenciam reacções e experiências alucinogénias, mas que não são proibidas por lei, ou seja, não constam da legislação de controlo de estupefacientes e substâncias psicotrópicas. O estabelecimento estava licenciado pela autarquia como “ervanária especializada”, tal como acontece com outras smart shops no país, mas depois de alertada por O MIRANTE, a autarquia mudou o licenciamento para loja de “produtos naturais”. Na vizinhança ninguém se importa de dar uma opinião, desde que seja sob anonimato. “Esta loja não vem beneficiar a cidade. Os jovens que consomem aqueles produtos podem passar depois para outras coisas mais pesadas”, assegura uma comerciante da mesma rua. Um morador diz que para já não tem razões de queixa e que a rua já sofreu muito mais com os bares e os jovens alcoolizados que fazem barulho na via pública durante a noite. O cabo dos forcados de Vila Franca de Xira, Ricardo Castelo, também não vê com bons olhos o novo negócio que considera ser um incentivo para o consumo de drogas. Opinião partilhada pelo taxista José António Henriques que não gostava de ver um filho ou um neto a entrar na loja. Curiosamente os vereadores da oposição na câmara, Nuno Libório (CDU) e Rui Rei (Coligação Novo Rumo) ainda não tinham dado pela existência da loja quando foram contactados por O MIRANTE e mostraram-se surpreendidos. Questionada sobre o assunto que está a provocar algum desconforto entre os munícipes, a presidente da Câmara Vila Franca, Maria da Luz Rosinha, esclarece que já foi efectuada uma fiscalização de surpresa que concluiu que tudo o que vendiam estava legal. A presidente garante que só actuará quando a legalidade não for cumprida e que todos os dias recebe queixas no município de “um vizinho que não gosta da cor do cabelo da vizinha”, disse em tom irónico.Carlos Fonseca já esperava alguma controvérsia, mas reforça que este tipo de produtos não está associado às drogas duras que se vendem na rua e que os clientes não são os mesmos. Este negócio é até uma mais-valia, segundo o gerente, para combater o tráfico nas ruas. “Os clientes sabem que aqui compram algo legal e seguro. Se não tiverem estas lojas vão comprar na mesma na rua, onde vendem qualquer coisa”, explica. Não se livrou, contudo, de encontrar os vidros da loja sujos nos primeiros dias. O negócio está para já a correr bem e os clientes vão desde um estudante até um advogado ou professor.
Primeira loja de drogas leves gera controvérsia em Vila Franca de Xira

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