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Ainda não se conseguiu afirmar o cavalo lusitano como património do Ribatejo e do país

Ainda não se conseguiu afirmar o cavalo lusitano como património do Ribatejo e do país

Gonçalo Ornellas é dos criadores mais novos da região e diz que a raça tem sido protegida à custa das coudelarias

Gonçalo Ornellas tomou conta da coudelaria do pai em 2003. Nos últimos anos tem conseguido obter alguns prémios e promover o cavalo lusitano. O criador de Salvaterra de Magos diz que tem sido à custa dos criadores que se tem conseguido salvaguardar um património importante e que “ainda não sabemos vender a nossa imagem” num produto de excelência da região e do país.

Edição de 09.05.2012 | Cultura e Lazer
A Ferrari é uma imagem de marca de Itália, como o cavalo lusitano podia ser a imagem de Portugal. Um carro desta marca demora menos tempo a fazer que leva a nascer um animal que é um símbolo e um património do país e que este não tem sabido promover. Gonçalo Ornellas é um dos mais jovens criadores do Ribatejo, coração deste cavalo conhecido pelas suas características multifacetadas que o tornam excelente para a tauromaquia ou para o hipismo. Gonçalo, 37 anos, confessa que os estrangeiros têm feito mais por esta raça que o próprio país. Em França, diz, há uma revista dedicada a este cavalo. Em Portugal este produto não tem sido usado como uma das coisas boas que se fazem por cá. O responsável pela coudelaria d’Ornellas e Vasconcellos desde 2003 nunca foi convidado para integrar uma comitiva de empresários ao estrangeiro nem nunca acompanhou uma daquelas visitas dos governantes que servem também para promover e abrir portas a negócios no estrangeiro. “O problema é que não fomos educados a vender e a preferir o que é nacional. Continuamos a achar que o que é estrangeiro é melhor. Não sabemos vender a nossa imagem”, salienta o criador de Salvaterra de Magos. “Os espanhóis sabem vender o cavalo melhor que nós. Eles têm uma raça que é a Andaluz, que é pior em termos de qualidade que o Lusitano, mas conseguem vendê-los dez vezes mais caros”. E conseguem isso “à custa do marketing e do saber vender”.O que tem sido feito tem sido à custa dos criadores. Se existe um património genético isso deve-se ao esforço dos criadores que não vendem os exemplares de excelência para o estrangeiro para garantirem que o apuramento e domínio da raça se mantenham no Ribatejo, no país. Senão, era como vender os Jerónimos aos pedaços para o estrangeiro, diz. Gonçalo Ornellas reconhece que tem sido feito um grande esforço para proteger o cavalo lusitano por parte dos criadores. “Há pessoas que fazem das tripas coração para manterem as coudelarias”, refere. “É uma actividade de paixão”, diz recusando queixumes mas admitindo que “quem é rico pode ter cavalos mas quem tem cavalos não fica rico”. O cavalo, sublinha, é um produto feito para em média ser vendido ao fim de sete anos “numa sociedade que cada vez mais está formatada para o consumo imediato”. Reforça que “ainda não nos conseguimos afirmar como tendo um produto de excelência”.Nem para o turismo o cavalo símbolo da região tem sido aproveitado. Tirando a Feira do Cavalo na Golegã não há na região mais nenhuma actividade que promova a raça. Não há uma máquina turística que leve estrangeiros às quintas, às coudelarias. Em grande parte porque não há estruturas montadas para o efeito, porque as instalações não estão preparadas. Um dos problemas pode ser a falta de apoios estatais para o desenvolvimento deste negócio que trazia mais-valias para o país potenciando outros negócios como a restauração, o alojamento. “Devia existir uma protecção do Estado a este produto que é o cavalo lusitano”, sugere. Os criadores não conseguem dedicar-se exclusivamente ao negócio dos cavalos porque é difícil obter uma rentabilidade a curto prazo. Quem cria o lusitano dedica-se a outras actividades, a outros negócios que permitem manter as coudelarias. Porque um animal destes pode ser vendido ao fim de alguns anos ou nunca ser vendido, continuando a ser alimentado e tratado pelo empresário. Prémio melhor cavalo de toureioA coudelaria d’Ornellas e Vasconcellos obteve no ano passado no Festival Internacional do Puro Sangue Lusitano o prémio de melhor cavalo de toureio, o Zorro, que é utilizado pelo cavaleiro Tomás Pinto. Além de vários outros prémios que a coudelaria com 42 anos tem obtido. Gonçalo Ornellas recebeu também nesse festival o diploma de garanhão recomendado pela Associação Portuguesa do Cavalo Puro Sangue Lusitano - APSL, referente ao cavalo Belmonte.Com o ferro d’Ornellas e Vasconcellos há vários cavalos que têm ficado conhecidos no meio taurino, como o “Europa” que toureou com o cavaleiro Rui Salvador. Ou o “Stressadinho” que toureia com o cavaleiro Gilberto Filipe e foi considerado um dos melhores cavalos pela revista Burladero no ano de 2007, entre outros. Actualmente estão para entrar nas praças de toiros cavalos adquiridos por cavaleiros como Xavier San José (Espanhol), João Ribeiro Telles, António Ribeiro Telles, Diego Ventura e Leonardo Hernandez, um dos melhores toureiros de Espanha.
Ainda não se conseguiu afirmar o cavalo lusitano como património do Ribatejo e do país

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